Calisto
Um grão não é um terço do que sou. Nem comparada ao pó eu posso ser. Sou bem menos do que isso.
Me perdoem amigos, mas tive uma recaída. Eu voltei a cair em mim, achei que podia estar tudo bem novamente, mas não pode, simplesmente nunca poderá.
Escrevo palavras confusas, frases desconexas, enquanto caio mais na própria armadilha que criei. A minha natureza.
Me sinto feliz e triste, a culpa cai sobre mim, ouço vozes, tenho sonhos, e sinto o desespero me preenchendo a cada minuto dos dias que se foram.
Eu estou de pé, sozinha na noite com um tiro no peito, enquanto lágrimas escorrem e um grito é abafado. Não enxergo nada pela primeira vez. Não sei o que está acontecendo, não sei quem sou ou onde estou. A filha do sol está sozinha na noite, pois a lua partiu a um tempo e não voltara mais a me iluminar. O jardim das raízes mortas se expande a cada dia, o que aumenta meu medo. Eu não sei até que ponto ele tomara conta de mim, não sei o que fazer. Só não sei.
Júpiter teria vergonha de mim. Como um ser tão poderoso criou uma filha tão fraca? Onde está a coragem, força e sorte que ele prega a seus filhos?
Me perdoe pai, mas sou um fracasso. Acho que puxei minha mãe. Mas ainda sim, luto contra minha sombra. Ou pelo menos acho que o faço.
Sinto mundo se eu perder, mas tentei.