Eu estou encerrando um período da faculdade, mas queria a faculdade poder encerrar.

Eu entrei na universidade cheio de sonhos, motivado e determinado a fazer com que aqueles anos em que eu passaria no campus fossem os melhores que eu já tinha vivido. Pronto para atravessar qualquer desafio, mesmo que tivesse que escalá-lo com mãos, pés e até meus próprios dentes, do mesmo jeito que sempre fiz em minha vida. Nunca tive medo de lutar pelos meus sonhos, e entrar numa universidade privada para fazer o curso que almejei durante toda minha vida, com certeza era um sonho.

Lutei por ele do jeito que eu disse que faria, e esses anos vividos me colocaram em diversas situações que mostraram o quão amarga a vida pode ser. Embora pareça péssimo, e realmente foi enquanto vivi, isso me permitiu dar ainda mais valor aos momentos doces. Não há nada vivido do qual algo não possa ser extraído, se não for benção, vai ser lição.

E em meu terceiro ano universitário eu acabei percebendo que o ensino superior não era tão libertador o quanto eu havia pensado, não era a válvula de escape, o suspiro após anos sufocantes em um sistema de ensino ultrapassado. A universidade agora parece pra mim apenas mais uma cela com grades banhadas em ouro.

Calejado, cansado, desestimulado e extremamente desmotivado são palavras que definem o meu atual estado na faculdade. O sistema ao qual o aluno é condicionado é desgastante, a ditadura moderna que vive pelos corredores é exaustiva, o sorriso artificial que beira o rosto de todos ao som de passos pesados que mais parecem pedidos de socorro é algo comum a ser visto. E a menos que você queira ser taxado como desagradável é bom que seja mais um a aderir ao costume da falsa felicidade. Ninguém parece se importar de verdade se você está bem, mas sim se você parece bem. Não importa quantas noites passou sem dormir, ou quantos problemas tem atravessado em casa. Não importa se sua jornada de trabalho deixa sua mente esgotada, ou se sem ela você não tem dinheiro para pagar todos os gatos excessivos com materiais e projetos da faculdade. Apenas não importa, você é suposto a passar por isso e com um sorriso no rosto, assim diz a regra.

As salas de aula se tornam lugares do quais você conta as horas para poder sair. Todos aqueles rostos aos quais me acostumei a ver, já nem suporto mais olhar. A equipe de professores é a mesma e a cada disciplina os professores se repetem, e eu sinto como se não houvesse nada que eu ainda quisesse aprender. O curso toma um peso inimaginável quando você não está fazendo o que quer, e é completamente compreensível o número de pessoas que desiste de seus cursos na metade pois já não aguentam aquilo viver. Mas na real isso não faz diferença para ninguém lá, fazer o que ama parece até conversa para boi dormir, o discurso de uma vida segura e financeiramente estável vale muito mais do que sua felicidade e saúde mental.

Costumei ser um dos melhores alunos do meu curso, se não o melhor, completamente proativo e esforçado, apaixonado por tudo que estava aprendendo e competente no que estava me propondo a fazer “se algo precisa ser feito, então que seja bem feito”. Nunca me conformei com o básico, nenhum projeto representou somente a nota pra mim. Eu estava ali dando tudo de mim, estava preparado para absorver tudo que estavam me propondo para me tornar o melhor profissional que eu pudesse. Liderei minha turma e ajudei todos que tinham um ritmo mais lento a alcançar os seus melhores resultados, me aprimorei e estudei não só pelo que ouvia na sala, mas também buscando cursos externos, vídeos no youtube, livros da biblioteca e tudo mais que eu conseguisse.

Ao chegar no ápice de meu descontentamento e desestimulo com a universidade eu já não sou mais nem um terço do aluno dedicado que fui, e como se tudo já não fosse suficientemente desgastante, o fato dos professores se mostrarem completamente indiferentes quanto a minha queda de produtividade, rosto apático e pouco empenho nas atividades só me faz desejar cada dia mais forte que os anos de bacharelado terminem.

Os padrões se repetem, as normas são ditadas, você precisa seguir. Os prazos são claros, as notas precisam ser altas, não é algo importante se você tem dificuldade com a disciplina ou não se adapta ao método do professor, suas necessidade continuam sendo negligenciadas assim como na escola. Seus colegas de turma estão prontos para te passarem a perna, ajuda pode ser algo difícil de receber quando as pessoas somem, ou param de responder no grupo whatsapp se você pede, e um tapinha nas costas pode vir acompanhado de uma facada, então é preciso ser cauteloso.

Numa universidade particular, ou talvez até numa pública, você vale o que você tem. As portas se abrem, as situações se tornam fáceis, desde que você seja “filho de alguém”. Eu, um pobre coitado, vindo de família humilde, esperando na fila do FIES realmente sou ninguém. Você vale o que você veste, sua posição social/econômica fala mais alto do que você, embora nos megafones a hipocrisia soe em alto e bom tom dizendo que não é bem assim, mas cá pra nós, sabemos que é.

Eu realmente poderia citar tudo que me faz não ter vontade de continuar, todas as situações que já que dão gosto azedo na boca só de lembrar. Mas, o resumo disso tudo é que o sonho da universidade em mim já não vive mais. Cada vez mais estou apenas “aguentando” para chegar no fim, pegar meu diploma e não precisar nunca mais voltar naquele lugar. Eu sempre soube que a sociedade é uma maquina de podar pessoas incríveis, até que apenas algumas folhinhas verdes sobrem, te deixando com uma folhagem medíocre até que mais folhas você possa comprar. Na universidade ou fora dela, proteja o que você tem de melhor, crie espinhos se precisar, pois até uma rosa os possui, suas pétalas são algo precioso demais pra deixar que alguém venha as arrancar.

Like what you read? Give Braian Thomas a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.