Chuva

B. Rodrigues
Aug 24, 2017 · 3 min read

Acho que chuva é o tema mais presente em quase tudo que eu já escrevi. Poemas, histórias, músicas, versinhos… Quantas vezes a chuva não se mostrou presente? Seja ela garoa, chuvisco, chuva mesmo ou tempestade. Temporal atemporal, sempre presente no cotidiano e nos meus versos.

A chuva é atemporal mesmo. Você imagina um mundo sem chuva? Sem tristeza ou sem pesar? Impossível, só se sabe quão bom é o doce quando comemos o amargo, o azedo, o salgado.

E nós sabemos como a chuva toca nossa pele. As vezes queremos evitar, debaixo de nossos guarda chuvas, marquises e tetos, olhando tua beleza por uma janela embaçada. As vezes queremos que ela nos toque, nos molhe, nos lave. Que a nossa alma seja lavada pela torrente de água; e de sentimentos.

Quem nunca correu na chuva para evitar perder aquele ônibus demorado, que se molhou em vão em troca de nada, em troca de água? Quem nunca pulou de cabeça em um relacionamento sem saber nadar e acabou se afogando? Se afogando na chuva de lágrimas que ela mesmo produziu.

E quem nunca correu pela torrente para tentar roubar um beijo? Molhado como os seus corpos, onde não se importava mais as roupas ou as convenções, e sim a mistura do toque gelado com a pele quente. Conseguindo ou não, seria algo que todos devemos tentar: ver a chuva com bons olhos. A chuva que nos atrasa é a que nos traz vida: Deixa ela escorrer pelo teu rosto e tirar todas tuas inseguranças.

A tempestade que esconde as lágrimas e a garoa que aviva a terra, dois lados da mesma moeda. O que seria da alegria sem a tristeza? O que seria de mim sem você?

Fica aqui mais uma poesia minha, mas dessa vez de uma possível mixtape que eu comecei a escrever faz pouco tempo ❤

Pesado

A chuva cai no telhado
Molhando os boné de lado
Mas os moleques não param
Continuam no improvisado
6 da manhã ou da tarde já é rotina
Mais um tio na jogatina
Mais uma dose de pinga

Sua alma é tua inimiga
Vai enfrentando sua sina
Na cidade que te ensina
Quem não madruga, matina
Ou patina
E é jogado para a matilha
O lobo do estado mira louco pra tirar sua vida

Como o tempo passa, ele voa
Disse Tonico e Tinoco nesse tempo que destoa
Porque a garoa
Antigamente diária, é esparsa
Abriu espaço pra essa torrente amarga

Que Leva tudo que é seu
Sonhos que viram breu
Não tinha nada e percebe
Agora o quanto perdeu

Por que eles ditam o que você tem que ser
Não deixe de perceber o que eles fazem com você
Deixam o peixe perecer só pra poder te dizer
“Tu não fez pra merecer”, pra fome forte te bater

Esses Vampiros comédias que sugam das suas artérias
Falam que a meritocracia te deixa abaixo da média
A Guilhotina te espera e o esmo que desespera
Estão puxando suas rédeas bem pra de baixo da terra

Te Dizem “Ensine a pescar”, tragédia!
Eles tem rede isca e barco, a gente pesca com pedra

Vamos em frente, latente saber semântico
Entoando o meu cântico, me livrando do trânsito
Transito entre o romântico e o nuclear quântico
Desse lado do Atlântico não tem tempo pra pranto tio

Quando a água cai, tráfego para, a cidade não
Que essa chuva inunde o coração
Lave meus olhos, e que tudo fique claro
Enquanto a gente vive mais essa Chuva de São Paulo

)

B. Rodrigues

Written by

ENFP, Futuro Diplomata, Jogador de Futebol Americano #10, Cantor, Compositor, Podcaster e nas horas vagas, humorista

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