Escrever

Arranjei um teclado novo e ele é tão gostoso de escrever que eu querro simplesmente sair digitando. Com tecladas fortes seguindo (mais ou menos) o ritmo das músicas que tocam de fundo. Quase uma dança de dedos ritmada que produz mais ou menos alguma coisa que parece plausível, mas que não é necessariamente…

Paro pra pensar em algo que rime com plausível pra terminar a estrofe num som legal. Tiro as mão do teclado, coço o nariz, cruzo a perna, coço o pé que pelo jeito acabou de levar uma picada de pernilongo e penso “Por que eu to querendo rimar? Isso daqui é uma poesia ou é só loucura minha?” Coço mais o pé e continuo escrevendo. “Queria ter colocado ali fantasia” (acabei de ouvir Endless Fantasy do Anamanaguchi) “Pois ai até poderia rimar, mas o que é que isso tem a ver com qualquer coisa?”

Eu não sei. Não sei nem o que eu to fazendo. A música repete e eu to com preguiça de colocar alguma coisa diferente pra tocar. Dou uns skips e ta tudo bem. Paro de novo. Coço o rosto, o braço, as costas. Lamento o fato de que o coçador de costas que tinha aqui em casa simplesmente desapareceu. Alguns pensamentos sobre seu paradeiro passam rapidamente pela minha cabeça mas eles são tão desconexos que nem vale a pena falar aqui.

Paro mais outra vez. Estralo os dedos das mão, mas não todos, pois a vontade de continuar digitando é maior do que a vontade de estralar os dedos. Que saudade que eu tinha de escrever letras no papel (ta mais pra colocar teclas na tela, na real) mesmo que sem sentido ou sem nenhum propósito, mesmo que só pra mim mesmo ou então pra algum maluco que vai ler isso aqui (oi).

Eu sei que é bom. Eu sei que eu gosto. Eu sei que eu não tenho feito o bastante. Sempre tive vontade de escrever um diário, mas todas as vezes que tento, escrevo por alguns dias e simplesmente desisto, canso. Mas sempre tento outra vez pois sei que me faz muito bem. Tem coisas que só saem de dentro de mim na forma de escrita, e se eu não escrevo, simplesmente acumula.

Veneno que acumula dentro de você faz mal, mas eu não tenho muito como colocar pra fora, sabe? Não tenho muito com quem conversar, sabe? Eu tenho uns bons amigos(coisa que eu felizmente posso dizer agora, mas que a algum tempo atrás eu acho que não rolava), mas mesmo assim, eles não estão sempre disponíveis e nem sempre dispostos, ou pelo menos eu acho isso, então acaba sempre ficando tudo guardado e juntando e aaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Que saudades das minhas poesias. Que saudades dos meus textos longos. Que saudades de deliberar sobre um assunto completamente paralelo no meio de um texto só por que minha cabeça foi lá longe seguindo um pensamento alheio e depois dar um jeito de remendar ele na trama do texto de forma que fique mais ou menos alguma coisa que pareça descente.

Que saudade de escrever.

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