Largados E Pelados

Largados e Pelados — A Tribo

Existe um programa de televisão do Discovery Channel chamado “Largados E Pelados”, que consiste em um casal (i.e. um homem e uma mulher [aos desavisados]), que é escolhido dentre inúmeros pretendentes e que devem ter algumas habilidades básicas para serem testados por “especialistas” em sobrevivência.

Depois de selecionado o casal participante, eles devem ir para um local natural, pelados, levando apenas uma bolsa com um mapa e algum item de sobrevivência escolhido por cada um (panela, linha de pesca, facão, pederneira, entre outros). O objetivo do programa é que estes desafiantes agüentem ficar 21 dias, vivendo nus em um nicho afastado da civilização.

Kit de Sobrevivência “Moderno”

A parte mais importante deste programa não são muito as aventuras, desafios, dramas, ou sucessos deles; mas as inúmeras mensagens e poderes imaginativos condicionais que ele fornece da nossa Humanidade e suas limitações, dos nossos propósitos, das nossas dependências, e de como perdemos o foco da nossa existência e dos sentidos que as coisas tinham e o quanto estes foram esvaziados hoje em dia.

A situação a qual é exposta o casal de protagonistas, remete às possíveis origens de nossos antepassados mais primitivos, que aparentemente eram nômades pela imperícia e desconhecimento em gerar os próprios recursos e condições básicas de sobrevivência, e que por isso precisaram passar inúmeras eras e gerações humanas vagando para novos lugares e explorando novos recursos (quando os dos provisórios assentamentos se esgotavam) até — após incontáveis experiências e aprendizados rústicos empíricos sendo transmitidos — conseguirem conhecer, entender e aprimorar técnicas que pudessem gerar esta autossuficiência (agricultura, pecuária, caça e pesca melhores desenvolvidas, construções habitacionais mais resistentes contra intempéries e mais seguras contra animais, conhecimentos culinários daquilo que pode ser consumido contra o que não pode, entre outros saberes fundamentais para a fixação em um local).

Povos Nômades — Assentamentos Primitivos

Como já dito, o casal que vai para o desafio alega já ter um certo conhecimento sobre técnicas de sobrevivência (que é avaliado por “especialistas” do programa) e, mesmo que não tenham, podem consultar livros, vídeos, aulas, palestras e diversas fontes de informação do que podem e não podem comer, de como podem fazer construções básicas, de como usarem alguns métodos com recursos naturais que podem ser executados, e diversos outros assuntos pertinentes àquela aventura até se chegar o dia do desafio (e lembrando que podem levar um utensílio e portam consigo um mapa).

É naquela situação que vemos o quanto somos completamente frágeis aos desafios da natureza e da vida, sem os confortos desenvolvidos em eras da Humanidade, e o quanto somos completamente inaptos em viver sem os recursos básicos e facilidades tecnológicas que, ao mesmo tempo que nos gabamos e nos orgulhamos do quanto nos desenvolvemos (até rindo de nossos antepassados pelas suas formas, técnicas e utensílios pitorescos), vemos o quanto somos inferiores no desafio de sobreviver.

O filósofo conservador Richard M. Weaver, de forma bastante pertinente, elabora o malefício que é esta ilusão do culto obsessivo ao conforto — bem como à ciência, à tecnologia, ao materialismo, à modernidade e ao mundo, como se fossem virtudes por si só — , que acomete, degrada e subjuga o homem contemporâneo:

