Balada da loira carioca – Ravi Aynore – 2016

Lendo teus versos,

Tais quais sua boca ou sobrancelha,

Lembro-me da distante Márcia,

Que cantando tuas verdades em ensurdecedoras palavras tortas,

Certa vez nos disse que éramos únicos.

Únicos em que?

Há, dentro de ti, um universo vasto de embaralhadas lembranças

E de batalhas travadas entre o ser que me ama e o ser que me quer.

Sei porque já estive lá e pude conferir as mais belas pirâmides que teu corpo desenhava.

Mesmo não sendo ruivo,

Ou tendo bochechas,

Foi a mim que feriu e capturou.

E me arrastou pra lá de Londres, longe…

Deixando pra trás as areias movediças que me sugavam como um boquete infame, infalível e infeliz.

Infernal!

Uniformizou nossa cor em uma só.

Meu cabelo preto no seus cílios negros, na noite calma e nos teus sonhos mais sombrios.

E como de longe Márcia gritava:

– Vais com tudo que sois únicos.

Universos, uniformes, unicórnios!

Fim.

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