O Ódio Que Cega A Verdade

O ódio cega tanto que, por ele, é preferível, para um odioso convicto, acreditar numa mentira que sustente o seu ódio contra a pessoa odiada do que acatar as inúmeras verdades que emanam dela e que venham a abonar o alvo da sanha de tanta hidrofobia.
O ódio dos odientos que odeiam alguém é tão opaco que, mesmo quando é por este desnudada uma realidade abominável e desconhecida de todos, aqueles optam por perscrutar mais alguma imprecisão dos detalhes ditos do que no corpo geral da informação trazida à tona pelo odiado e que ninguém sabia.
O ódio é um vício e o ódio cego uma patologia. Aristóteles dizia que todos os vícios são extremos: ou de carência ou de excesso do mesmo material virtuoso; já as virtudes estão no ponto médio entre os vícios. Elas estão nas medianias. Posso considerar que o ódio é uma carência de amor; o oposto a ele deve ser um outro vício, de um excesso de amor. Considero que este excesso vá da obsessão à idolatria; e a idolatria cega é uma doença humana de adoração desmedida a algo ou a alguém, tidos por infalíveis e que, para defender esta impossibilidade, se é capaz de se fazer de tudo o possível.

“O ódio ao ser humano nasce quando alguém, desprovido de conhecimento suficiente ou habilidade, deposita irrestrita e ampla confiança em alguém, acreditando ser essa pessoa inteiramente sincera, íntegra e confiável e, depois, descobre que é vil e falsa. Posteriormente essa experiência é vivida com uma outra pessoa. Quando tal experiência foi vivida muitas vezes por um indivíduo, principalmente envolvendo pessoas por ele consideradas seus amigos mais próximos e mais caros, ele acaba por entrar em constantes conflitos, desenvolvendo um ódio à totalidade dos seres humanos, na avaliação de que nada há de íntegro em absolutamente ninguém”.
O oposto deste ódio invisual está no ímpeto de endeusamento dos canalhas quando, por exemplo, numa conversa criminosa telefônica entre suas deidades, os desvairados preferem se apegar mais à nulidade jurídica e formal disto (para um processo criminal), do que ouvir o conteúdo material genuíno e criminoso de seus ídolos inimputáveis os enganando.
Enquanto isso, para aquele que foi programado a ser odiado de tudo, caso este revele um fato gravíssimo escondido de sexualização infantil e estímulo à pedofilia promovida pelos governos, imprensa, movimentos, órgãos nacionais e internacionais de milhões de crianças e adolescentes — inclusive os filhos dos odiadores — nas escolas; a cólera não é aplacada! Pelo contrário: ela aumenta…

A verdade não interessa mais por si só para estas pessoas ideologicamente adestradas; para elas, a verdade só interessa dependendo de onde vem: se é oriunda dos símbolos mitológicos dos seus (idolatria cega), tudo é verdade; se vem do outro lado, o dos demônios constantes (ódio cego), tudo é mentira; mesmo que o histórico mostre o oposto… Não interessa! Os iracundos vendados ignoram qualquer malignidade geral desnudada por um alvo de ódio, para, assim, criticarem a imprecisão dos detalhes ou da ordem cronológica dos eventos narrados pelo odiado, ignorando a grave denúncia trazida à tona.
“Por que é que a verdade gera o ódio? Por que é que os homens têm como inimigo aquele que prega a verdade, se amam a vida feliz que não é mais que a alegria vinda da verdade? Talvez por amarem de tal modo a verdade que todos os que amam outra coisa querem que o que amam seja verdade. Como não querem ser enganados, não se querem convencer de que estão em erro. Assim, odeiam a verdade, por causa do que amam em vez da verdade. Amam-na quando os ilumina e odeiam-na quando os repreende. Não querendo ser enganados e desejando enganar, amam-na quando ela se manifesta e odeiam-na quando os descobre. Porém, a verdade os castigará, denunciando todos os que não quiserem ser manifestados por ela. Mas nem por isso ela se lhes há de mostrar”.

E pelo ódio cego (que nem em profunda anamnese os seus detentores teriam a capacidade de rastrear a sua origem) preferem acreditar, a priori, em todos os agentes que propagam, escondem, dissimulam, mentem, anestesiam e desinformam sobre o que está acontecendo, do que no próprio objeto de ódio… Para esta gente, a verdade é relativa: depende de sua origem…
Neste estágio de cegueira, não importa mais a verdade revelada, mas qualquer mentira que sustente o ódio incutido. Se, por exemplo, algum odiado alertar ao odiador invisual que tem um homem de camisa vermelha e sem cueca com a filha pequena dele, no quarto e sozinho; é possível que este pai cego dê o flagrante e, ao invés de agradecer àquele objeto de ódio pelo aviso, volte a ele só para dizer: “Era mentira! Ele estava de camisa azul e não estava sozinho com a minha filha: tinha mais dois caras lá pelados! Seu mentiroso!”…
A verdade, neste estado de demência, de obsessão odienta e de mau-caratismo, depende exclusivamente de onde ela vem, e esta já não mais deve ser sempre defendida independente de quem a enuncie. A verdade se torna algo supérfluo, ela só é importante se vier do lado da facção idolatrada; caso venha do outro, da facção odiada, automaticamente ela vira mentira. E eles podem defender isso até ao abismo moral mais torpe e escuro existente.

Pelo ódio cego, invés de amarem a verdade geral que era oculta e se atentarem à gravíssima situação trazida à tona e desencerrada pelo odiado, preferem ignorar o todo que desconheciam, para morrerem abraçados com os detalhes periféricos imprecisos apontados por aqueles falsos e mentirosos: os mesmos que levaram anos escondendo a verdade geral de todos e que, só neles, os hidrófobos confiam cegamente.