“O culto ao conforto, portanto, é apenas mais um aspecto da nossa vontade de vivermos completamente imersos neste mundo. Não obstante, aqui o homem se depara com uma anomalia: a própria decisão de viver completamente imerso neste mundo, de não manter nenhuma relação com aquele outro mundo que não pode ser “provado”, faz com que ele volte toda a sua atenção para as coisas transitórias e, assim, diminui sua eficácia. Podemos ficar satisfeitos com a nossa condenação a não produzirmos grandes obras de arte ou por não praticarmos nenhum rito, mas e se alguém demonstrar que o apego ao conforto nos incapacita para a sobrevivência? Essa história não é nova: o destino do animal gordo e frouxo surpreendido pelo animal magro e faminto nos apresenta a alegoria de uma experiência familiar. Tampouco é necessário recapitular os dias da degeneração romana, embora o exemplo seja apropriado. Antes, examinemos o problema em sua essência e perguntemos se o culto ao conforto não resulta necessariamente da perda da crença nas idéias e se ele, por causa disso, não conduz à desmoralização da sociedade. O fato de o culto ao conforto ter sua origem na classe média, com aqueles que queriam ser moderados até mesmo na virtude, é importante, como disse Nietzsche. Um povo, depois de repudiar os ideais, reage às necessidades dos apetites como um animal reage a uma ferroada, mas isso, pelas razões já assinaladas, não é suficiente para substituir o trabalho sistemático como aspiração suprapessoal. Quando um povo se torna pragmático, também se torna ineficaz”.
Richard M. Weaver

Se nós retirarmos as conseqüências finais de nossos progressos científicos e tecnológicos prontos que temos atualmente (herdados através de vastas correntes de conhecimento que foram oriundas naquilo que todos que já passaram por aqui conheceram, experimentaram, fizeram e passaram adiante), estamos cada vez mais incapazes até de produzir o mais simples e o mais primitivo das ferramentas, técnicas, construções, facilidades, desenvolvimentos e demais culturas primitivas que eles tinham. Às vezes tão primitivo que achamos graça quando olhamos em museu ao deparar com o atraso da ferramentas passadas.

Dependência do Conforto

Vemos que aqui entre nós, o progresso e desenvolvimento não é uma hierarquia como imaginamos — como acontece em jogos de RPG ou em videogames com personagens que evoluem — , em que a similaridade está quando se começa bem simples, primitivo e incapaz, e vai se ganhando aprendizado, tecnologias e melhores equipamentos e recursos, aumentando assim as nossas capacidades; porém as semelhanças terminam aqui. Nos jogos de RPG e de videogames se tirarmos todas as nossas tecnologias e objetos de última geração, os personagens conseguem se virar bem sem eles, e voltando a evoluir da estaca zero, com desenvoltura; já no mundo real, se tirarmos tudo que conquistamos por milênios de existência até o que temos hoje, poderá ser a nossa última desolação.

Evolução no RPG

E uma das maiores características presentes nos humanos, a fé, está cada vez mais sendo relaxada; estamos colocando o mundo na frente de Deus; e um dos maiores legados da (e para a) Civilização Ocidental foi o Cristianismo que conseguiu erguer todas as bases morais, civilizacionais e institucionais que temos e gozamos hoje em dia, de uma verdade metafísica revelada pelo próprio Deus — o evento mais importante da Humanidade que marcou até o nosso calendário e Era por mais de dois milênios — , que é útil tanto para os fiéis quanto para os descrentes que ali convivem. Como bem aguçadamente observa esta importância civilizacional e sobre as virtudes e o caráter individual humano — benéfico a todos — , o filósofo e cientista político francês, Alexis de Tocqueville:

“Em épocas de fé, o fim último da vida está além dela. Os homens dessas épocas, portanto, de modo natural e quase involuntário, acostumam-se a fixar seu olhar em algum objeto imóvel durante vários anos e constantemente dirigem seus passos em direção a ele; e eles aprendem, a passos imperceptíveis, a reprimir um sem número de desejos insignificantes e efêmeros a fim de se tornarem mais capazes de satisfazer o grande e duradouro desejo que deles toma conta… Isso explica por que as nações religiosas muitas vezes alcançaram resultados tão duradouros, pois enquanto pensavam apenas no outro mundo, descobriam o grande segredo do êxito neste mundo”.
Alexis de Tocqueville
Cristianismo e Civilização Ocidental

Voltando as atenções para o “reality show” do “Largados e Pelados”, as dificuldades do casal moderno residem em primeiro lugar nas suas inabilidades de se alimentarem; no programa eles não conseguiam caçar ou pescar com freqüência; não sabiam de que frutos, vegetação ou árvores podiam desfrutar como alimento; e em todos os programas, sejam vitoriosos (que ficaram 21 dias) ou derrotados, todos os participantes perderam muitos quilogramas (alguns passando de dez quilogramas perdidos). Nunca mataram um animal grande ou alguma ave; passaram sobrevivendo de répteis, insetos, caranguejos, alguns frutos e, quando tinham mais êxito, de peixes e de tartarugas; geralmente passavam dias sem comer. Se aquilo fosse uma realidade permanente — e não apenas 3 semanas — , certamente todos morreriam de desnutrição.

