‘’…são sempre os mesmos’’, será?

Torcedores ‘’comuns’’ brigaram no Beira-Rio na partida contra o Tigres, pela Libertadores 2015, e não houve punição. Quer dizer que somente torcedores ligados a barras/organizadas devem ser punidos?

Claramente há um tratamento desigual por parte das autoridades, imprensa e dirigentes em relação aos torcedores. De um lado o sócio de bem, de família, e que não pode ser punido, porque quando ocorre alguma briga, as partes apenas se ‘’exaltaram’’. Do outro, os considerados marginais de torcidas. Esses devem ter punições severas. Inclusive, com a sentença de morte da própria polícia, como no caso do jovem torcedor Maicon Douglas de Lima, assassinado por PMs em fevereiro deste ano, onde 8 policiais foram denunciados pelo MP.

A festa no futebol preenche corações e mentes de torcedores. Quanto mais o torcedor estiver ocupado em promover a festa mais bonita que a do time rival, maior a conscientização dos mesmos em ir ao estádio apenas para torcer. Ao invés de punir apenas os envolvidos em confusões, as autoridades punem a torcida e proíbem a festa.

Infelizmente, grande parte dos torcedores que frequenta o Beira-Rio pós reforma, elitizado e sem as mesmas festas de antes (devido a proibições da BM e direção do clube), são os que mais dão força no discurso de criminalização das torcidas pelas autoridades e pela imprensa. Isso também é reflexo do atual momento que vivemos, ou seja, dessa onda conservadora que atinge o país.

Os mesmos que são a favor de prender menores achando que vão acabar com a violência no Brasil, são os que pensam que, ao pedir o fim das torcidas, vão acabar com a violência no futebol.

Os mesmos que apoiam linchamento de pessoas nas ruas, também apoiam as agressões aos torcedores por parte da BM, as quais, muitas vezes, podem levar o torcedor agredido à morte.

Os mesmos que são contra programas de assistência social, são contra ingressos populares no Beira-Rio.

O debate sobre a violência no futebol é muito mais amplo que os discursos sensacionalistas da imprensa para vender jornal e ganhar audiência. Precisa ser encarado de forma realista, com a participação de todas as partes envolvidas. Confusões sempre vão existir em eventos de grande público, independentemente da classe social. A violência no futebol é um reflexo da violência na sociedade.