Balneário Camboriú

Me sinto no fundo de um canyon.

As paredes os prédios.

O mar só de ouvir falar. Quem o vê é a janela da avenida Atlântica. À outra casta nada resta.

Sombras se esticam na manhã e na tarde. Um sol de 2 horas por dia para alguns apartamentos.

ApErtamentos, empilhados. Vidas tão perto nunca cruzadas — estampas xadrez sobre um quadriculado dissonante.

Rios de pedra levam carruagens metálicas de lá pra cá.

Babilônia gira. Terra do “primeiro eu depois você”. Onde nós não existimos. São vários nós na mesma corda que se acham ser desconectados. E acabam ficando assim.

Assim é essa cidade montada fim do século 20. Sem história senão a da terra badalada de veraneio. Bagulho fica feio se não girar grana olímpica gol de escanteio. A maior menor cidade do litoral.

Tão fácil ficar preso. Nascer preso.

Bendito o que foge, e o que leva outros consigo.

Que foge pro mar, pra natureza, pra superação do material. Do metal. Do uso individual. Do despropósito existencial.