Persistir não basta

Graças ao crescente movimento empreendedor no Brasil antigas palavras buscam assumir novos significados. Mas é preciso cautela. Fracasso, por exemplo, agora é sinônimo de aprendizado. Do outro lado, diversas pessoas bombardeiam a timeline das redes sociais com frases do tipo “persistir é vencer”. Mas os dois conceitos aqui estão super-valorizados: persistir é apenas continuar e fracasso é só feedback.

Persistir é continuar

Alguns persistem devido ao ego. Outros continuam dando murro em ponta de faca por não aceitar que está na hora de mudar. Muitos persistem no erro. Como eu disse aqui, para errar rápido é preciso enxergar o erro. Desta forma, persistir não é vencer, mas apenas continuar, esteja você no caminho certo ou não. E como saber se estamos no caminho certo? É aqui que entra o feedback.

Fracasso é feedback

Você só pode dizer que aprendeu algo com o fracasso se na próxima tentativa foi capaz de evitar os mesmos erros. . Se repetir os mesmos erros você não entendeu direito. Se parar, você não aprendeu, você desistiu e encontrou um conforto que chama de aprendizado.

Na estrada existem pequenos fracassos que nos permitem corrigir a rota. Já o retorno do grande fracasso pode estar há quilômetros de distância num ponto futuro. Mas nunca é tarde! De qualquer forma, o fracasso é apenas um feedback do mundo sobre coisas que não devem ser repetidas. O que nos impende de aprender é a incapacidade de absorver o feedback. Enganamos a nós mesmos. Geralmente confundimos os feedbacks bons com ruins e não sabemos quando acelerar e nem quando freiar.

Feedback ruim?

O feedback ruim geralmente assume a forma da frase: “isso não vai funcionar”. Aqui a gente acelera! Como pode alguém nos desafiar desta forma? Abaixamos a cabeça e vamos em frente como quem quer provar ao feedback ruim que estavámos certos. Ruim não é o feedback, mas nossa atitude de levar para o lado pessoal, rumo à persistência do ego e ao murro em ponta de faca como disse anteriormente. Quando ouvimos “isso não vai funcionar” não temos que acelerar, temos apenas que pisar no freio.

Feedback bom?

O feedback bom muitas vezes é recebido como ruim. Aqui a gente freia! Ele traz um ponto de vista que não temos, incomoda porque é diferente e nos tira da zona de conforto. De posse de um ponto de vista diferente do nosso não devemos freiar a ponto de parar, mas continuar pra ver se não tem ali alguma coisa que não estavámos enxergando.

Sim, persistir é preciso, nos mantém em movimento e parado ninguém vai a lugar algum. Mas esteja de olho aberto aos feedbacks para não se ver, de repente, em um lugar que não tem mais volta. Para aceitá-los precisamos parar de justificar nossas idéias o tempo todo. E se justificar é a arte que todo ser humano domina.


Originally published at www.becklog.org on October 19, 2015.

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