Depois observamos coisas básicas que eles eram incapazes de realizar com destreza, como acender um fogo (teve programas que mesmo tendo aprendido a técnica antes, os integrantes levaram dias sem conseguir acender um simples fogo; e às vezes o período inteiro sem provocar um fogo); ou como achar um local de acampar adequado; ou como construir uma habitação decente e resistente contra o clima e as ameaças de animais; ou como localizar água potável; ou como usar o mapa (que indicava inclusive onde tinha água) e se localizar pelo sol; ou como fazer curativos ou evitar mosquitos com produtos naturais.

O Fogo: Domínio Perdido

Outro fator extremamente instável era o psicológico, em que freqüentemente entravam em desespero, depressão, ansiedade, agonia, desentendimentos, ou discussão com o companheiro; sendo este um dos fatores que mais faz os participantes do programa desistirem. Muitos ficavam em locais paradisíacos, mas se sentiam como se estivessem numa prisão porque não tinham comida, nem roupa, nem conforto, nem remédio, nem abrigo e nem seus entes queridos.

Outro fator que se deve destacar é o médico, onde qualquer corte, subnutrição, insolação, hipoglicemia, disenteria, infecção e demais problemas de saúde corriqueiros, eles chamavam um médico (ou seja: pediam um arrego à civilização no seu estado final atual), pois eram completamente desqualificados para suportarem estes reveses e de saberem como se tratarem ou como se curarem.

Diante disso analisemos agora as primeiras tribos nômades, antes de formarem as primeiras cidades e darem início às grandes civilizações, que estavam em condições bem mais difíceis que estes participantes do programa: não havia uma linguagem bem desenvolvida, não havia escrita, não havia forma de consultar as diversas técnicas sofisticadas e incontáveis conhecimentos disponíveis (antes do programa), não havia um conhecimento amplo da natureza global (dos variados tipos de espécies de animais e plantas existentes, dos fenômenos da natureza [tempestades, trovões, incêndios, neve, monções, furacões, vulcões, terremotos e demais eventos que atribuíam a eles, as suas primitivas explicações], das geografias, das hidrografias, dos limites territoriais, e das formas de gerar e dominar alguns elementos do mundo físico), não tinham mapas, não podiam carregar utensílios industrializados úteis, não podiam pedir ajuda médica quando doentes, e não podiam sair do programa quando estivessem tristes ou com saudades: o “programa” era as suas vidas, as suas únicas realidades, as suas existências e não uma limitada aventura de 21 dias.

Estilo de Vida dos Primeiros Povoamentos

Primeiramente, nossos bravos antepassados tinham que, sem a proteção de uma produção televisiva — submetida a um código de leis que prevê problemas legais sérios se eles morrerem — , viver nestes ambientes por todas as suas vidas.

Eles tinham que aprender a caçar, pescar e saber o que comer, na quantidade adequada ao grupo; o fracasso significava a morte e não uma eliminação.

Ao aprender a fazer isso deveriam ter a capacidade de aprimorar e ensinar aos membros mais novos tudo de mais primordial que sabiam; sendo que o desafio de ir à caça era uma atitude tipicamente e naturalmente masculina (dada a sua força, tamanho e qualidades combativas agressivas); às mulheres deveria ficar o cuidado do acampamento, da comida adquirida, da coleta dos frutos que já sabiam o que podiam comer, do cuidado das crianças e bebês e talvez da pesca ribeirinha ou de caça menor, mais branda e próxima da casa (além é óbvio de afazeres de melhoramento das habitações, produção de artesanatos, utensílios, roupas, calçados e culinária).

