Empreendedorismo Olímpico

Logo da organização de Virgínia

Virgínia Campo é uma jovem empreendedora social da Colômbia Bogotá, seu principal instrumento de luta? O conhecimento.

Seu principal objetivo? ‘Remediar as faltas de oportunidade, em todos os projetos e organizações que eu comecei sempre teve um fim: remediar as faltas a oportunidades, seja para mulheres, jovens, ou comunidades próximas.’

Um dos seus projetos é o Hecha e Derecha, no Panamá, que auxilia as mulheres de comunidades carentes a se empoderar por meio da arte.

Eu estava vivendo em uma comunidade fora da cidade do Panamá, mas em 45 minutos eu estava no Panamá. Era uma comunidade rural, eu estava fazendo desenvolvimento comunitário e trabalho para uma organização quando comecei a ver muitas mulheres com talento, elas se reuniam para aprender arte.

Entretanto, elas não estavam conseguindo vender, o negócio não estava crescendo, e elas só estavam aprendendo como fazer a arte. Então eu percebi que essa era uma oportunidade para elas terem um salário, vender seus bens, por isso perguntei se eu poderia ir aos encontros e guiá-los um pouco em como poderiam começar vendendo seus produtos, conectá-las ao mercado.

Eu queria dar aulas de liderança, elas aceitaram, então eu comecei indo toda terça-feira para a aula e ensinando sobre auto liderança, como encontrar suas paixões e caminhos, além da forma com que esses caminhos poderiam gerar renda.

Minha meta era ajudar a fechar essa discrepância de oportunidades graças ao gênero, porque aquelas mulheres nunca tiveram oportunidade de ir à universidade, de ir a uma feira de arte ao ar livre na cidade do Panamá, que é apenas a 45 minutos da cidade delas, e vender seus bens, o que para mim era óbvio e fácil, para elas era impensável. Eu sentia que era a ponte para auxiliá-las a se comunicar com o novo público. Foi assim que o Hecha y Derecha começou.

Ela começou o projeto com pouco mais de 50 mulheres, todas de uma comunidade chamada San Miguel, mas, depois de um ano, percebeu que poderia ampliar seu trabalho em outras comunidades próximas, além de se focar mais em garotas, afinal a chance de que uma jovem consiga melhorar sua vida é maior do que com pessoas mais velhas.

Em San Miguel as mulheres com as quais eu trabalhava eram majoritariamente mais velhas, tinha 35 garotas e 85 senhoras, então eu fui trabalhar com um abrigo de garotas que haviam abusadas, somente o pior que você pensar, elas tinham entre 13 a 18 anos, e foi incrível. Depois de mais um ano eu estava trabalhando com 100 mulheres e garotas realizando aulas de liderança e economia.’

Ela está realmente mudando a vida daquelas mulheres e garotas que nunca tiveram uma oportunidade na vida, mas que, graças a ela, agora conseguem fazer seus próprios produtos, ganhar seu dinheiro e estudar.

O problema é realmente a falta de igualdade de gênero, pois enquanto os garotos e homens vão para a cidade grande, para o Panamá, as garotas e mulheres permanecem em casa, quietas, no lugar em que a sociedade machista as colocou.

Agora ao menos algumas delas conseguem sair da inércia e dizer chega a vida que levavam: sempre dependentes dos homens.

Mas nem tudo é fácil para quem procura implementar a mudança, não importa se aqui no Brasil ou lá no Panamá.

‘É muito difícil encontrar pessoas que acreditem nas suas ideias e estejam dispostos a financiá-las, especialmente porque às vezes, quando você está começando um negócio social, não há necessariamente lucro, tem impacto.

O outro desafio que enfrentei ultimamente é educar seu público, por exemplo: agora estou liderando uma crowd-funding plataforma, Little Big Money, mas nós postamos somente projetos de empreendedores sociais, e o desafio é fazer o público entender e confiar, tem sido muito difícil conseguir compradores, afinal alguns deles não confiam na tecnologia, eles pensam que o dinheiro não irá diretamente ao empreendedor. Hoje nós estamos com a maior campanha de crowd-funding da Colômbia, que é Clics por Sueños, com a PNUD, nós estamos lidando com 100 pequenos empreendedores.’

Atualmente todos os projetos do Clics por Sueños foram concluídos com sucesso, agora os 100 pequenos empreendedores tem financiamento para seus produtos.

Depois de fazer o curso, cada mulher desenvolveu um projeto diferente, ‘uma delas, por exemplo, abriu um pequeno restaurante de comidas saudáveis, porque ela amava cozinhar, o que foi muito bom para todas as mulheres, afinal todas gostavam de cozinhar em San Miguel, mas não havia um lugar para vender saladas, comidas saudáveis, e muitos Americanos estavam indo a San Miguel graças ao projeto que eu estava desenvolvendo, então as mulheres viram essa oportunidade e abriram esse restaurante, já o restante delas fez arte, dessa forma eu comecei conectá-las com o Mercado e enviá-las a cidade.

Eu também trabalhei em Vera Cruz e Arraijan, que são realmente pequenas cidades e próximas a cidade do Panamá, onde há falta de oportunidades, elas dificilmente têm acesso ao básico. É muito drástico.’

O empreendedorismo social é uma forma de ajudar a humanidade por meio de negócios que possibilitem a integração dos indivíduos na sociedade.

Para Virgínia, significa que ‘tenho algumas qualidades que me permitem ver o mundo com óculos diferentes, que ao invés que de ver um problema e ficar frustrada, deprimida a respeito, eu vejo um problema e uma forma de consertá-lo, então para mim significa, ser uma empreendedora social significa muita responsabilidade com o mundo, porque eu penso que essas qualidades precisam ser utilizadas em favor dos desfavorecidos, da juventude e de forma correta. Eu sinto que preciso mudar o mundo.’

Não somente as garotas e mulheres agradecem pelo projeto, mas também o próprio mundo…

Quando uma pessoa é paga por uma ideia, produto, ela se empodera de uma forma além de qualquer explicação, e foi isso que aconteceu. A mudança na comunidade delas foi incrível; afinal elas investiram todo dinheiro na família, na casa e na própria comunidade. O que isso fez com elas mesmas também foi muito bom, porque elas se sentiram ponderosas; sentiram que as pessoas as queriam na comunidade, que as pessoas gostaram do que elas estavam fazendo.

A relação entre as garotas mudou, pois elas costumavam brigar muito, imagine viver com 20 irmãs da mesma idade que você, era terrível, mas depois que elas desenvolveram seus próprios projetos começaram a perceber que eram boas em coisas diferentes, de formas diferentes, assim começaram a respeitar uma as outras.’

Virgínia é uma mulher Olímpica, afinal ela dissemina os valores Olímpicos e Paraolímpicos, como por exemplo a igualdade, amizade, respeito entre as comunidades que mais precisam desse auxílio.

Laís Vitória Cunha de Aguiar.