Palácio da Memória Simplificado

Apresentação.
Olá, pessoal. Meu nome é Ariel e eu tenho uma memória horrível. Se você me perguntar o que eu comi ontem você vai ver a minha cara de paisagem tentando lembrar. Eu vou conseguir, mas deve demorar alguns segundos. Então, não pergunte.

Você pode (deveria) estar se perguntando “Como que esse maluco que não lembra de nada está escrevendo sobre memória?”. Boa pergunta. 
Na verdade, por eu ter uma memória ruim eu comecei a pesquisar sobre ela. Não sou um expert e nem sei usar termos neurológicos bonitos, mas aprendi algumas dicas práticas. E a minha favorita é o Palácio da Memória.

O que é o Palácio da Memória?
Não vou entrar muito nos detalhes históricos do Palácio da Memória, mas para quem estiver interessado, segue o link.
O Palácio da Memória é uma técnica de memória que usa o que a nossa mente mais gosta: imagens e associações. As nossas memórias são formadas através de conexões. E quanto mais absurdas forem essas conexões, mais elas serão lembradas.
Quer ver um exemplo? O que te marcaria mais: uma batida de carro a metros de você ou um carro seguindo o fluxo do trânsito? Imagino que seja a batida de carro.

Tipo essa batida

E esse exagero acaba sendo uma das melhores dicas para se lembrar de algo: torne a memória exagerada. Lembre-se disso porque usaremos no Palácio.

Agora vamos lá, acredito que se eu pedisse pra você descrever o interior da sua casa, você conseguiria, pelo menos, dizer quantos são os cômodos e alguns dos principais móveis neles. Então, sua casa será seu primeiro Palácio da Memória e os móveis serão os loci (“lugares” em latim — objetos em que associaremos a nova memória).

Para fazer o seu Palácio da Memória você precisará imaginar um percurso pela sua casa e irá focar em alguns objetos no caminho. Esses objetos (loci) serão associados à memória que você quer lembrar.

Criando um Palácio da Memória.

Vamos criar um palácio para você ver na prática como funciona.
Vamos usar a sua cozinha. Nós temos praticamente os mesmos itens em nossas casas. Então acredito que na sua cozinha tenha uma geladeira, um fogão, um armário, uma pia e um microondas.
Você terá que adaptar esses itens à sua cozinha. Se você não tiver algum deles, substitua.

É importante também que você mantenha uma ordem ao imaginar o percurso. Eu uso uso o sentido horário. Então, ao entra na cozinha, eu visualizo os objetos começando pela esquerda e seguindo no sentido horário, voltando para o início. Mas você pode fazer do jeito que quiser.

Palácio
Usaremos os seguintes loci:
(na ordem da minha cozinha).
1 — Armário.
2 — Pia.
3 — Fogão.
4 — Geladeira.
5 — Microondas.
Agora vamos dizer que você tenha que ir ao mercado para comprar 5 coisas. Elas são:
1 — Leite.
2 — Ovos.
3 — Fermento.
4 — Açúcar.
5 — Manteiga.

Você está com o seu percurso pelo Palácio pronto?
Então…

O primeiro locus (loci no singular) do Palácio é o armário de cozinha e o primeiro item pra comprar é leite. Você pode se imaginar abrindo o armário e ele começa a jorrar muito leite, a ponto de inundar a cozinha. Tente imaginar o cheiro e a consistência do leite.
O segundo locus é a pia e o segundo item são os ovos. Imagine-se andando do armário, cheio de leite, para a pia. Ela está cheia de ovos. Então você, sem motivo algum, começa a socá-los. Você sente seu punho esmagar eles. A pia fica cheia de gema de ovo.
O terceiro locus é o fogão e o terceiro item é o fermento. Imagine você andando da pia para o fogão. Você tira o fermento do bolso e joga no fogão. O fogão começa a crescer, bate no teto e quebra ele! Então começa a cair pedaços do teto na sua cabeça. 
O quarto locus é a geladeira e o quarto item é a açúcar. Imagine-se andando do fogão, enquanto limpa a sua cabeça, para a geladeira. Quando você abre ela começa a sair muita açúcar. Começa a tapar seus pés, depois joelhos, então, o pescoço.
O quinto locus é o microondas e o quinto item é a manteiga. Imagine-se esforçando para se mexer e abrir o microondas. Você consegue! Quando você abre toda a açúcar é sugada para dentro dele e some. Logo após ela sumir começa a sair manteiga descontroladamente dele. Ela inunda a cozinha toda. E você escorrega e cai no chão.
O fim.

Essa itens devem ficar na sua mente por um bom tempo de tão absurdos que são.

Sentir.
Você reparou que em algumas partes eu falei para você sentir? Quanto mais real for a imaginação, melhor. Então sempre tente reproduzir mentalmente as sensações de toque, olfato e até sentimentos. Quanto mais reais mais memoráveis serão.

O Palácio da Memória serve pra memorizar o quê?
Você deve ter percebido que o Palácio da Memória depende basicamente da imaginação. Então tudo que você conseguir converter em objetos, pessoas ou símbolos será possível memorizar.
Memorizar informações abstratas como números, cores, meses, é mais difícil. Para memorizá-los será necessário convertê-los em algo tangível. Por exemplo, ao invés de imaginar o número 1 num locus imagine um sabre de luz, ou uma lança. Algo que lembre o número 1. Claro que nem todos números são fáceis, nessas ocasiões será necessário se esforçar um pouco. O que te lembra o número 2? Os super-gêmeos? Um cisne? Aquilo que você faz no banheiro? Esse link tem uma imagem demonstrando como é feito normalmente.

“Muito legal esse negócio todo, mas cara, fazer um Palácio demora muito!”
Eu sei! No início demora mesmo. Não vou mentir. Demora! Mas o treino torna a associação bem mais rápida. Eu ainda tenho muito a melhorar. E a parte positiva é que você pode treinar em qualquer lugar: andando na rua, no ônibus, no vazo…

Tem que revisar o conteúdo?
Tem sim. Não ache que não terá que revisar as informações. No início da associação dos loci, lembrá-los será um pouco difícil. Não será rápido. Quanto mais você percorrer o Palácio mais rápido será a lembrança. A Curva do Esquecimento se aplica ao Palácio também.

Conclusão.
As possibilidades são infinitas. Tudo depende da sua imaginação e da sua disposição em treinar.
Lembre-se que você pode criar um Palácio para tudo, como eventos no calendário (eu tenho um), tarefas, lembrete rápidos, matérias da faculdade (principalmente as divisíveis em tópicos), etc.

Se você quiser se aprofundar nessa poderosa ferramenta há diversas dicas no site Art of Memory. Se você não lê em inglês, não deixe isso te atrapalhar. O Google traduz as páginas. Pode não ser a melhor coisa do mundo, mas é o suficiente para entender. Tudo que você precisar estará lá. De graça.

Abraços.