Eles deveriam ser capazes de construir suas moradias e acampamentos resistentes a todas as provações do clima, do ambiente em torno, dos animais agressivos (e ainda poder se defenderem dos ataques destes animais) e de demais tribos hostis que os desafiassem.

Por eras, provavelmente deve ter tido inúmeras lutas, guerras, massacres, extermínios, dominações e escravizações…

(E vem este pessoal que acha que a escravidão só se deu no Brasil — e apenas com os negros — , me falar “dívida histórica”… Faça então o favor de rastrear os primórdios desta “dívida” nestas épocas aqui, para se fazer a tal imbecilidade de “justiça histórica” corretamente, tá certo?)

Eles tinham que aprender — com a experiência de tentativa e erros, sucessos e fracassos — a descobrir remédios e tratamentos médicos que pudessem curar seus doentes e feridos, das causas comuns de moléstias, patologias, acidentes e ferimentos que os acometiam, no intuito de poderem crescer, se desenvolver e chegar à fase adulta; e desta forma terem filhos e cuidarem deles até estes se tornarem independentes ou adultos; e com isso poderem transmitir por gestos ou já algumas palavras, os seus conhecimentos às novas gerações.

As mulheres tinham que poder ter a capacidade de engravidar (sem acompanhamento médico); darem à luz, no meio da natureza, os seus bebês (sem anestesia, médicos ou instrumentos e técnicas adequadas); e sobreviverem numa taxa tal (mães e bebês) que as proles e continuidades humanas pudessem ter prosseguimento até chegar a nós.

Eles tinham que aprender a fabricar seus próprios utensílios, ferramentas, roupas, medicamentos, com os elementos da natureza (sem indústria, comércio, ou oficinas).

E com todas estas dificuldades e desafios, este pessoal sobreviveu e estamos aqui; obrigado!

Cidade Primitiva de Hasankeyf — Turquia

[Detalhe interessante: Esta natural e normal distribuição de atividades entre os sexos que ocorreu nos nossos antepassados — por motivos morfológicos, psicológicos, adaptativos, circunstanciais, biológicos, lógicos e sociais — , permanece praticamente invariável e parecida nos programas quando submetem homens e mulheres a tais condições.

Os homens geralmente desbravando, tendo que conseguir as caças e pescas mais difíceis, cortando madeiras mais grossas, escalando os locais mais inóspitos antes das companheiras, entre outras coisas mais vigorosas e audaciosas; e as mulheres (até as mais progressivas e independentes) atuando mais localmente, coletando galhos mais finos, realizando pequenas caças (muitas vezes com armadilhas) e pescas, fazendo vestuários com folhas, se encarregando mais do preparo do alimento, entre outras atividades similares, não saindo muito das cercanias do abrigo (como os homens), e fundamentalmente com comportamentos mais defensivos e caseiros.

E isto sem combinação explícita entre eles.

Tal comportamento social e divisão de tarefas entre homens e mulheres, fica claramente mais evidenciado no programa “Largados e Pelados: A Tribo”, onde eles juntam 12 participantes de programas passados, que formam 4 grupos de 3 pessoas, espalhados em 4 regiões próximas (com alguns quilômetros de distância entre os grupos), e que depois de alguns dias eles vão se encontrando e se unindo, e nesta tribo de fato que se forma, com vários homens e mulheres, esta divisão natural de papéis vai normalmente se desenhando. Não à toa que quase em qualquer civilização humana — separadas por eras ou centenas de quilômetros umas das outras — estes papéis se mostram divididos de formas similares, com gostos, aptidões e posturas sociais também similares entre os sexos.

Mas tem gente que gosta de acreditar em ideologias estúpidas como aquelas que dizem que são as “sociedades” (que são derivadas das pessoas que as criam) que construíram isso nas pessoas; chamando tudo que ocorreu de forma natural e logicamente normal — numa ordem inversão boçal — de “construção social”.]

Homens e Mulheres: Diferenças e Similaridades Universais e Naturais Históricas

Para estas pessoas de eras passadas, os valores existenciais e propositais humanos atingiam os níveis máximos de suas origens e conexões com a realidade.

