Parabéns adiantado
A coisa mais estranha que senti foi perceber que você não se lembrou do meu aniversário. Eu nunca me esquecia do seu. Quando não estávamos mais juntos, eu liguei, comprei um presente e toda sorridente fui te entregar. Sem segundas intenções, sabe? Só achei que ainda éramos amigos e que o carinho deveria permanecer. Mas acho que era um sentimento de mão única, eu que não quis ver.
Eu não fiquei esperando o telefonema, a mensagem ou qualquer coisa, mas dois dias depois percebi que nada tinha acontecido. Doeu. Não foi uma dor de tristeza, sabe? Foi mais como a sensação de que alguém puxou bem rápido um pedaço de durex que estava preso aos pelos na minha pele.
Eu nunca te mandei embora, mas você tinha que ir. Eu nunca soube construir um amor que não fosse amizade verdadeira. E nunca deixei um amor partir sem que essa amizade permanecesse lá. Intacta, embalada de carinho, admiração e respeito. Talvez esperasse reciprocidade. Talvez tenha esperado muito. Talvez devesse fazer o mesmo que você.
Não. Me desculpa, mas não quero ser igual a você. Ter seu olhar triste, sua vida cheia de mágoas, sem perdão, com medo de tudo e de todos.
Então, sabe aquele pedaço de fita que arrancou os pelos na minha pele? Foi para o lixo e se perdeu. Outros pelos cresceram no lugar.
Este ano, se eu me esquecer do seu aniversário, não se ofenda. Ainda te acho uma boa pessoa. É que agora somos pessoas tão distantes que é difícil me lembrar de você.