(by Tim Saternow — 2012)
Justadores

Me ensinaram que o tempo passava tal qual um trem.

Às vezes, tinha que esperar muito até que ele trouxesse algo,

outras vezes, passava tão rápido que nem se percebia.

Mas independente do quanto se esperava, era sabido que tudo vinha com o tempo.

Já de pequena, encasquetei que não deveria esperá-lo.

Fui seguindo pelo trilho, imaginando que tudo viria da mesma forma, mas sem a angústia da espera.

Quando íamos viajar, ficava acordada, pra que a noite acabasse mais rápido. Durante o dia, atrasava as refeições para que o dia ficasse bem longo.

Quando jogava bola, vivia fazendo cera pra enrolar o tempo. E na escola, passava a aula olhando pela janela, pra sentir que já estava fora dela.

Nunca esperava pra dizer tonto, bem feito, não fui eu, desculpa, te amo. Sentia e já dizia, sem deixar um tantinho de tempo no meio.

Em vários trechos, eu ia tão rápido, que até atropelava o bendito.

Com o passar dos anos, fui ficando cansada. Já não fazia questão de correr e até achava bom sentar e esperar um pouquinho.

Acho que o tempo também cansou, pois às vezes, parecia impossível encontrá-lo. Em alguns momentos cheguei até a chorar, e nada. Nem um minuto a mais, nem um segundo sequer aparecia.

Por vezes, ansiosa, ainda sigo tentando correr, queria estar lá na frente, ou então, demorar muito num instante precioso, mas não consigo. Sinto que perdi a habilidade de ludibriar as horas. Eu e o tempo agora caminhamos juntos, ele tudo sabe, me olha com reprovação se tento ignorá-lo e gentilmente me acalanta quando não sei pra onde ir.

E desde que fizemos as pazes foi assim, ele traz e tira coisas maravilhosas e eu, com todo respeito, aceito e retribuo carregando um pouco dele em mim, para que ele possa correr mais leve atrás dos que ainda brincam dele fugir.

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