Os Clássicos

Por Leonardo Nascimento

Imagem por Pixabay

Primeiro de tudo: qual o significado da palavra clássico quando aplicada à literatura? O que é um livro dito clássico?Obviamente o objetivo aqui não é convencer o leitor de que os clássicos são melhores ou piores, mas tão somente levantar questionamentos e quiça aguçar sua curiosidade.

Encontramos o conceito de clássico em diversas áreas do conhecimento humano. Fala-se da arquitetura clássica, pintura clássica, línguas clássicas, música clássica, etc. Quando aplicado à música, por exemplo, esse conceito incorpora a música produzida na segunda metade do século XVIII e o início do século XIX. Mas é importante ressaltar que esse “classicismo” não nasceu espontaneamente, foi convertido segundo diversos parâmetros.

Clássica é uma obra artística (ou não) que pode servir de modelo, cujo valor é universalmente reconhecido geralmente ligado as primeiras manifestações de tais obras. Quando aplicamos à literatura, uma obra clássica é aquela que segue determinados padrões estéticos, estruturais e formais. Atualmente tudo o que se refere à clássico tem como parâmetro a antiguidade greco-romana.

No livro Por que ler os clássicos, o escritor Ítalo Calvino nos apresenta aquilo que ele chama de propostas de definição, dentro do que o autor entende como literatura clássica.

“Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer” - Ítalo Calvino
“Os clássicos são livros que, quanto mais pensamos conhecer por ouvir dizer, quanto mais são lidos de fato mais se revelam novos, inesperados, inéditos.” - Ítalo Calvino

Lendo os clássicos estamos aprendendo sobre os padrões, os modelos, verificamos que no todo a literatura não tem nada de novo e vai da criatividade de cada autor reinventar a forma e a estética. A discussão dos clássicos é tão ampla quando pode ser a da arte em si. No fim cada pessoa tem o poder de tornar clássico aquilo que bem quiser, tornando-o seu, segundo os seus próprios parâmetros.

“O “seu” clássico é aquele que não pode ser-lhe indiferente e que serve para definir a você próprio em relação e talvez em contraste com ele.” - Ítalo Calvino