Dia do Cientista Social
Sigo em formação nessa área que tantas vezes já me encheu os olhos de brilho, quer fosse por alegrias outras vezes por revoltas. Parabéns aos que, assim como eu, seguem na busca pela tomada do lugar que é a academia, sobretudo nas Ciências Sociais, desbravando cotidianamente suas amarras ideológicas e epistemológicas tão eurocêntricas. Parabéns, SOBRETUDO, aos pretos e pretas dessa área que se mantêm firmes na luta pela legitimação dos conhecimentos e formulações desenvolvidos por gente preta. Sabendo do estereótipo mal fundamentado de “preto vagabundo/preguiçoso”, ou daquele outro de “preto agressivo” que condicionava o indivíduo negro a acreditar que a intelectualidade não lhe era possível, e ressaltando todo um modelo educacional que não educa crianças pretas e tudo isso fruto de uma cultura “à brasileira” que esforçou-se para construir a ideia de que “preto estudado é perigoso”, o que de fato é, ainda mais pra uma sociedade racista que não assume sua falha histórica e seus efeitos psicológicos e estruturais no povo preto. Devo deixar evidente portanto meu brado de resistência por estar aqui “para comemorar” essa data.
É por essas e outras que parabenizo a todos os cientistas sociais, mas parabenizo sobretudo aqueles pretos e pretas que estão por esse Brasil a fora, pela força, capacidade, coragem e por serem o motivo pra eu continuar lutando por mais dos nossos neste lugar ainda tão pouco acessado.
Seguimos! Pois quando decidi que seria Cientista Social já sabia que teria muita luta e debates pela frente, imagina só sendo preto.
