ESP: A direita que nega a realidade — Parte 3 (final). Nada justifica a doutrinação escolar, nada.

Este é o terceiro e último artigo, a respeito de um texto de Andre Mazzeto, professor, de direita, que afirma ser contra o projeto escola sem Partido. Se você não leu a primeira e segunda parte, ei-las: Parte 1 e Parte 2.

Neste artigo respondemos à parte em que Andre se refere exclusivamente a professores e políticos, inserimos alguns questionamentos realizados em nossa troca de mensagem, e por ultimo fechamos com um resumo. Boa leitura:

Sim, você tem todo o direito de mostrar sua posição ideológica dentro da sala de aula. Você pode falar que é do PSTU, do PSDB, até da PQP…enfim, de qualquer partido, mas você tem que ensinar capitalismo e socialismo da mesma forma.

Um professor apenas se identificar como petista, tucano, religioso ou feminista é completamente diferente de escrever “Não vai ter Golpe”, “Vote serra presidente”, “Vamos orar” ou “libere o aborto” no quadro negro para seus alunos.
Sobre “ensinar capitalismo e socialismo da mesma forma” vamos responder com uma imagem, porque como diz o ditado… “uma imagem vale mais do que mil palavras”:

Você pode ser religioso, declarar e mostrar isso para os seus alunos, mas você tem que ensinar a teoria da evolução sem piadinhas internas.

Concordo. O mesmo deve ser dito à professores ateus que costumam fazer piadinhas com religião e religiosos, bem como induzir ojeriza à seus símbolos de fé .

Pode ser polêmico sim. Aliás, deve. Aulas polêmicas são aquelas que mais ficam marcadas nas mentes dos alunos.

A ingenuidade deve ter limites, caso contrário pode ser vista como má fé. Como demonstrado nos dois artigos anteriores, bem como na maioria dos artigos do brigada sobre o assunto, doutrinação não tem a ver com “polêmica”. Inclusive essa palavra pode ser adicionada ao rol de negações dos opositores do projeto. Já usavam “senso crítico”, “liberdade de expressão” e agora poderão usar “polêmica”. Imagine só distribuição em rede pública de um livro infantil para crianças de 7 a 9 anos incentivando masturbação infantil… aí se alguém reclama, se afirma que a intenção era “gerar polêmica, e estimular o debate”. É leitores, é esse o nível da escória a quem estamos enfrentando.

Senhores eleitos pelo povo brasileiro, a educação tem tantos problemas, mas tantos, que o que a gente menos precisa é vocês criando mais um.

De todo o seu artigo, Andre não demonstrou em nenhum momento porque o Escola Sem Partido seria um “problema” criado por “políticos”. Ele apenas afirmou que FOI DOUTRINADO, “venceu”, e que por isso alunos e pais tinham tanta culpa na doutrinação quanto um professor mal intencionado, parte de um sistema de doutrinação ideológico partidário promulgado pelo estado —e contra a constituição.

Pegue qualquer ranking sobre qualidade de educação no mundo, vá até o fim da lista e encontre seu país lá, nas últimas posições.

E isso seria culpa exclusivamente de políticos? Não devemos nos esquecer de que as últimas posições são do ranking de EDUCAÇÃO. Existem mais professores do que políticos em nosso país. Ademais esses rankings são da “educação BÁSICA”. É óbvio que dado à alta porcentagem de imposto aliado ao alto nível de corrupção existentes em nosso país, que a educação não recebe investimento financeiro, e isso é uma das demandas incluídas na luta contra a corrupção — contexto histórico pelo qual passa nossa nação… entretanto, político algum em nosso país tem a função de ensinar crianças a ler, escrever e fazer contas matemáticas. Se estamos falhando na educação BÁSICA, então é racional admitir que existe um problema NO CERNE de nossa educação, e também em sua metodologia. O Escola Sem Partido aponta parte deste problema.

Convenhamos, com a situação atual do sistema educacional, ninguém vai ficar monitorando se o professor está doutrinando ou não

A enorme quantidade de material flagrante em sala de aula mostra que Andre está enganado. Essa é também uma negação referente à nossa situação tecnológica atual onde qualquer celular possui condições de efetuar gravações não profissionais. Inclusive muitos professores tem gravado suas próprias aulas como complemento digital, e uma forma segura de demonstrar que o conteúdo da matéria não sofreu desvios — é uma consequência da era digital.

Eu só não concordo com a sua falta de “fé” nas crianças / adolescentes.

Antes de sorte, fé, ou qualquer outro fator externo, esta é uma questão CONSTITUCIONAL do DIREITO destas crianças / adolescentes. Essa constituição foi assim escrita para proteção delas. Quem a escreveu entendeu que não deveria contar apenas com “ a fé” para que elas não fossem prejudicadas através de aparelhamento estatal.

Da minha turma de 40 ou 50 pessoas do “colegial”, eu posso contar nos dedos de uma mão os que foram doutrinados e assumiram a postura esquerdista do nosso professor de história.

Assim como você elas terão ainda mais muitos anos de doutrinação para “vencer” a doutrinação, ou sucumbir a ela. Esse ainda é um desvio para NÃO DEBATER A DOUTRINAÇÃO em si mesma. Não é porque o abuso afetou poucas pessoas segundo o seu julgamento que devemos ignorar a existência do abuso, ou contar com a fé para que alunos “vençam no final”.
 
Sendo assim, finalizamos este artigo também com um resumo, contra ponto ao oferecido por Andre em seu artigo:

  1. Ter alunos “desinteressados” na aula, não é motivo para doutriná-los, assumindo uma postura contra a neutralidade ideológica do estado, promulgada pela constituição federal.
  2. Pais ausentes não é motivo para doutrinação, uma vez que a convenção americana de direitos humanos protege os valores morais originários da família destas crianças. Mesmo que um pai seja irresponsável isso de maneira alguma valida a irresponsabilidade de um professor perante à lei.
  3. A doutrinação é fundamentalmente uma ação de professores autoritários que não estimulam o debate e seguem uma AGENDA sistemática e metódica, com o apoio de ideólogos instalados em posições de manter esse sistema. Sabemos que não são todos os professores que se enquadram nessa descrição.
  4. Políticos mal intencionados não são os responsáveis diretos pelos péssimos níveis de educação básica, uma vez que esses níveis não se limitam à fatores de investimento financeiro, mas à teste de conhecimentos básicos aplicados a um país que afirma ter Paulo Freire como seu “patrono” da educação.

Liberais, pessoas de direita ou de qualquer outra vertente política precisam ENCARAR A REALIDADE DE QUE NADA JUSTIFICA a doutrinação escolar.

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