Des (con) figurado

Em terra de contador de histórias

Aquele que tem olho é trapaceiro.

Se o que faz a história ser de verdade

É quem conta ela primeiro.

E assim se faz,

Já que a verdade é maleável.

Afinal quem desmente

Que estou bem mas nada saudável?

E se azul é o elo

Entre o azul e amarelo…

Roma não está nem aí para o amor.

E foices só combinam com martelos.

Chamo este de des(con)figurado

Com mil facetas poéticas.

E nenhuma frase que tenha sido inserida

Por sua conveniência estética.

É esse espaço

Verdadeiramente além da fala.

Bagagem de vida que não cabe em mala.

Que você dobra.

Mas para caber num verso.

É o exagero da linguagem.

Que só lhe toca

Se você está imerso.

Um verso em verdade:

O poema está para Pluriverso

Como literatura está para eternidade.