“As 24 horas Milionárias” — 13

Observação: Texto não recomendado para menores de 18.
Cada personagem e história apresentados aqui, são reais. Qualquer incômodo psicológico gerado na leitura e reflexão deste texto é por sua conta e risco.
“13” é um projeto do canal “Virando o Jogo” onde vivencio e documento um dia completo ao lado de 13 pessoas com padrões sociais excêntricos, com a finalidade de reflexão, ampliação do nível de consciência e compreensão da natureza humana.

Quem: Tiago, 36 anos, Empresário em Minas Gerais. Em visita a uma grande empresa que deseja propor parcerias de negócio.
Onde: Hotel Sheraton Barra, Rio de Janeiro.
Quando: Dia anterior à reunião. 2015.

08h43 — “Em ninho de cascaveis”

Acordo devido a claridade, ao meu lado, 2 garotas ainda dormem cansadas de uma noite que com certeza renderá para hoje, fortes dores de cabeça. Me recordo do nome de apenas uma, pois tristes histórias me endureceram e me fizeram enxergar a vida através de uma perspectiva que não me abre muito espaço para afeições. Sou racional demais, e somente meu filho tem o poder de desacelerar meu coração. Hoje, consigo afirmar que 90% do meu esforço é por ele.

Sentado em uma cadeira, lendo jornal no canto da suíte, temos um quarto elemento, que sempre contrato para vigiar minha noite. Somente assim tenho coragem de dormir em paz ao lado de garotas que nunca vi. 
Este é o preço que pago para me sentir um pouco mais humano.

Durmo abraçado com elas, enquanto sou escoltado por um vigia armado.

Tenho medo de ser assassinado ou furtado. 
Tenho medo de que estas garotas estejam metidas em planos de concorrentes para derrubar a mim ou a minha empresa.
Tenho medo que tentem qualquer estratégia para engravidar.

Hoje me defendo de todas as maneiras possíveis, porque poucos fazem ideia do que ocorre quando atingimos uma certa paz, que nos dá coragem de sermos quem realmente somos, e que nos faz emanar essa energia que exala um cheiro que atrai os piores tipos de vampiros.

Me levanto.

Hoje é Quarta-Feira. E para render bem o dia, acordo ingerindo um forte termogênico receitado pelo meu médico, seguido de academia de hotel e café da manhã reforçado. Toda essa preparação me faz parar e pensar que há 10 anos, a única força motivadora que me despertava desta “sensação de morte” provinda da noite anterior, vinha de uma considerável carreira de pó. 
Vejo o quanto evoluí.

Até meus 27 anos, poderia ter trabalhado 8 horas por dia, mas preferi trabalhar 14. Uma máquina. Conquistei uma estrutura tão sustentável, tão confiável, que hoje, recebo toda manhã uma mensagem de meu confiável representante, composta da seguinte forma: “97,6% 350 !” — Onde “97,6%” é o nível de receita obtida comparada ao dia anterior, “350” número de vendas geradas no dia, e a “!” ocorre quando necessitam da minha intervenção presencial. Essa é a minha participação em 2016, situação que me proporcionou ter um pró-labore próximo dos R$ 70.000,00/mês.

13h20 — “Carisma Teatral”

Tenho uma secretária. Acompanhante de reuniões como essa que farei aqui no Rio de Janeiro. Faço questão de hospedá-la longe do meu hotel, para que não tenha contato com situações originadas de minha vida pessoal, que dificilmente seria entendida por quem não a vive, ou que não tenha passado pelo que passei, vida que justifica qualquer ação que eu tome.

Ela é responsável por analisar o perfil dos clientes que visito, certificando que as cores de minha roupa, preferência de locais, assuntos não profissionais, estejam todos alinhados e direcionados à resposta que precisamos: SIM!
E neste instante, acabam de me informar por telefone que minha roupa chegou e já está subindo aqui para a suíte.

Todas as reuniões são iguais! Preciso ser o que mais fala, o que tem a voz mais firme, o que demostra menos medo, o especialista do conhecimento em pauta, o que consegue buscar a todo momento, assuntos nos quais façam o cliente preferir ouvir do que falar, e principalmente alegrá-los, de tal forma que cheguem em suas casas achando que suas vidas farão mais sentido agora com a minha presença, que as melhores energias saem e retornam à mim e que eles precisam disso, inconscientemente.

Gostaria de ter aprendido aos meus 17 anos idade essa simplicidade de tratar e conduzir a vida. Mas já passou e o momento é agora!

18h12 — “Distorção máxima da Realidade”

Final da tarde, fora de minha cidade confesso, vivo tão rápido que começo a ter problemas de tédio, por já ter experimentado de tudo que meu dinheiro suporta e que minha mente conseguiu imaginar. PRECISO DE MAIS.

Como tenho amigos que passam pelo mesmo problema, adotamos uma brincadeira que desperta um certo frio na barriga e me faz deitar na cama achando que vivi uma nova experiência, e claro, que não desperdicei aquele dia (meu SAGRADO tempo de vida).

A brincadeira chama “CENA”. (Bem conhecida na alta sociedade
Consiste em receber por Whatsapp, uma história aleatória criada pelo seu amigo e tentar vivê-la na prática (da exata forma descrita). Será o que farei hoje para descontrair.

CENA possui 5 regras claras:
1) Proibido incluir ilegalidades.
2) Proibido ser algo de potencial repercussão na mídia associado à minha imagem ou empresa.
3) Proibido incluir atos sexuais ou algo nocivo ao corpo.
4) Proibido ultrapassar o orçamento máximo de R$ 5.000,00.
5) Proibido recusar de viver a história, uma vez solicitada ao amigo.

E esta será a história que devo viver nesta noite:

Tiago, pegando leve devido a tua reunião amanhã. Segura essa. Hoje você veste roupa simples, pega um táxi, pede para ele seguir reto, quando der 12 reais a corrida, você pede pra descer e entra em algum estabelecimento do quarteirão que esteja aberto neste horário. Dentro dele, você terá que consumir R$5mil não importa o que ele vender.

Hoje pegaram muito leve mesmo, e olha que nem falei que uma pessoa está acompanhando e documentando o meu dia. Agora é torcer para que eu não encontre ali, um McDonalds.

FIM.


Pj: Como acha que irá morrer?
Tiago: Ataque cardíaco, com certeza. Experimentando a sensação de alguma experiência tão forte que eu não dê conta do recado e blau! Caixão.

Pj: Um recado para quem está lendo:
Tiago: Percebam que em todo o meu dia, puxei o cartão de crédito apenas uma vez. Pagando caríssimo por “confiança” (ao vigia). Todos que atingirem a velocidade de vida na qual me encontro serão afetados pela regra da inversão máxima de valores. TODOS! Independente do estilo de vida.

“A grana sempre nos corromperá. O que nos resta é viver de uma vez só.”
Luxo — Dalsin < Escute lendo a letra na descrição do Youtube.

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