Olhar nos olhos

Como resistir à tentação de conferir as notificações do celular? Pode ser algo inútil, mas também pode não ser. Na verdade não sei ao certo o que estamos esperando na expectativa de cada aviso sonoro de nossos smartphones. Mas independentemente do nível de futilidade de nossa interação virtual eu preciso admitir: é muito interessante viver olhando para essas pequenas telas de retina.

Mas passei a perceber que são frequentes as vezes em que as coisas passam desapercebidas por nós e que seria bom levantar um pouco mais a cabeça. Eu parei para refletir sobre isso e cheguei à conclusão de que deveria olhar mais nos olhos enquanto falo com outros, demonstrar interesse, responder com menos palavras monossilábicas e ser uma interlocutora melhor.

Tem momentos que são tão preciosos, mas que a gente acaba os subestimando ao frequentemente negar-lhes a exclusividade merecida. É bom olhar para o outro enquanto ele fala. Sentir, observar, interagir, viver as coisas por completo. Boa parte de nós somos reféns da inteligência artificial em nossos trabalhos. Passamos o dia diante de máquinas, para cumprir prazos e entregar tarefas. Quando essa jornada termina, o mínimo que podíamos desejar é ver pessoas em carne, osso, alma e coração. Ao invés de enxerga-las em pixels e de trocar palavras criptografadas.

A verdade é que quem está ali conosco, seja todos os dias, uma vez na semana ou no semestre, tem coisas para mostrar, segredos para contar, coisas a serem descobertas e momentos para serem compartilhados. Pois se estão na nossa vida é porque querem estar. E devem, portanto, ser observadas, apreciadas, encontradas, enfim. E com certeza merecem a nossa total atenção, caso contrário, esse tempo vai passar desapercebido e não sabemos quando e nem como teremos outra oportunidade de viver tudo de novo.