# Gente como a gente

Eu sempre gostei de ler e escrever.

Desde criança estes eram os meus hobbies. Até porque eu não tinha afinidade com mais nada: esportes/ dança/ artes simplesmente não eram — e continuam não sendo — a minha praia.

E assim eu ficava extremamente feliz ao ganhar um caderno, um diário, um estojo novo cheio de canetas.

E então eu sempre sonhei em ser escritora. Depois sonhei em ser blogueira: mais fácil, mais rápido e poderia ser um degrau para o outro sonho de ter meu próprio livro um dia.

~Pula para os dias atuais~

E aqui estou, colocando este projeto em prática só agora, graças ao meu inestimável dom de começar mil coisas e não terminar nenhuma. Até aproveito este momento para dizer que tô bem orgulhosa (e até surpreendida comigo mesma) por este ser o 8º post do Medium. \o/ #dessavezvai

Mas fora isso, uma das coisas que me desencantou sobre sobre o mundo dos blogs é a falta de realidade que existe neles.

Eu quero ser blogueira, mostrar meu looks do dia, contar por onde eu ando. Mas acontece que na maioria das vezes o meu look consiste em camiseta amassada, calça surrada e tênis velho. E nem sempre (ou quase nunca) estou com o cabelo perfeito digno de propaganda de shampoo. E por onde eu ando consiste bastante no trajeto casa-trabalho-trabalho-igreja-restaurante-casa. Que glamour há nisso? Quem vai me acompanhar?

Entendo que muita gente ache que de real já basta a própria vida, por isso vale mais seguir pessoas com realidades diferentes, que te levam para longe da sua própria rotina.

Mas e se a gente começasse a olhar de uma forma mais interessante para a nossa própria realidade? E se parássemos de olhar para a grama verde do vizinho? (Que só é mais verde que a sua porque ele passa o dia inteiro regando!)

E se alguém postasse looks do dia como ele é: roupas à prova de metrô lotado e calçada esburacada. E considerasse os fatores externos como chuva que estraga o cabelo, calor que derrete a maquiagem, frio que resseca a pele?

E sobre frequentar bons restaurantes, que tal mostrar aquele milho que você come na barraquinha antes de entrar na faculdade? E aquele lanche que você acaba comendo em casa porque é fim de mês e tem que economizar?

E o clichê do Inteligência > Beleza? Que tal contar sobre quantas horas você dorme por noite porque está focada na carreira, nos estudos, no casamento, na criação dos filhos? E que sua maior arma contra a olheira é conseguir dormir 7 horas por noite e não só aquelas miseráveis 4 horinhas (ou até menos que isso)?

E se você não precisasse se sentir mal por sair sem maquiagem, sem salto, sem grife, sem barriga chapada?

E não é sobre ser contra quem usa maquiagem, salto, grife ou faz academia, até porque eu gosto de alguns destes itens. A questão é que eu quero gostar simplesmente porque gosto (!!!), e não porque a mídia me impõe ou porque, para ser blogueira/ digital influencer (há)/ qualquer coisa do gênero, eu preciso disso como pré requisito.

Eu adoraria ver mais gente como a gente pelas mídias. Não tão bonita, não tão atlética, talvez nem muito glamorosa. Mas gente de verdade. Que é espontânea, cotidiana. Talvez até meio insegura, mas que, na maioria das vezes é alguém real, carne e osso mesmo.

Das personalidades digitais atuais, eu tenho UMA figura preferida.

Ela é bonita, inteligente, engraçada. Eu a vejo como uma mulher forte e moderna, com um dom incrível de escrever de forma simples e clara o que está lá no fundinho da nossa alma. Ela é a Ruth Manus.

Elogios à parte, que poderia fazer por horas aqui, eu preciso contar uma coisa sobre a Ruth (miga, eu te adoro muito, então não me odeie, pls?): ela palestrou no TEDx São Paulo e seu discurso foi maravilhoso — indico que todos assistam porque o conteúdo é realmente muito bom.

Mas o que eu queria contar é que durante sua apresentação, ela levantou o braço e ele balançou!!!! É isso mesmo, o braço dela balançou, aquele balançinho que acontece com o braço de gente que normalmente não tá em busca do corpo perfeito. Sabe?Eu o apelidei carinhosamente de braço típico de #gentecomoagente.

E isso me deixou feliz. Não me deixou feliz só porque eu tenho o braço molinho e me confortei porque o dela não é muito melhor do que o meu. Me deixou feliz porque mostrou que, para ser inteligente, bem sucedida e bonita, você não precisa (nem deve) ser perfeita.

Ela estava ali, provavelmente realizando um sonho, representando muitas mulheres com o seu discurso.

Ela não precisou ser perfeita para chegar lá. E isso me dá coragem para continuar.

Coragem para não me sentir a pior das mortais por não conseguir ir para à academia, devido a uma rotina insana de jornada dupla de trabalho + estudos + responsabilidades + momentos de diversão (que inclui sair da dieta) e por aí vai.

Coragem para me permitir sentir confortável no meu corpo, no meu cérebro, no espaço que ocupo no mundo.

Coragem para admirar outras pessoas além daquelas que estão nos moldes padronizados da sociedade.

Coragem para continuar lutando, pensando, escrevendo e expondo por aí o que eu penso e faço. Sem medo do que vão achar. Porque aquilo que eu sou, diz mais respeito à mim do que aquilo que eu aparento ser.

Finalizo dizendo que:

1) Não odeio blogueira nenhuma — pelo contrário, até sigo e gosto de algumas.

2) Ruth, querida. Você me inspirou não só pelo seu discurso, mas por se deixar permitir ser uma mulher real. Obrigada por ser tão maravilhosa, inspiradora e ao mesmo tempo mostrar que é #gentecomoagente!