Seriedade (Ou a difícil tarefa de não ser eu mesmo em casa)

Essa não é a primeira vez que acontece. O efeito rebote de uma conversa longa que termina com a família se juntando pra me dizer que eu não posso agir “como um palhaço” junto de Mainha todo o tempo.

Engraçado é que nem todo o contexto do mundo explica como eu, um homem de 34 anos, ainda sou visto como uma criança grande (e possivelmente com deficiência mental) pela minha mãe. Quem ler aqui (e/ou os outros posts que fiz aqui) provavelmente compartilharia do mesmo ponto de vista.

Infelizmente, eu sempre fui muito oito ou oitenta… Ou eu me fecho em uma concha e não falo mais do que o necessário com as pessoas ou eu sou aquele imbecil que quer ser amigo de todo mundo, o tempo todo, do jeito errado. Mas ainda assim, quem mora comigo minha vida inteira devia me dar um desconto e não me pedir pra ser algo que eu jamais consegui ser (e olhe que eu tentei muitas vezes).

Mainha passa tanto tempo preocupada com minha idade, levantando hipóteses de que eu terei um derrame e/ou nunca mais conseguirei trabalho aos 34 que eu me peguei pensando na única coisa que eu prometi a mim mesmo que não faria sob hipótese alguma. E o mais curioso é que eu tenho a noção de que ainda não estou no fundo do poço, e isso me deixa ainda mais triste, porque eu vejo como mais queda livre pela frente.

Eu tinha um blog antigo, que deletei semana passada, por acreditar que meus problemas de então estavam superados, mas esse post não é muito diferente do que eu reclamava e compartilhava lá. Parando pra pensar, a semelhança era a quantidade de tempo “desocupado” que eu passava em casa. Aspas porque nada aqui funciona sem mim.

Sim, o post descarrilhou-se. Porque tudo em meu pequeno inferno astral gira em torno de não estar trabalhando, que leva a tempo demais em casa, que leva a mais tempo em que sou visto fazendo palhaçadas, que leva à ideia que eu estou sempre brincando (quando a verdade é que eu já me tranquei no quarto pra chorar copiosamente por não ver saída pra minha crise), o que me leva à pressão que eu mesmo me boto em ser forte diante dos problemas porque eu simplesmente não tenho o direito de desmoronar. Tudo porque eu não estou trabalhando -> passando tempo na rua -> não irritando minha família com meu jeito de ser -> sendo devidamente esquecido pra poder me concentrar no que importa.

Esse era um momento que eu temi desde 1999. Um momento em que eu me revelava um inútil completo e sem esperanças de me recuperar. E aí de mim se minha família ler isso, porque eles não só vão entender tudo errado, como provavelmente vão fazer um discurso demorado e totalmente nada a ver, o que será excruciante em si.

Está realmente difícil estar vivo em 2016.

Like what you read? Give Alexandre Amorim a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.