5 coisas que mudaram quando eu aboli a televisão da minha vida

Todo mundo que vai em casa pergunta “não tem TV na sala e nem no seu quarto?”.

E mesmo quem não vai em casa, acaba descobrindo quando o papo sobre a novela começa na roda de amigos…

E por isso eu resolvi escrever este texto para contar como é a experiência de não ter TV em casa.

De antemão, já respondo aos dois principais questionamentos:

Eu sou alienada por isso? De jeito nenhum!

Eu me divirto menos? Muito pelo contrário…

Tudo começou quando eu me mudei (há 1 ano) e deixei a TV como última prioridade na hora de mobiliar o apartamento.

O resultado: não sobrou dinheiro e eu deixei para o “próximo mês” (próximo mês este que não chegou até hoje).

No começo era uma questão mais financeira e de prioridades mesmo. Até que eu percebi o quanto a minha vida mudou e resolvi manter esta decisão.

Um ano depois, resolvi compartilhar como foi/está sendo esta experiência e listar as principais 5 mudanças que ocorreram na minha vida neste último ano. Confira abaixo. ;)

1. O sensacionalismo foi filtrado (não excluído) da minha vida: com a força atual das redes sociais e internet como um todo, ficar sem TV não significa alienar-se completamente das polêmicas e até do sensacionalismo, ainda mais em ano de eleição, crise financeira, impeachment e etc. O que muda é a exposição à tudo isso: na internet, há maior propensão em filtrar os assuntos que quero ver , então deu para cortar muita coisa ~inútil~ do meu dia a dia e eu só ganhei com isso.

2. Autoconhecimento: passei a administrar melhor as minhas vontades e interesses, que antes eram muito mais pautados pela mídia do que por aquilo que realmente me interessa. Esta frase fala por si só, não é mesmo? Como disse no item anterior, o fato de poder filtrar a informação me fez perceber que, muito do que eu achava gostar, na verdade havia sido imposto pela mídia de forma tão natural que se fundiu com meu gosto pessoal. E foi assim que, neste último ano, eu aprimorei meu estilo musical, descobri os gêneros de entretenimento que mais me agradam, estudei temas de extrema importância para o mundo que hoje possuem pouquíssima (ou nenhuma) visibilidade nos noticiários.

3) Encontrei parte do tempo escasso: vivemos o período de excesso de informação e escassez de tempo, onde evolução da tecnologia deste mundão globalizado é um dos principais (se não o principal) fator responsável.

Acredito que nossa principal tarefa - e dificuldade - está em filtrar toda esta informação para que se torne útil e condizente com os nossos propósitos. Dentre todo o leque de opções, eu retirei do meu cotidiano o que era menos importante naquele momento. Um dos resultados disso foi mais tempo para ler, ouvir música, dormir, sair com os amigos e menos competição na hora de assistir algum programa, já que hoje vou direto ao Netflix sem precisar recorrer à outros canais.

Observação importante: só vejo Netflix no iPad ou notebook! Nada de televisão mesmo que seja só para usar o aparelho….

4. O autodidatismo e a curiosidade ganharam a vez: quando a mídia não vem até você, você precisa ir até ela! Com isso, eu tive que me forçar a ler alguns feeds diários, comecei a filtrar notícias no Twitter, criar boards em aplicativos no celular e correr atrás do que está acontecendo no mundo para não ficar alienada - até porque a minha profissão exige um alto nível de ligação com o que está acontecendo ao redor.

5. Perdi o interesse em polêmicas banais e fofoca sobre as celebridades: com esta necessidade de ir atrás do que é realmente relevante, foi natural eu me desligar de fofocas, de alguns modismos que as novelas lançam. Claro que me exige por outro lado um esforço maior para ficar por dentro da grade da TV (já que eu trabalho com mídia), para acompanhar a CARREIRA (leia-se carreira e não fofoca) de celebridades que possam ser porta vozes das marcas que atendo. Mas mesmo dentro da minha necessidade profissional, eu consegui filtrar o que é realmente relevante.

E o balanço disso? O principal aprendizado deste 1 ano é que eu provei na pele que tudo muda quando você muda.

Não é sobre ser a favor ou contra à televisão, nem sobre tentar convencer as pessoas a não assistirem mais.

Até porque, como publicitária, eu ainda acredito muito na sua força como principal meio de massa. Nunca tive outro pensamento além deste. Só não tinha mais espaço para ela na minha vida.

E que minha rotina mudou porque eu pude focar em outras prioridades e praticar um pouco de desapego do socialmente “correto”. Desapego este que venho buscando não só através da TV, mas também no meu consumo, seja comprando mais roupas em bazares do que em lojas de shopping, incentivando o comércio local do meu bairro, me tornando satisfeita tecnologicamente mesmo sem ter o melhor smartphone do mercado e por aí vai…

Espero que tenham gostado! Não deixe de dar sua opinião e me escreva se houver interesse, opiniões e histórias compartilhadas são sempre muito bem vindas.

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