Amador (Ou como uma reflexão sobre o que eu gosto de fazer em meu tempo livre finalmente fez sentido)

Em uma conversa no grupo de whatsapp da rua, me questionam sobre eu fazer modelos full-scratch pra vender. É o tipo de pergunta que é um verdadeiro “Berserk button” pra mim. Passei minha vida toda com alguém sempre chegando e falando “você devia vender seus desenhos”, “manda os desenhos pra globo!”, “Ah, tu tais se perdendo”… Ah, sinceramente… Vão tomar no cu!

Eu admito, é sempre difícil explicar pras pessoas que eu nunca fui bom em adular elas pra fazer algo. É só ver como eu me saio vendendo algo pra alguém. Mas mais do que o impedimento natural de toda pessoa introvertida, existe ainda algo que eu nunca consegui articular de verdade, por mais que já tenha pensado: Se eu começar a tratar meus passatempos como trabalho, como obrigação, eles deixam de ser prazerosos, deixam de fazer sentido. Jim Lee deve amar desenhar, mas imagino que mesmo ele deve olhar praquelas folhas gigantes de papel e dizer: “Porra, eu queria estar num pico com os chegados agora!”. Não, Movei… Minha arte e meu hobby, eu vou defender eles disso! Ser um bom artista e builder desempenha uma função bem mais importante do que sustentar minhas finanças: me mantém vivo! Com um propósito. No momento em que eles se tornarem um simples emprego, eu vou acabar desgostando deles pra sempre.

Um conhecido meu, que não só é um builder talentosíssimo como seu estilo na verdade é uma inspiração pessoal, já reclamou disso uma vez. Ele estava tão preso no perfeccionismo que montar kits estava se tornando uma obrigação engessada pra ele.

Eu gosto de desenhar, pintar, escrever e montar kits. Não sou particularmente bom em nenhum deles (no sentido de ser capaz de obter reconhecimento dentro do meio), mas um post do facebook de ontem me deu bastante o que pensar:

Embrace that you suck!

Me fez ver que, apesar de ainda ter dificuldades pra desenhar mãos e perspectivas, apesar de ainda não saber como fazer uma boa transição suave com tinta acrílica, como deixar de ser prolixo nas partes dos meus textos que poderiam passar mais rápido e ainda escrever como se estivesse escrevendo um roteiro de filme, jogar emuladores no easy e ainda usar save states e ainda deixar nubmarks quando corto as peças, pintar camadas grossas demais nas armaduras, ainda não ter experiência com scribber e fazer uma bagunça generalizada quando eu preciso cortar ou perfurar peças, essas atividades ainda me fazem feliz e ainda me deixam querendo melhorar. Ainda me deixam orgulhoso, querendo mostrar a todos com quem me importo. Por que? Porque porque não há nada de errado em ter passatempos descompromissados.

Semana retrasada eu estava refletindo sobre se eu era um escravo da auto-indulgência. Honestamente, eu não me importo mais! Se eu mereço a indulgência de alguém, que seja a minha! Eu sempre fui o cara que sabe me agradar melhor mesmo! E se pra isso, eu tenho que proteger meus hobbies da norma mercantil que permeia nosso modo de vida, que seja!

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