Vida segue

Coisa que levei de minhas relações:
A certeza que às vezes o amor não dá conta, que algumas coisas não posso abrir mão e preciso deixar ir. Mesmo em dor, mesmo em sofrimento. E a vida segue.

Vida em carne viva, tristeza e lamúria.
Por vezes em raiva. Irrompe em mim feito um vulcão destruindo-te em todos os momentos que eu paralisei diante de tua cólera.
E a vida segue.

A vida segue como um tornado destruindo toda a cidade, mas é preciso se apressar para não chegar atrasado ao trabalho.

Segue com fichas e papéis sendo preenchidos. E toda aquela burocracia da empresa. Ainda não consegui um atestado para coração partido.

Segue em festas, em meio a risos e momentos leves. Momentos que sinto que meu coração está finalmente curado. Quase lá. Se não fosse esse tropeço num antigo álbum de fotos nossas.

Segue em poesias que escrevo para expurgar os respondentes que você ainda me causa.

Segue até você sumir de mim.

Segue pouco a pouco. Em passos lentos.

Segue sem que se perceba que a dor já se foi.

Segue até não sentir as marcas que deixou em meu corpo.

    Ouvinte Nervoso / Rafael Pedro Rodrigues

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    ouvindo meus nervos e gorfando poesia