Está tudo bem

Eu acabei de passar por um mês muito estranho. Até escrevi sobre isso e acabei não publicando por achar que não devia compartilhar sentimentos ruins, mas tem tanta gente na bad, tanta gente se sentindo mal, que agora percebo o quanto é importante também mostrarmos quando as coisas não vão bem.

Os últimos dias foram de muita enxaqueca, insônia, impaciência e choro. Uma luta diária para não me cobrar tanto, para voltar ao meu normal e me sentir feliz novamente. Estava uma pressão louca no trabalho e confesso que me dedicar mais era uma saída para fugir do restante da minha vida, fazendo hora extra praticamente todos os dias, almoçando às pressas e não dormindo à noite. Eu tinha que ser muito produtiva, era o que esperavam de mim. E eu fui muito produtiva, mas também muito infeliz. Qualquer notícia triste e eu ia às lágrimas, logo eu, que não dou o braço a torcer pro choro. Recusei diversos chamados de amigos por falta de paciência para socializar — me desculpem. Outras vezes eu me forçava a sair, mas a enxaqueca tomava conta, eu me arrependia em 5 minutos e só pensava em voltar para a minha cama. Se à noite eu não dormia, durante o dia eu apagava facilmente. Teve um feriado aí que eu dormi o dia inteiro e não aproveitei nada, piorando meu estado, já que no outro dia estava trabalhando ainda mais desanimada. Todo mundo perguntava o que estava acontecendo e eu só dizia “to cansada”. Porque era exatamente um cansaço infinito de tudo.

Mas é preciso se perdoar. É preciso entender que manter a nossa mente sã é mais importante que qualquer trabalho, qualquer estudo, qualquer dinheiro. É preciso compreender que o estado de felicidade acontece de dentro pra fora e de nada adianta se forçar a ser feliz se não se sente feliz. Está tudo bem em não estar tudo bem. Você não precisa ser o melhor em tudo sempre, você não deve ser sobrecarregado com além das suas funções, você não deve se culpar em não estar presente quando outros precisam de você, você não precisa fazer o que não está a fim para corresponder uma cobrança social. Às vezes simplesmente não dá. E mesmo que existam tantos outros motivos para se estar bem, mesmo que existam tantas outras pessoas em situações piores, lembre-se que nada vai deslegitimar o que você sente.

Escrevi tudo isso de supetão para não me auto sabotar e deixar de postar. É preciso compartilhar nossas experiências. Essas palavras são também um pedido de desculpas aos amigos e familiares pela minha ausência e inúmeros convites que recusei/furei. É também um agradecimento coletivo pela existência de cada um na minha vida. À minha vó, que nesse meio tempo se preocupou se eu estava almoçando direitinho, fez minha tia vir deixar almoço no meu trabalho e, assim como minha mãe, todos os dias se preocupa se estou bem. À minha equipe do trabalho, obrigada por estarmos unidos, por ouvirem meus desabafos, por aguentarem todo tipo de mau humor. Às minhas amigas grávidas, acompanhar essa nova fase com vocês vem proporcionando mais alegria aos meus dias, muito obrigada. Aos amigos em geral, parece até que vocês sentem quando as coisas não vão bem, tudo que me escrevem é tão inspirador que sinto que vocês acreditam mais em mim do que eu mesma. E à Henrique, obrigada por sempre sempre sempre trazer mais leveza, tranquilidade e risadagem, sendo o escape dessa loucura da minha rotina e fazendo eu me sentir eu mesma de volta. Mas mais que tudo, esse texto é também uma ajuda, para que outros se identifiquem, percebam que nem sempre temos as rédeas da nossa vida, ora por um problema no trabalho, ora pela ausência na vida dos filhos, ora por um relacionamento complicado. Essa sociedade cobra demais. Um passo de cada vez e tudo vai dar certo. Se perdoem.

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