Facilitando a vida (III) Foco no Essencial

Bom, já comentei sobre a importância de se ter uma agenda/organização e algumas dicas para perceber que você é procrastinador e como diminuir a procrastinação.

Mas ai da pra imaginar o próximo dilema que é “mas o que eu tenho que dar prioridade na minha vida?” Bom, só você vai saber o que.

É isso fim do texto.

Mentira, vamos lá. De novo, o que eu falo aqui são informações superficiais a partir de alguns textos e aulas que assisti na internet, somado à algumas experiências pessoais, então não necessariamente o que eu falo é a verdade, mas pode ajudar a tomar um caminho, nem que seja o completo oposto do que eu digo porque você pode achar que eu to completamente errada.

Hoje vou falar do último que li, o livro do Essencialismo, por Greg McKeown.

Resumindo o livro, temos isso:

Imagem retirada do livro

Essa é a ideia do essencialismo. Você pega tudo e todas as informações em volta de você e torna elas uma coisa coerente e identificável. De outra forma: sua vida é um fone de ouvido que ficou 3 dias no fundo da sua bolsa, e o essencialismo é você retirar todos os nós que foram dados. É você fazer as voltas certas com o fio para desenrolar ele, e não qualquer movimento rápido sem pensar que acaba enrolando ele ainda mais.

Ou seja, ter uma maior produtividade, com uma maior qualidade e menor aborrecimento.

Imagem do livro

Uma das idéias centrais é a ideia do falar não para evitar se sobrecarregar. Como assim?

Imagem do livro

Situação 1: Você tem 3 trabalhos/relatórios/exercícios pra fazer em 4h, coloca uma média de 1h15 para fazer cada trabalho tranquilamente e você consegue uma folga tranquila de 15 minutos pra sair mais cedo ou revisar alguma coisa. Aí te ligam/te mandam uma mensagem pedindo se dá pra você fazer mais um trabalho extra, e não só os 3. Bom, 1:15 é um tempo com folga, então se ficar 1h com cada trabalho da pra fazer 4 em 4h. Então aceita.

Mas você acaba se enrolando com um dos trabalhos e demora 5h pra terminar todos, ao invés de 4h, perde o ônibus, sai no horário com mais trânsito ou se atrasa pro próximo compromisso. Aquele trabalho extra valeu todo esse problema que você teve depois? Aquele trabalho extra era realmente essencial? Ou era apenas algo que “fiz porque já estava fazendo” mas no final acabou desestruturando todo o seu dia?

Situação 2: Você está indo sair com seus amigos/sua família, e recebe uma mensagem sobre trabalho. Porém é seu tempo de folga, as pessoas que convivem com você sabem que você não trabalha naquele momento, ainda assim, te pediram coisas. É uma tarefa fácil, então aceita e adia em 30min ou 1h a saída com os amigos.

A tarefa demora mais tempo que o esperado, você demora mais tempo indo e vindo do que imaginava, o passeio com os amigos acaba tendo que ser cancelado e ainda por cima, agora você virou a pessoa que vai ter que aceitar qualquer imprevisto que surja de última hora. A não ser que você comece a falar não.

Situação 3: Você tem uma prova muito importante e, pelo seu planejamento, tem que estudar por 3h e dormir cedo. Seus amigos te chamam para um café bem no meio de seu estudo. Ah, mas um café é rápido, e é perto de casa, ainda vai me ajudar a focar no estudo depois. E aceita.

Ao invés de tomarem só um café, resolvem fazer um lanche também e a conversa acaba fluindo e fluindo, quando você vê já passou do horário que tinha planejado dormir e ainda não estava nem na metade dos estudos.

Deu pra entender mais ou menos a ideia?

Não é fácil dizer não, o medo de decepcionar as pessoas é muito grande, o medo de achar que não vai ser mais aceito ou incluído em alguma coisa é muito grande, mas com o tempo você vai acabar percebendo uma facilidade maior em dizer não à compromissos não essenciais. Tirar da cabeça a ideia de que você pode ter tudo e fazer tudo ao mesmo tempo, pois isso só vai te sobrecarregar e acabar te frustando.

É necessário você ter uma prioridade. Na situação 1, podemos ter a prioridade de terminar o trabalho na hora pra não se atrasar para os compromissos depois; na situação 2, a prioridade é ter um momento de folga, pra relaxar; na situação 3, a prioridade é estudar, porque indo bem na prova você terá mais tempo livre depois.

Imagem do livro

A questão não é dizer não pra cada oportunidade, ou evitar trabalhos extras, até porque as vezes isso pode prejudicar a sua vida profissional e social e tudo mais, mas avaliar o quanto aceitar aquela tarefa vai influenciar na sua vida, se vai valer a pena o stress de perder 4h do dia pra fazer um trabalho que o retorno vai ser mínimo.

Ao invés de você tentar fazer tudo que está aparecendo como oportunidade, tenta filtrar, pesando o que vale mais a pena, ou o que parece dar mais retorno, e investe sua energia nesse ponto.

Imagem do livro

Outro ponto que ele foca no livro é no planejamento para imprevistos.
“Como assim vou ter que prever algo que é imprevisto?” É mais fácil do que parece.

Volta lá pra situação 1. Cada tarefa demorava em média 1h. Mas, enquanto tínhamos 3 tarefas, colocamos um período de 1:15 para cada uma. Pra que isso? Caso você tivesse alguma dificuldade, tem esses 15 minutos a mais, e caso termine tudo no tempo certo [1h ou menos] vai ser só vantagem pra você.

Outro exemplo, pensando numa organização de agenda como eu faço: se eu tenho tarefas para serem feitas no dia [inclui estudos, trabalhos, coisas da casa, etc] penso em quanto tempo demoro pra ir de um lugar a outro, e sempre coloco uns 5–10 minutos a mais pra sair de casa mais cedo e não me atrasar. Se as tarefas demoram X minutos, sempre faço conta que elas vão durar X + 15 ou 30 minutos, dependendo do que for.

Esse valor de X não é aleatório, ok? Tenta perceber, se for algo que você faz sempre, quanto tempo demora naquilo, e a partir daí você pode ter uma média de quanto demora fazendo cada coisa.

Caso seja uma tarefa completamente nova, tenta ver se ela se parece, mesmo que vagamente, com algo que você já fez antes. E aí tenta colocar um tempo com uma margem pra, se houver algum imprevisto, você terminar tudo ou adiantar o máximo que puder, sem atrapalhar as outras tarefas.

O autor divide as pessoas em “Essencialistas” e “Não essencialistas”, e em vários momentos do livro faz tabelas como essa:

Imagem do Livro

Bom, acho que o texto acabou ficando bem grande mas recomendo a quem puder, ler este livro. É um livro fácil de ler, não usa palavras ou frases muito complicadas e o autor consegue expressar bem as situações incluindo diversos exemplos [que você vai acabar se reconhecendo em algum].
Mesmo que eu discorde de alguns pontos que ele diz, vale a pena pra refletir um pouco de como você lida com as coisas e compromissos no dia a dia.