Clássico JuveNal na Javari

Quarta à tarde, 15h, JuveNal na Rua Javari. Horário comercial, então vai quem pode — pelo menos é mês de férias — , até porque, não há nada de especial nas equipes, nem um jogador famoso que já tenha passado por um clube grande no Brasil. Apenas nomes conhecidos de alguns xarás (Camacho, Jô, Jadson, Paulo Vitor, Negueba, Veloso, Ricardinho).

O público de uns 800 torcedores, no pequeno estádio, onde ainda é possível ver o time visitante entrando pela entrada da torcida comum. Passando na sua frente, centímetros, a caminho do vestiário.
Os tempos são outros, alguns deles usam fones no ouvido — sim até na Javari — , em um dos poucos lugares onde o futebol ainda é “raiz”, mas que na Javari ficou meio “cult”. Ainda assim conta-se nos dedos as chuteiras pretas, porque o futebol mudou.
As selfie girls, selfie boys, ainda existem por lá, — sim, até lá — mas em número infinitamente menor que nas Arenas do Palmeiras e Corinthians, Morumbi, Pacaembu e até no Moissés Lucareli.
O público jovem contrasta ao velho na Javari, este que vai dizer que viu Pelé fazer aquele gol lá, o mais bonito na carreira segundo o próprio Rei — por isso há uma estatua do santista no estádio. Vai dizer também que viu o time vencer a Taça de Prata de 1983. Mesmo sem ter visto. O gol você pode ver agora, recriado por computador com os chapéus seguidos.
O moleque novo, e travesso, da nova geração não viu e talvez nunca mais veja um jogador daquele tipo na Javari. Imagina o melhor time do mundo, com o melhor jogador do mundo, jogar na Moóca no estádio que cabem 4 mil pessoas? Messi, C Ronaldo na Moóca?

Coisas do passado. Neste último clássico, o de 2017, 19 de julho, dia nacional do futebol — quem liga pra isso? — deu Nacional.

Hoje o Nacional tem um time um pouco mais organizado e um nível acima do Juventus. Usou o 4–3–3 — desculpa, mas falo das linhas de quatro até se for na Javari — contra o 4–4–2 juventino e Bruno Xavier aproveitou o erro da defesa juventina para fazer 1x0.
No segundo tempo o moleque travesso começou melhor, acertou a trave, mas levou o segundo gol do Nacional, novamente de Bruno.
Para dar um gás ao jogo, entrou Dener no Juve. Ele bagunçou o lado esquerdo da defesa do Nacional, deu caneta, correu, caiu e diminuiu o placar.
Ainda com tempo para o empate os donos da casa tentaram aquecer o jogo, mas na tarde mais fria deste inverno, o Nacional esfriou o jogo e levou os três pontos.
Juventus x Nacional acabou virando um clássico com os anos, até por representar o futebol mais tradicional de São Paulo. Um jogo bem paulistano. O clássico entre as 5ª e 6ª forças da capital — a Portuguesa está querendo brigar pela quinta colocação com eles nos últimos tempos.
Deu Nacional no JuveNal pela Copa Paulista, que mantém algumas tradições, mas mesmo com o ódio eterno ao futebol moderno — como canta uma das torcidas juventinas — é impossível ter o mesmo futebol do passado na Javari.
