
Feliz dia de todos nós
Até o século XVI, a infância era tida como um período sem grande importância. As crianças eram vistas como pequenos adultos e pouca atenção era dirigida a elas. Foi depois dessa época que as coisas começaram a mudar.
O conceito de infância foi ganhando novos contornos e passou a ser ˜levada a sério˜. A princípio, os interesses sociais giravam em torno da questão da disciplina, que visavam impor às crianças, para que se tornassem cidadãos adequados aos padrões morais estabelecidos.
Já no século XVIII, outros interesses e formas de investimento na infância foram aparecendo. Surge a era do “reinado da criança”, na qual as investigações são voltadas para as relações de afeto que se estabelecem nos laços familiares, em especial com o papel materno.
A Psicanálise é desenvolvida no século seguinte, e vem dar um outro olhar para a infância. Freud abriu vias para a compreensão da subjetividade da criança, pensando em seus desejos e frustrações e, a partir disso, desvendou os mecanismos de formação do psiquismo. O olhar sobre a infância adquiriu novos sentidos sobre quem somos, que adultos nos tornamos.
Hoje, sabemos a importância que têm os primeiros anos de vida e como são determinantes para nossa estruturação subjetiva. Conteúdos diversos são direcionados ao mundo da maternidade. Atividades em todos os tipos de locais são criadas especialmente pensadas no desenvolvimento da criança. A infância se tornou uma etapa privilegiada da vida, e até mesmo idealizada. Um sonho que o homem moderno deseja perpetuar.
O trabalho feito em uma análise, inclusive, é focado no infantil que existe no adulto que está ali presente. O inconsciente não tem temporalidade. Ele acontece independentemente do tempo lógico que conhecemos. Não é a quantidade de anos que se passaram que dizem em que fase o psiquismo se encontra. Quem se expressa ali é justamente a criança que, por alguns motivos particulares, ainda sofre dentro de todos nós.
Precisamos escutá-la para podermos seguir em frente com mais tranquilidade.
As reflexões e a compreensão sobre a infância são de extrema importância. É através da percepção do que acontece no mundo infantil que podemos pensar em formas de promover e desenvolver os cuidados necessários com esta fase e, também, criar novos modelos de educação dentro e fora do âmbito familiar, para que os pequenos se tornem adultos mais saudáveis e felizes.