Feliz Cidade


Uma orquestra em disparada regida com calmaria pela tênue linha entre saudade e vontade, entre o que vende alegria e o que sorri de felicidade, entre o que vem de passagem e aqueles que, de coração, lhe fizeram morada com a mesma inocência de criança que corre no chão de terra enquanto faz molecagem.

Sabe aquele dia de sol? Não necessariamente um sol escaldante de 40 graus que incinera nossas peles, mas sim um sol…feliz. Sabe? Aquela felicidade que você percebe ao olhar para o céu quando acorda, e vê que ele tá azul, tá bonito, tá sorrindo. Encantou o cachorro e o passarinho. Na rua estão te desejando bom dia e distribuindo sorrisos. Grátis, simples e fácil. O sorriso que acordou a menina preguiçosa com café na cama, ela não sabia que o presente estava debaixo do sofá da sala. Nesse dia, o Sol deu as caras saudando a vida, fez um glorioso brinde com sua grande amiga Dona Felicidade e desejou, do fundo do coração, que ela viajasse por cada um dos quatro cantos da nossa cidade jardim.


Dona Felicidade iniciou então sua árdua jornada de uma nada ávida vida tentando em todos os ciclos, apesar dos vícios e ofícios, uma exatidão, uma conformidade sem necessidade. Cumprindo a promessa que fez com a cidade sem se complicar com a idade. Cumplicidade. Uma orquestra em disparada regida com calmaria pela tênue linha entre saudade e vontade, entre o que vende alegria e o que sorri de felicidade, entre o que vem de passagem e aqueles que, de coração, lhe fizeram morada com a mesma inocência de criança que corre no chão de terra enquanto faz molecagem.

Dona Felicidade faria o possível para conquistar um sorriso em cada rosto, em cada mundo, cada amor e até desgosto. Onde quer que ela coubesse, caberia com gosto e de bom grado seria. Cada qual com seu oposto, sem nenhum laço, cansaço ou verso de amor duvidoso. Passasse a idade, passasse o tempo. Mas não passaria a Dona Felicidade, senhora de idade e alma tão boa que nós aqui custamos a perceber como somos pequenos frente a grandiosidade da vida e do universo, e ainda assim passamos nossas vidas atrás de sua valorosa bênça. Dona Felicidade não passava, pois era eterna. Nem sempre estará presente. Mas coitada, que senhorinha ocupada. O que tem de incrível tem de cansada. Procurada por mim, pelo vizinha, por você, pelo mundo. Um mundo que procura, que reza, trabalha, batalha, que sonha com um pouquinho dela. Dona Felicidade! Onde ela estivesse não importaria a cidade, a classe, a idade. Seria simplesmente, um dia azul. Seria só felicidade. Seria Sol. Feliz Cidade.

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