O conceito Hobby Pool e sua relação com propósito de vida

Você sabe o que é Hobby Pool e como ele pode te ajudar a responder questões existenciais relacionadas à sua carreira e atividades que designa?

Dias atrás, enquanto almoçava com uma amiga, daquelas com quem a conversa flui de forma profunda, ela descreveu um estilo de vida de forma tão clara que tangibilizou algo que eu já vivia, mas não sabia explicar para ninguém.

Em nossos papos, um caminho comum é chegarmos sempre àquela mesma angústia clichê-que-todo-mundo-da-nossa-geração-está-passando mais conhecida como PROPÓSITO.

Nós, jovens da geração Y, temos enfrentado uma árdua e incansável batalha contra nós mesmos, pautada em questionamentos relacionados ao rumo que nossa vida tem tomado.

Falando sobre esse assunto, me veio à memória a canção Já É do Lulu Santos. Embora eu não goste tanto do cantor, a letra caiu como uma luva. ;)

Fomos criados por pais que batalharam para alcançar a estabilidade financeira, ralaram em empresas onde ficaram praticamente a carreira toda e nos ensinaram que “chegaríamos lá” quando nossas vidas se resumissem a um success pool (conjunto de conquistas) recheado de diplomas, cargo gerencial em multinacional, casa e carro próprios, casamento, filhos e (poucas) coisitas más.

Acontece que, como boas crias que somos, seguimos exatamente (ou parcialmente) a cartilha ditada por eles e…

SURPRESA!

Ao mesmo tempo em que enchemos nossos pais de orgulho, nos tornamos infelizes, frustrados e com a sensação de fracasso, afinal, se fizemos tudo direitinho, como é que fomos chegar ao ponto nada satisfatório em que nos encontramos hoje?

O que acontece é que o mundo mudou e nossas necessidades também mudaram.

Aquilo que satisfazia a geração anterior não é mais suficiente para nós, assim como nosso estilo de vida não será ideal para a turma seguinte da Geração Z, que, em breve, começará a bater as cabeças por aí também.

Por mais que hoje eu esteja aparentemente resolvida com minhas questões existenciais, ainda é uma luta diária se reinventar e alinhar minhas próprias expectativas em um mundo (e em uma mente) que mudam o tempo todo.

Sim, eu já quis largar tudo (às vezes ainda quero), já reclamei, chorei, culpei meus pais, já tive crises, fiz muita terapia e descobri algumas poucas coisas sobre essa nossa insatisfação.

O que descobri, a partir do insight da minha amiga, é que ao invés do success pool, o que a gente quer mesmo atualmente pode ser chamado de hobby pool.

Não queremos mais conquistas só para cumprir tabela. Tanto faz se teremos um diploma para pendurar na parede, desde que tenhamos fotos das nossas viagens e experiências na memória do celular.

Também não almejamos apenas ter casa e carro próprio. Queremos ser livres para escolher se um dos dois itens é realmente relevante para o nosso dia a dia.

Não queremos trabalhar na maior empresa do país se essa ocupação não tiver nada a ver com aquilo que acreditamos ou com o legado que pretendemos deixar para as futuras gerações.

Também não é mais suficiente realizar apenas uma função para o resto da vida.

Era mais fácil exercer o mesmo trabalho ao longo da carreira quando a expectativa de vida era de 40 anos. Atualmente, o Brasil tem uma expectativa de que as pessoas vivam, em média, até os 75.

Quem aí quer fazer a mesmíssima coisa por pelo menos 50 anos? EU NÃO! ME INCLUAM FORA DESSA!

Dado esse contexto introdutório, vamos ao que interessa…

Afinal, o que é o hobby pool?

A própria tradução ao pé da letra pode soar estranha, mas se trata de um conjunto de atividades que dão prazer a uma pessoa.

A mágica é que, se unidos da forma correta, podem ser praticados em sincronia, tanto no trabalho quanto em outras áreas da vida.

A forma mais clara de exemplificar esse conceito é falando do meu próprio hobby pool.

Sou formada em Marketing, trabalhei como mídia em algumas agências de propaganda e me dei relativamente bem nessa área. Até que eu gostava da minha função, mas não me sentia completamente realizada.

Em um certo momento, apliquei essa experiência para me dedicar em uma nova jornada: assumir o cargo de executiva de contas em uma empresa de tecnologia que fornece soluções de marketing: esse foi o primeiro passo horizontal que me fez unir algumas paixões, tais como comunicação e tecnologia, com a área de minha formação.

Ao mesmo tempo, tive a oportunidade de dar aulas de marketing digital e descobri ali uma nova paixão: lecionar.

Somei isso ao meu vício em literatura e tomei uma decisão importante: começar uma segunda graduação em Letras, mesmo sem saber se algum dia largaria minha profissão atual para dar aulas.

Uma outra coisa interessante é que, nesse mesmo período, redescobri minha paixão pela escrita— desde pequena levava jeito para a coisa — e retomar essa atividade me trouxe imensa satisfação.

Agora, vamos à equação:

Comunicação + Marketing + Tecnologia + Literatura + Livros + Escrita + Docência = BRUNA!

Finalmente, descobri que não preciso escolher entre uma paixão e outra, já que me realizo em todas essas tarefas.

Esse é o meu tão almejado hobby pool, que só foi descoberto quando usei o fantástico (e dolorido) processo de autoconhecimento.

E como isso pode funcionar na prática?

Ainda não tenho a resposta exata e, para ser sincera, nem sei se terei um dia. É uma busca incessante, porém recompensadora, porque dá para ser feliz enquanto construo meu futuro.

Viver dessa forma me faz pensar menos no que eu quero ser daqui a 5 anos e mais no que eu posso fazer hoje unindo todas as minhas paixões.

Atualmente, trabalho na mesma empresa de tecnologia que mencionei lá em cima. Para deixar essa ocupação mais estimulante, aproveito toda oportunidade que tenho de exercer a função de professora, através de treinamentos para a equipe interna ou palestras e workshops para clientes.

Além disso, uni meu conhecimento em inovação que essa empresa me traz diariamente para iniciar um projeto de pesquisa científica na faculdade de Letras, onde desenvolverei uma tese sobre o futuro da educação através da tecnologia.

No mais, exerço minha paixão pela escrita aqui no Medium, no Superela, no Instagram e onde mais tiver a oportunidade, de modo que possa compartilhar um pouquinho daquilo que leio, aprendo e reflito.

Se meu hobby pool será o mesmo para sempre, eu não sei, mas provavelmente não.

O que importa é a liberdade que isso me proporcionou, pois encontrei uma forma de fazer um pouco de tudo que gosto, sem ter que me martirizar entre uma escolha ou outra. ❤


E aí, o que acharam desse conceito?

Se esse texto chegar a 100 aplausos aqui nessa página, escreverei um novo com dicas para construir o seu próprio hobby pool. Portanto, não deixe de compartilhar com aquela pessoa que precisa conhecer esse conceito. ;)

Um abraço carinhoso,

Bruna Lopes