O que o Carnaval do Anhembi vai levar de 2018

O Carnaval de São Paulo em 2018 ficará marcado pelo insólito resultado que premiou quatro escolas com a pontuação máxima. Também será lembrado por conta da pior posição da maior campeã em 14 anos, do novo rebaixamento do Peruche e dos incidentes com o tripé da comissão de frente da Independente e com a saia da porta-bandeira da Unidos de Vila Maria. Sendo assim, chegou a hora de recontar um pouco de tudo o que aconteceu nas duas noites de desfile do Grupo Especial paulistano

Na foto, a mesa da apuração que revelou o resultado final; O título de campeã continua no Tatuapé, mas o Carnaval 2018 deixa novas lembranças (Foto: Armando Bruck)

Antes do carnaval iniciar, o favoritismo estava sob ombros do último campeão, o Acadêmicos do Tatuapé que desfilaria com um enredo homenageando o Maranhão. Também atraiam as atenções a Dragões da Real, com a música sertaneja como tema, o Vai-Vai, com sua homenagem a Gilberto Gil e o interessante tema sobre a Revolução Francesa da Império de Casa Verde. Já o Rosas de Ouro apostaria numa homenagem aos caminhoneiros. A Mocidade Alegre faria uma exaltação a Alcione, enquanto Unidos de Vila Maria contaria a história do México sob o olhar de Roberto Bolaños e o Acadêmicos do Tucuruvi iria passear pela história dos museus pelo mundo. Além dessas, os Gaviões da Fiel iriam retratar a lenda sobre a origem da cidade de Guarulhos, a Mancha Verde homenagearia o Fundo de Quintal, o Unidos do Peruche reverenciaria os oitenta anos de Martinho da Vila, enquanto a Tom Maior contaria a história das Imperatrizes Leopoldina e Leopoldinense. Vindas do Grupo de Acesso, a X-9 Paulistana e a Independente Tricolor apostavam, respectivamente, nos temas sobre os ditados populares e os filmes de terror.


Os desfiles na Sexta

A abertura dos desfiles ficou a cargo da Independente Tricolor. A estreante no grupo fez uma apresentação de fácil entendimento, mas tensa por problemas técnicos. O enredo sobre os filmes de terror teve uma compreensão relativamente tranquila para o público. Com um visual mais “popular” - em especial nas alegorias -, a caçula conseguiu fazer o seu desfile “pegar”. Apesar disso, destaco que algumas fantasias não conseguiam transmitir com clareza, seu significado. Na parte musical, apesar das limitações de seu samba, a escola teve canto forte e bateria em dia inspirado, ajudando a potencializar a qualidade da obra cantada. No entanto, foi na parte de dança que a tricolor sofreu. Com a quebra do tripé da Comissão de Frente, que precisou ser guinchado por uma empilhadeira, a Independente teve problemas de evolução (chegou a ficar parada por 5 minutos em duas oportunidades) e problemas na apresentação de seu jovem primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. No conjunto da obra, a agremiação da Vila Guilherme fez uma apresentação capaz de alcançar a permanência na elite, mas os problemas causados pelo tripé fatalmente a colocariam no caminho do retorno ao Grupo de Acesso.

Jovem primeiro casal da Independente na foto; Problema na Comissão de Frente atrapalhou a estreante. (Foto: Felipe Araújo)

O Unidos do Peruche foi a segunda escola a desfilar. Com um enredo sobre Martinho da Vila, a Filial do Samba fez uma apresentação complicada e saiu da pista cotada ao rebaixamento. Na parte plástica, alguns problemas. Apesar do apuro estético do carnavalesco Mauro Quintaes, o tema proposto por Mauro Quintaes não ficou claro e confundiu o público em alguns momentos. Confesso que achei um pouco exagerado o espaço dado a africanidade do homenageado, o que acabou prejudicando o conjunto da história. Além disso, em alegorias, apesar de concepções interessantes, a falta de acabamento prejudicou bastante. Em todos os carros, a escola apresentou falhas. Sejam elas em acabamento ou em queijos – espaços para os destaques – vazios, o que prejudicava o conjunto. No conjunto de fantasias, também existiram falhas. Além de algumas alas contarem com peças faltando, existiu problemas de queda de adereços, o que fatalmente ocasionaria a perda de décimos. Na parte musical, o samba, embora limitado e com problemas técnicos, foi razoavelmente bem cantado na primeira metade da passagem do Peruche. Apesar disso, do meio para o fim, houve uma queda no canto que se juntou a problemas na bateria Rolo Compressor prejudicando a parte musical do desfile. Na parte da dança, a escola não teve grandes percalços. O ótimo casal de mestre-sala e porta-bandeira unida a interessante comissão de frente foram um dos poucos destaques da complicada apresentação. A evolução da Filial também esteve longe do desastre que foi o ano em geral e não foi tão prejudicial ao conjunto. Entretanto, pelas falhas nos quesitos plásticos e musicais, a agremiação saiu da pista como uma das cotadas ao rebaixamento.