O trabalho, o esforço, o êxito, a cooperação, a solidariedade, a competência e o desenvolvimento tinham os seus sensos bíblicos para o homem, num completo significado de necessidade e obrigação de existência: Se não construir sua casa, dorme ao relento. Se não conseguir caçar ou pescar, não come. Se não achar água, não bebe. Se não ascender fogo, dorme com frio ou come comida crua. Se não descobrir como se curar da doença, morre. Se não souber como se reproduzir e garantir a vida das mães e bebês, se extinguem. Se não conseguir se defender de ataques hostis de animais ou de outras tribos; são exterminados.

Não havia espaço para egoísmo, vitimismo, mimo, desinteresse, depressão, preguiça, irresponsabilidade ou exploração do esforço alheio: caso ocorresse isso poderia acarretar a extinção da tribo. Se alguém importante estivesse doente e a caça fosse realizada sem ele pelos outros homens, poderia significar a morte de todos os caçadores e alimento para ninguém; mesmo o homem doente possivelmente sabia disso, sabia que mesmo naquelas condições seria mais prudente fazer um esforço hercúleo e ajudar na sua tarefa que ficar deitado. Talvez só em condições incapacitantes que o homem, ou a mulher, se davam o “luxo” de não cumprirem os seus deveres.

Hoje, com todas as facilidades geradas por estas bravas gentes do nosso passado humano e que foram alicerces para nós estarmos aqui, com toda esta frivolidade, conforto, conhecimento e tecnologia, os significados, fins e representações das coisas parecem ter mudado bastante.

As pessoas agora acham que trabalho é pejorativo, ou um obstáculo indesejável, ou algo acessório que deve ser maximamente concentrado em especializações (que cada vez mais impedem a visualização do todo e das máximas habilidades e generalidades humanas). As pessoas ficam querendo, nas relações de trabalhos modernas, apenas um emprego e os diversos benefícios que dele advêm, sempre visando o menor esforço possível com os máximos ganhos. As pessoas pensam que a comida deve ser fácil ou obrigatoriamente fornecida por outrem quando não se tem. As pessoas pensam que têm direito a tudo oriundo de terceiros, sem que retenham nenhuma obrigação com ninguém, ou a mínima retribuição, para com eles. As pessoas consideram que são evoluídos e são melhores que tudo, porém em estados extremos (que podem ser oriundos de guerras, hecatombes naturais ou humanas, desastres da natureza, ou demais adversidades grandiosas), em que apenas falte uma internet ou pior: que o sistema elétrico seja derrubado por longos períodos de tempo, e que acabe nos jogando em tempos antigos (sem fábricas, hospitais, supermercados, remédios, indústrias, combustíveis, leis, poderes policiais e demais benesses que possuímos, mas que nem idéia temos de como surgiram e como eram as suas origens). Em uma situação de retorno ao primitivismo, perigaríamos sofrer uma diminuição trágica populacional, ou até uma extinção em massa; dada a nossa imperícia, ignorância e arrogância para com os nossos progenitores históricos.

Relações de Trabalho: Tempos Modernos

Zombamos de nossas civilizações passadas, mas quando retiramos tudo que temos hoje desenvolvido a partir dos conhecimentos e legados primitivos deles; vemos o quanto somos vulneráveis, covardes, fracos e até inúteis. E ao mesmo tempo, percebemos nitidamente o quanto eles eram sagazes, corajosos, fortes e extremamente aptos.

Podemos ter eletricidade, hospitais e smartphones; mas se perdermos tudo isso por alguns meses, não somos nada. Os ascendentes remotos de nossos avós, conseguiram viver eras — e muito bem — sem isso.

É patético pensar, que com todo o nosso conhecimento, soberba, ciência e tecnologia, se competíssemos com nossos ancestrais nômades numa prova de sobrevivência de 21 dias no “Largados e Pelados”, se conseguíssemos chegar ao final, estaríamos famintos, magros, desidratados, doentes e desanimados; enquanto eles, poderiam sair dali mais gordos e quem sabe até, convencidos que ali seria um bom local novo para se mudarem e morarem indefinidamente…