O que os empreendedores podem aprender com Bruce Dickinson

Braun Conteúdo
Jul 24, 2017 · 6 min read

Um dos maiores frontman da história do heavy metal, conhecido por sua presença de palco teatral, energia e a habilidade vocal, Bruce também foi além da música se tornando um grande empresário.

Paul Bruce Dickinson nasceu em Nottinghamshire em, 7 de agosto de 1958. É o vocalista da banda britânica Iron Maiden. Além de seus trabalhos com música, Dickinson também é ator, roteirista, esgrimista, historiador, piloto e colecionador de tanques de guerra, mestre cervejeiro, doutor em música pela Universidade Queen Mary, empresário no ramo de aviação, diretor de marketing e palestrante.

Em duas passagens pelo Brasil, nas edições da Campus Party — São Paulo (2014) e Campus Party — Minas Gerais (2016), Bruce Dickinson compartilhou as suas experiências e lições para inspirar jovens empreendedores.

Adaptação

Depois que todo mundo passou a baixar música pela internet, o Iron Maiden e outros artistas tiveram um grande problema com a venda de CDs que despencou.

Mas ao invés de criticar a internet e as pessoas que baixavam suas músicas, Bruce Dickinson entendeu que isso era um rumo natural que poderia ocorrer na forma de se consumir musica e a crítica nesse caso foi para a indústria fonográfica:

“Eles não conseguiram acompanhar o que aconteceu depois que a Internet surgiu. Ao invés de perceberem que as pessoas não aceitariam mais pagar pelas mesmas músicas de novo e de novo, eles tentaram impor um modelo de consumo. Quando isso deu errado, acusaram os próprios fãs de roubo. Mandaram gente para cadeia. Mas o erro estava na ideia de que eles podiam dizer como os consumidores deviam se comportar”.

Ele viu a situação de uma maneira diferente:

“Graças a popularização da música na Internet, muito mais gente hoje tem vontade de ir aos shows, e isso dá muito dinheiro. Basta que as bandas façam músicas novas, porque só os fãs mais ardorosos vão ir ao mesmo show mais de uma vez”.

Veja outras opções

Assim como outras bandas, o Iron Maiden apostou em lançar no mercado produtos licenciados que fosse do interesse dos fãs. Em 2013 Dickinson anunciou, para o mesmo ano, o lançamento da cerveja do Iron Maiden, a ‘Trooper ‘, nome de um dos maiores sucessos da banda.

A produção da cerveja ficou por conta da Robinsons uma cervejaria artesanal inglesa. E deu certo. Nos primeiros meses a demanda era de 16 mil unidades por dia no Reino Unido.

“Chegou a hora em que produzir um CD deixou de ser lucrativo, mas as pessoas ainda ouvem a sua música. Então tive a ideia de fazer cerveja, e o que aconteceu é que passamos a vendê-la associada à música. O disco acabava sendo subsidiado pela bebida, porque a mesma pessoa só compra um DVD ou download uma vez, mas quantas cervejas ela bebe? Muitas! E o sucesso da cerveja vem da fama da música!”.

Outra ideia

Os integrantes da banda são fanáticos por futebol. O baixista Steve Harris antes de entrar para a banda, chegou a jogar na categoria de base do West Ham. Bruce Dickinson já pilotou o vôo que levou a equipe escocesa do Glasgow Rangers para uma partida da copa da UEFA.

Para continuar lucrando com a imagem da banda, fora a venda de CDs, Bruce Dickinson transformou essa paixão da banda em produto. Na copa de 2014 o Iron Maiden lançou suas próprias camisas de futebol.

SEJA CRIATIVO

Para Bruce Dickinson, exercitar a criatividade é o que ajuda a mover os negócios.

“A melhor forma para ser criativo é ter tempo à desperdiçar. Quando está ocupado, você não tem tempo para deixar sua mente relaxar. Quando você é criativo em tempo integral, nunca desliga, mesmo que esteja sentando num ônibus, num trem, indo à algum lugar, você está fazendo alguma coisa“.

Bruce usou sua criatividade empreendedora para resolver uma adversidade da banda.

“Nós tínhamos um problema com o Iron Maiden. Eu tive uma ideia maluca. Imagine se nós colocássemos os equipamentos da banda num avião só, mais os nossos assessores? Nós queríamos viajar por todos os lugares que a gente sabia que havia muitos fãs do Iron Maiden e nós sabíamos que eles nos queriam ver. Imagine se nós tivéssemos nosso tapete mágico? É uma maneira nova de pensar. Nós não precisamos fazer reserva, nós temos o nosso próprio voo. As pessoas acham muito difícil pensar fora da caixa. Você pode ter uma despesa grande, mas tudo isso some quando se tem seu próprio tapete mágico”.

Eddie Force One, Boeing 747–400 pilotado por Bruce Dickinson

Criatividade econômica também

O Iron já passou pelo Brasil e outros países das Amércia do Sul em 2008, 2010, 2016 e em 2017 novamente. O motivo por vir tantas vezes? Bruce Dickinson, antenado no ramo da aviação, percebeu que, durante uma época do ano, as empresas aéreas abaixo do equador ficavam com mais de 30% da frota parada e isso abaixava o valor do aluguel da locação de aviões.

“Pensamos bem e decidimos que poderíamos usar essa diferença de preço para fazer um tour muito mais barato que o normal, unindo esses lugares com aviões parados. Todos os integrantes do Iron Maiden concordaram e então decidimos que onde o avião parasse, a gente faria um show. E essa diferença nas localidades fez a nossa base de fãs crescer de uma forma que as outras bandas não entendiam”, disse Dickinson.

NÃO TENHA CLIENTES, TENHA FÃS

Assim como com a sua banda Bruce Dickinson não queria clientes, ele queria fãs:

“Ninguém quer ter clientes. Eu odeio clientes porque eles têm escolha, podem sempre ir para outro lugar. Quando um fã entra numa loja de rock, você sabe que ele vai comprar alguma coisa porque ele entrou na loja. Um cliente fica em dúvida. Precisamos ter fãs”, disse Bruce.

Para Bruce, as empresas precisam estreitar o relacionamento com seus consumidores para que eles se tornem fãs do seu produto:

“Você não vende um produto, você vende um relacionamento com o consumidor.”

Como exemplo ele citou a Apple:

“Por que as pessoas compravam computadores da Apple? Porque eles eram fãs. A Apple é uma religião.”

“O relacionamento é chave daquilo que o Iron Maiden tem com todos os seus fãs. È por isso que eles não são clientes. A nossa plateia e o nosso público estão cada vez maiores. É como se fosse uma máquina de movimentação contínua. Você faz com que a vida dele esteja melhor, estando dentro da vida deles. Isso que se faz com o negócio, você está vendendo ou fornecendo um relacionamento, um bom relacionamento”.

Iron Maiden no Alians Parque, São Paulo — 2016

Segue trecho da palestra de Bruce Dickinson na Campus Party 2014.

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