Rene Weber fala sobre São Paulo, Bauza, Ceni e mudanças no futebol

Rodrigo Seixas
Jul 24, 2017 · 5 min read
(Foto: Érico Leonan/www.saopaulofc.net)

Renê Weber, ex-meia atacante que trabalhou como treinador, auxiliar técnico — de Paulo Autuori — e outras funções dentro das comissões técnicas por onde passou. O gaúcho de 56 anos tem passagens por Internacional de Santa Maria, Fluminense e América-RJ. Como treinador e auxiliar passou por diversos clubes brasileiros, Japão, Emirados Árabes Unidos e seleção brasileira sub-20.

Em entrevista ao blog falou sobre o os tempos no São Paulo e carreira no Fluminense.

Você já parou de jogar a 25 anos, agora do outro lado, na comissão técnica, quanto o esporte mudou neste tempo

Parei de jogar a 25 anos, nesse tempo muitas coisas mudaram. Embora em tenha jogado cinco anos no Fluminense, e nossa equipe era muito competitiva, acho que nos dias de hoje ainda jogaríamos em ótimo nível. Mas comparar épocas no futebol não se deve, porque é apenas um “achismo”. Mudou a intensidade do jogo, mudaram as ferramentas de controle do treino (GPS, CK* e outros)o que permite controlar melhor os treinos do dia seguinte e da semana.

A nutrição mudou, nós comíamos churrasco no almoço as 12h, e as 17h tinha jogo. Alface era proibido, porque dava “sono” aí veio a modernização… Bife e purê de batatas nas vésperas, e sim podia comer alface. Salada, bife e purê, era o almoço de véspera os treinos eram longos, cheguei a treinar umas 3 horas com uns loucos. Isso mudou bastante hoje. Tive 32 treinadores na carreira, aprendi muito com uma meia-duzia. Quase nada com o resto.

*Exame bioquímico serve para medir o nível de desgaste de cada jogador

O que consegue trazer dos tempos de jogador pelo Fluminense para a parte de treinamentos ?

Trouxe comigo dos tempos de Fluminense boas lembranças e aprendizados. Tive o Parreira como treinador, ele já mostrava slides para ilustrar o que queria. Treinos táticos também, aprendi com ele. Lembro da preleção dele no jogo grande daquele time, contra o Corinthians pela semi-final do Campeonato Brasileiro no Morumbi: ganhamos de 2x0 e demos aula tática, tudo o que ele disse na preleção fizemos no jogo.

Falando em Fluminense, como vê o momento do atual? Os garotos do time, Abel Braga e o desempenho nos jogos?

Abel está fazendo um grande trabalho, fazendo valer a máxima de que em Xérem há uma fábrica de jogadores, mas que a Unimed não usava, pois preferia pagar salários altos e quase faliu o clube. Time jovem vai sofrer no Brasileiro, mas maduro, vai dar frutos

Qual era o papel que exercia no clube como coordenador técnico, era o de “facilitar” a vida de comissão técnica e jogadores?

Eu era coordenador geral de futebol do clube. Tinha cinco funções:

  • Estar no campo dia a dia com treinadores e jogadores e ajudar nas relações.
  • Fazer a ligação com a base, trazer os garotos e inseri-los no processo — só aí o clube arrecadou 30 milhões de euros (David Neres, Lyanco e Luis Araújo) trazidos por mim e a comissão no processo.
  • Aperfeiçoar e controlar o Dep. de análise de desempenho.
  • Ajudar o diretor executivo a avaliar jogadores para contratar ( vieram Calleri, Cueva, Maicon, Gilberto…)
  • Inserir metodologia de treinos na base ( Essa foi a única das cinco funções que não fiz, pois precisava de tempo, e um ano é pouco para isso, no meu ponto de vista).

“Facilitar as relações” todas eram o meu papel nessa função. Fiz bem, pois fui jogador e treinador. Entretanto, com a saída do diretor executivo, Gustavo Viera de Oliveira [ filho de Sócrates], que é um dirigente com mentalidade nova e moderna. Essa ideia no clube ruiu.

Como vê o momento do São Paulo, cheio de problemas, na zona de rebaixamento e vendendo jogadores a todo o momento?

Nesse momento o São Paulo paga o preço por não ter em seu comando pessoas que “são do futebol”, tomam apenas medidas politicas, e não em prol do time. Mas o presidente Leco, vai perceber isso, pois é uma ótima pessoa. Acho que pode solucionar, mas espero que seja logo, do contrário corre risco de cair de divisão.

(Foto: Érico Leonan / saopaulofc.net)

Como foi trabalhar ao lado de Edgardo Bauza? Por que não deu certo no São Paulo?

Trabalhar ao lado de Bauza foi ótimo. Acho que deu certo sim, porque chegamos entres os quatro na Libertadores, e como não havia dinheiro para contratações foi prejudicado. E saiu porque quis, foi simplesmente para a seleção argentina, não é pouca coisa.

Sergio Barzagui/GAZETA PRESS

Sobre Rogério Ceni a passagem do ídolo e a saída dele? Faltou experiência?

Posso falar pouco, porque não trabalhei com ele. Apenas em uma reunião comigo e Pintado, sentamos por 10 minutos. E nada de importante foi falado. Foi uma aventura politica do clube, o São Paulo está pagando alto preço por isso. Não tinha nenhuma experiencia para ser treinador e um clube grande jamais pode se aventurar em algo assim.

O São Paulo trocou muito de treinador nos últimos anos, 15 desde 2009, como vê isso? Osório, Bauza, Doriva, Dorival, Rogério Ceni… Todos treinadores muito diferentes falta escolher uma forma do São Paulo jogar?

É Verdade que o clube errou muito nisso. Em 2013 eu era da comissão técnica do Paulo Autuori, passamos pelo São Paulo e estava tudo desorganizado. Lembrando muito disso quando cheguei, fiz um trabalho ótimo, deixando no final de 2016, um clube, que eu considero, entre os três mais qualificados do brasileiro e com um bom treinador, podia disputar no minimo uma vaga no entre os quatro. Entretanto esse grupo foi desmanchado pelo treinador e contratações foram feitas sem critério. Agora é tentar se manter na primeira divisão, e pensar em 2018.

Marcello Zambrana/Agif/Estadão Conteúdo

Sobre **Pintado no São Paulo:

É uma perda grande que a comissão sofreu. Mas acho que se derem uma função de transição da base ao profissional para ele, vai saber fazer bem. Sem função definida, acho que ele mesmo vai sair.


**Pintado foi desligado do clube na última quinta-feira (20), o ex-funcionário são-paulino afirmou que faltou clareza em relação à sua futura função:

“O clube não quer mais ter uma comissão técnica fixa, saíram todos. No meu caso, quando cheguei ao clube, já existia a ideia de que eu fizesse parte de um novo projeto de integração entre a base e o profissional. Como ainda não era algo bem claro, a primeiro momento, não aconteceu”, disse à Gazeta Esportiva na última semana.

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