Soneto Inglês II

A quem pertence a manhã deste Maio?
De quem são estas nuvens ocultando,
altas , — navegando o céu de soslaio — 
o sol monarca que vai assassinando

a noite comprida que encarcerava
a vontade do frio e da morte
no fundo secreto do ser que os ansiava
e agora reina como senhor da minha sorte?

Tive a posse desta manhã breve
que diante dos olhos flutuou
cheia de um infinito tão leve 
e tão vazio que das mãos voou.

Deixe eu gozar dessas luzes, no entanto.
Não me mateis, se puderes, por enquanto.

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