A realidade paralela da FIFA

A semana começou e na segunda-feira tivemos mais uma cerimônia da FIFA. A famigerada e anual premiação dos melhores do mundo.

2017 chegou com tudo, já se foram onze dias do ano… e a FIFA — bem como todos os envolvidos com a mesma — mostrou que segue vivendo num mundo paralelo.

Quem me conhece, sabe como eu amo uma polêmica, então por que não começar o ano bem nesse quesito? Para isso, nada melhor do que falar de um assunto do qual gosto e, acredito, entendo um pouquinho: futebol.

Nesta última segunda-feira, tivemos o anúncio de diversos vencedores na dita cerimônia, como o gol mais bonito do mundo, os melhores treinadores, as melhores hinchadas… E aqui, não quero discutir se Cristiano Ronaldo mereceu ou não o prêmio de melhor do ano de 2016. Até porque sou da opinião de que mereceu. E ponto final.

Gostaria, porém, de falar, sim, sobre os 23 que entraram na disputa, especialmente os que fizeram parte do pódio. E, ainda mais importante, gostaria de falar da Seleção do Mundo. Vamos por partes então…

Os 23 melhores…

Os candidatos não eram mistério. A FIFA divulgou a lista dos 23 nomes ainda no ano passado, como de praxe. E aí já surgem, na minha opinião, os primeiros erros. Não discuto, aqui, a qualidade destes jogadores em sua essência, mas sim o ano deles.

(Foto: Reprodução/FIFA)

Por que Iniesta? Ou mesmo Neuer? O que o espanhol do Barcelona fez durante o ano de 2016 que o faz ser mais bem cotado do que Casemiro, por exemplo? Por que o ano do alemão foi melhor do que aquele que tiveram De Gea, Rui Patrício ou Donnarumma? Será que Pogba também fez um ano tão excelente assim a ponto de ser considerado um dos 23 melhores jogadores do mundo? Onde estão Pepe e Aubameyang?

Os erros continuam quando olhamos para o resultado final — e aqui, eu sei, os votos não são da FIFA em si, e por isso observei no início desse texto que a realidade paralela diz respeito a todos os envolvidos.

Neymar terminou como o quarto melhor jogador do mundo. Um ultraje. E quem acompanha minimamente futebol sabe disso. Pensando somente nos outros nomes em disputa, o que o brasileiro fez que o credencia a ficar realmente a frente de nomes como Gareth Bale (6º), Riyad Mahrez (7º) e Gianluigi Buffon (8º)? E isso pra citar só três nomes. Poderíamos citar também Toni Kroos, Alexis Sánchez, Luka Modric e Zlatan Ibrahimovic, por exemplo. Nada justifica.

Lembram que eu falei que amo uma polêmica? Então vamos a maior de todas: Lionel Messi não foi um dos três melhores jogadores do mundo no ano de 2016. Aqui, um adendo: sou um gigantesco fã do argentino e acredito firmemente que ele é — ou, na pior das hipóteses, virá a ser — o maior de toda a história do futebol mundial (embora seja difícil comparar com nomes do passado por n motivos). “Ah, mas ele fez x gols e y assistências em z jogos”. Ok… e? Aqui, outro adendo: sou um grande defensor e adepto dos números, fatos e estatísticas. Mas futebol não é feito ou construído só disso. É até irônico: quando se usam números para falar de Cristiano Ronaldo, chovem acusações do tipo: “ele construiu esses números contra Levantes e Granadas da vida”. Pra falar de Messi, esse argumento some. Messi é gigantesco. Provavelmente foi desde sempre, desde aquele momento em que Ronaldinho deu de cara com um ainda jovem Leo. Mas isso não quer dizer que ele será sempre o melhor, se é que me entendem. Sim, é verdade, ele terminou o ano com números excelentes, mas além do fato de que números frios por si só nada querem dizer, há também outro fator a ser considerado: a maior parte desses números foi construído na reta final do ano. E bom, a premiação diz respeito ao anos todo, não é mesmo?

A verdade é que, pensando somente nos 23 selecionados, Messi não teve um ano que deveria colocá-lo a frente de Griezmann, Bale e Buffon, por exemplo. Mas é complicado: nenhum deles chama a atenção e a mídia que o argentino chama. Especialmente Buffon, que sofre ainda mais por ser goleiro — posição historicamente tão “mal vista” nesse tipo de premiações, juntamente dos zagueiros/defensores.

Vocês podem me execrar, podem me chamar de louco, mas a verdade é essa: Messi não foi um dos três melhores NO ANO DE 2016. E tenho dito.

A Seleção do Mundo

Aqui o buraco é mais fundo. E a loucura começa quando você olha para os 11 jogadores divulgados pela FIFA… e não encontra na relação aquele que é teoricamente o terceiro melhor jogador do mundo, Antoine Griezmann.

(Foto: Reprodução/FIFA)

E quem dera fosse o único erro. 2017 chegou… e o que ainda faz Daniel Alves em uma suposta melhor seleção do mundo? Ou mesmo o já citado Iniesta? Piqué é outro que vem fazendo hora extra. Quem, afinal, realmente escolhe os 11 jogadores que fazem parte desta suposta Seleção do Mundo?

A FIFA, com seu insistente 4–3–3, escalou: Manuel Neuer; Dani Alves, Gerard Piqué, Sergio Ramos, Marcelo; Luka Modric, Toni Kroos, Andrés Iniesta; Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Luis Suárez.

Não me entendam mal, gosto muito de Modric e Kroos e ambos são importantes para o Real Madrid, mas você não pode selecionar dois meio-campistas da equipe espanhola e nenhum deles ser Casemiro, hoje o mais importante jogador do meio-campo madridista.

Aqui, não me alongarei muito mais. Qual seria minha Seleção do Mundo? Depende. Se a única opção fosse esse 4–3–3 padrão e insosso da FIFA, meu Dream Team seria o da esquerda. Mas eu gosto de pensar fora da caixa, então trouxe também o esquema da direita. A quem é mais familiarizado com a história do futebol, especialmente a parte tática, o desenho não é estranho: trata-se do sistema WM, criado pelo lendário Herbert Chapman no Arsenal dos anos ’20. Loucura? Prefiro olhar por outro ponto de vista, como fez Patrick Vieira quase um ano atrás.

E, claro, menções honrosas a: De Gea, Donnarumma, Keylor Navas e Rui Patrício (goleiros), Sergio Ramos e Thiago Silva (zagueiros), Kroos, Bale, Özil, Coutinho e De Bruyne (meias) e Ibrahimovic, Lewandowski e Suárez (atacantes).

E assim chegamos ao fim com nossa primeira grande polêmica do ano. Qual será a próxima?