ESP: A direita que nega a realidade — Parte 2. Culpar a vítima é monstruosamente imoral.

Este é o segundo artigo, de um total de três, a respeito de um texto de Andre Mazzeto, professor, de direita, que afirma ser contra o projeto escola sem Partido. Se você não leu a primeira parte, ei-la: Parte 1

Neste segundo artigo, não estamos respondendo PESSOALMENTE à Andre, pois a argumentação apresentada por ele é muito comum e amplamente usada por opositores do projeto. Portanto, usaremos a argumentação dele como base de uma resposta em amplo espectro:

Se você, aluno, ouve tudo o que seu professor, seja ele militante / doutrinador ou não, acha que está certo e toma aquilo como verdade absoluta, tem algo muito errado com você (…) você merece ser doutrinado e servir de massa de manobra.

Aqui presenciamos uma técnica de transferência de culpa. MORALMENTE NINGUÉM MERECE SER DOUTRINADO. Ninguém merece ser abusado nem fisicamente, nem intelectualmente. 
A questão do “senso crítico” deve ser observada com muita atenção. Primeiro porque ela não está acima da norma constitucional (a neutralidade politico- ideológica apresentada no artigo anterior) a que professores estão submetidos. Ademais, nem todos alunos estão em idade de formar uma opinião crítica ao que lhes é dito. A doutrinação a que estão sendo submetidas crianças de 3 a 10 anos de idade são as mais abjetas e danosas, tanto constitucionalmente como moralmente.
E não nos esqueçamos daquilo que já combatemos no passado — coordenado pelo MEC, com dinheiro público, e aceito por professores militantes:

Mas é digno de nota uma consideração que Andre deixa escapar: Se segundo ele existe algo de muito errado com um aluno que toma como verdade absoluta o que lhe é dito por um professor, o que dizer de um professor que toma suas próprias opiniões como verdades absolutas e as transmite dessa mesma forma à seus alunos?
 A pergunta é pertinente porque este argumento de Andre não é novo, na verdade tenta equiparar a experiência crítica de um aluno à de um professor… é claramente uma FALSA SIMETRIA. O adulto em sala é o professor, é óbvio que ele é quem deve se policiar em suas falas muito mais do que aluno deve se policiar na aceitação do que lhe é dito. Há algo de MUITO PERTURBADOR com professores que usam sua posição para transmitir “verdades absolutas” à seus alunos, principalmente se estas são politico-ideológico-partidárias em um ambiente onde estes alunos não podem se dar o luxo de simplesmente lhe darem as costas sem qualquer prejuízo. E é justamente isso que o Escola Sem Partido aponta.

Quando um pai ou mãe, me diz que seu filho(a) está sendo doutrinado na escola, tenho dois pensamento imediatos: 
1) Você acha que seu filho(a) é uma samambaia;
2) Você não educou seu filho(a).
Mas, peraí, educar é papel da escola, não é? Sinto informar, mas não. Educar é seu papel. Você está confundindo educação com escolarização.
Cada um tem a sua parte de “culpa” na doutrinação que pode ocorrer.

É notório que Andre demonstra não ter capacidade de se indignar moralmente, e isso o levou a ignorar que quando pais dizem que seu filho está sendo doutrinado são na verdade 4 situações prévias a se considerar:

1) A neutralidade constitucional está sendo quebrada.
2) O professor não deveria estar fazendo isso.
3) O aluno em questão é uma vítima, pois naquele momento ele está sob a tutela do estado, e sob responsabilidade do professor.
4) O professor está quebrando o contrato de confiança com a comunidade da qual a classe de professores no geral é bem vista.

Mas Andre ignora tudo isso para equalizar a culpa entre pai e aluno, e é aí que entra a tese do “eu venci” já apontada. Em sua concepção o pai pode dar de ombros a estes 4 itens acima citados e se infligir auto penitência. Não suficiente, também joga a culpa da confusão entre “educação X escolarização” aos pais. MAS ESSE CONCEITO NUNCA SE ORIGINOU DOS PAIS… é parte integrante do ministério da educação, por meio da pedagogia freiriana. O fato de Andre relacionar no mesmo parágrafo a doutrinação e o conceito de “educação / escolarização” é a demonstração inequívoca de que essa confusão tem como objetivo doutrinar alunos, usando a desculpa de que “na verdade se está educando ou estimulando o senso crítico”

É como afirmar que uma criança vítima de abuso sexual, inserida em um ambiente que propicia esse abuso (pela obrigatoriedade de permanência) e praticada por ente de autoridade (que naquele momento tem pelo menos o mínimo de influência em seu comportamento) é culpada de seu infortúnio por “falta de interesse” em saber como não poderia ser abusada.

Ah, comparar educação com abuso sexual é um belo de um exagero da sua parte.

Muito pelo contrário.
Andre tem ciência de que educação e ensino são coisas diferentes, e que cabe aos pais o primeiro, e aos professores o último. Quando esta “educação” é assumida pelo estado, num processo alienante (dos pais) e de forma obrigatória (aos filhos)… abuso sexual é a descrição perfeita do que é a doutrinação:

  1. Temos crianças em situação de vulnerabilidade intelectual em um ambiente onde são obrigadas à se manter fisicamente (‘audiência cativa’) o qual a ausência provocada acarreta em dano acadêmico para elas.
  2. Essas crianças em situação de vulnerabilidade intelectual estão sob a tutela de um adulto (que NÃO é seu pai ou mãe) o qual tem poder de influência intelectual sobre elas (O que doutrinadores chamam de “educação para senso crítico e liberdade de expressão”)
  3. Mesmo tendo conhecimento de seu dever, da neutralidade ideológica e constitucional do estado, esse adulto abusa deste poder, influenciando a criança a determinado tipo de comportamento que lhe convém, e que ela normalmente não teria sem sua influência direta (exemplo: ir em manifestação X, atacar político Y, invadir escola, etc).

Ora, o aluno está em um ambiente de aprendizado, esse ambiente determina que ele está ali para APRENDER, aprender DE ALGUÉM, e supostamente esse ALGUÉM SABE MAIS QUE ELE para poder ensinar-lhe… portanto essa pessoa DOMINA um campo de conhecimento o qual o aluno não apreende. Nem é preciso ir mais longe para inferir que isso significa AUTORIDADE INTELECTUAL, ou seja, o professor é a parte que detém suas percepções intelectuais formadas o suficiente para escolher aplicar, ou não, a doutrinação.

É exatamente por isso que doutrinadores de toda sorte tentam negar a doutrinação (item 3), pois eles sabem que os itens (1) e (2) são irrefutáveis.
 Andre por sua vez não nega a doutrinação, afirma que a venceu. Ele somente ainda não compreendeu que mesmo tendo “vencido” ele ainda foi uma vítima, e a influência desta doutrinação se mostra no momento em que ele se esquiva de uma crítica moral à doutrinação — para avaliar a “culpa do aluno” e a “culpa dos pais”.

Fica aqui novamente ao leitores uma dica de leitura:

http://www.livrariacultura.com.br/p/maquiavel-pedagogo-30744684

Na terceira e última parte, vamos considerar a argumentação que se restringe aos professores e políticos do artigo de Andre. O assunto é um pouco extenso e complexo mesmo, aqui no brigada nos esforçamos em situar o leitor por meio de recursos externos (links, artigos, citações e vídeos). Adotamos esse tipo de análise para que o material aqui produzido sirva de referência. Então até o próximo artigo!

siga-nos e compartilhe: facebook.com/brigadapolitica/