Um belo desastre lírico

É bem verdade que já não falo das flores há um tempo.
E que há muito tempo, mudei meus caminhos.
Se hoje as flores devem ser temática principal.
Que comecemos então falando dos espinhos.

Que perfuram, invadem a carne e usurpam o ser.
Que condicionam a vida àquele curto espaço de tempo
No qual aquele que vive, só sabe que vive
Por notar que sabe sofrer.

Veja bem, elas têm suas cores
E carregam o poder de levar alegrias.
Os espinhos seriam portanto
O frete a ser pago
Pelo fim das agonias?

Arranca do teu chão,
Nesse concreto frio sem sentimento
A rosa que com teus espinhos
Mostrará que o belo também causa sofrimento.

Acredita tu
Tenho apreço pelo desonroso,
O pouco atraente
É que a beleza é tão frágil
Que por pouco, quase nada
O belo nos deixa doentes.

Afagados, com teus carinhos visuais.
Veja, a flor tem espinhos.
E como seres belos que somos.
Obviamente somos iguais.