Exilado Olímpico

Juca Ferreira.

O atual ministro da cultura, Juca, estava saindo, e eu tinha certeza de que precisava correr para alcançá-lo e conseguir minha tão almejada entrevista.

No meio de toda bela bagunça dos movimentos sociais presentes no local, subi as escadas e corri em direção a ele.

Para minha sorte, ia caminhando calmamente, como se o mundo estivesse a sua espera.

‘Com licença, eu poderia fazer uma entrevista bem rápida com o senhor?’

Ele prontamente aceitou, sendo que sua única objeção foi que continuássemos andando.

Sempre me surpreendo com a beleza única presente nas histórias de cada um, e nesse caso não foi diferente.

Em plena ditadura, mais um jovem decidia exercer seu papel de cidadão protagonista da história brasileira, ou seja, começava a participar do movimento estudantil.

Na época isso era altamente repreensivo, pois os militares não desejavam que os jovens se reunissem para pensar, e muito menos sobre o futuro, afinal queriam acreditar que o futuro os pertencia.

Esse mesmo estudante foi eleito Presidente da União Brasileira do Estudante Secundário, por acaso no mesmo dia em que o Ato 5 (acabou com a liberdade artística) passou a vigorar no Brasil.

Em um país sem liberdades individuais, em que não se podia nem ao menos dizer o que se pensava do governo sem ir à prisão, muitos dos jovens que lutavam contra isso foram mortos ou desapareceram.

Um dos jovens presos foi Juca, nosso atual ministro da cultura, que passou parte da juventude, dos vinte aos trinta e pouco, entre a prisão e exílio.

Depois voltou, mas jurou a si mesmo que nunca mais faria política. O destino, porém, tinha outras ideias. Como sentiu que seus ideais estavam representados no Partido Verde, decidiu se filiar.

Gilberto Gil, grande compositor e músico brasileiro, chamou o Juca para participar do Ministério da Cultura, e, depois de aceitar, está até hoje participando ativamente das atividades ministeriais e culturais brasileiras.

Laís Vitória Cunha de Aguiar.

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