Abre-alas do Peruche era interessante e muito bem executado; Escola teve problemas em seu desfile. (Foto: Felipe Araújo)

Após o incêndio que destruiu 90% de suas fantasias e ter sido colocado com “hors-concours” e não disputar o campeonato, o Acadêmicos do Tucuruvi fez um desfile leve e com emoção. O tema da escola sobre os museus teve uma adequada parte plástica, cujo grande destaque foi o lindíssimo abre-alas. As fantasias conseguiram ser refeitas e apresentaram um conjunto interessante. A parte musical foi bastante agradável com boa apresentação de harmonia e bateria. Ambas fizeram o samba render bem. Na parte de dança, destaco a divertidíssima comissão de frente que conseguiu atrair grande atenção. O bom casal da escola teve pequenos percalços, mas mostrou sua beleza e entrosamento. No conjunto, a comunidade da Cantareira mostrou muita garra e muita força. Passando, mesmo sem disputar o campeonato, com muita alegria e vontade.

A divertida comissão de frente do Tucuruvi deu o tom de um desfile simpático, mesmo fora da disputa oficial. (Foto: Felipe Araújo)

Com um tema popular sobre o grupo Fundo de Quintal e sua torcida numerosa, a Mancha Verde fez uma apresentação que, de certo modo, foi quente, mas decepcionou. Na parte plástica, a escola foi irregular no conjunto de fantasias. Em alguns momentos a simplicidade de concepção era interessante pra passar a mensagem com clareza, mas em outros a equipe comandada pelo carnavalesco Magoo parecia sem ideias para representar as alas e usava efeitos simplórios. Nas alegorias, as ideias eram transmitidas com certa clareza, mas existiam problemas no acabamento e no uso dos materiais. A irregularidade plástica afetou o desenvolvimento do enredo. Com muita simplicidade, a história não consegue ser aprofundada e acabou sendo bastante superficial. O samba não era perfeito, mas teve um desempenho interessante em termos de canto da comunidade, o que fez a Mancha ter um bom desempenho em Harmonia. Destaque negativo para a bateria Puro Balanço, que por duas vezes embolou durante sua estada no recuo. A parte de dança da escola foi a mais irregular da apresentação. Comissão de Frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentaram problemas claros. No primeiro caso, alguns integrantes do grupo tiveram perda de peças de suas fantasias. No segundo caso, o casal estava descompassado, o que prejudicou seu entrosamento. Na parte de evolução, a escola teve um percalço grave na minha frente onde teve que parar por cerca de 3 minutos após a passagem do segundo carro. Dali em diante, a escola apresentou efeito sanfona e teve sua passagem no quesito prejudicada. No fim das contas, o conjunto da escola pareceu mais de meio de tabela, mas as notas da apuração mostrariam outra visão.

Abre-alas da Mancha Verde; Alviverde fez um desfile irregular em quase todos os quesitos. (Foto: Felipe Araújo)

A quinta a desfilar era a atual campeã do carnaval. O Acadêmicos do Tatuapé fez uma apresentação bastante competitiva e se candidatou ao bicampeonato. A parte plástica do enredo sobre o Maranhão esteve no padrão apresentado em 2017, com concepção simples, mas impecável em termos de acabamento. A azul e branco passou com fantasias de bom nível e sem grandes percalços no quesito. No conjunto alegórico, em que pese a repetição de ideias por parte do carnavalesco Wagner Santos, a escola também teve um desempenho satisfatório e mostrou alto nível. Além disso, mostrou muito bom nível no quesito enredo e apresentou sua proposta sem nenhum percalço, sendo perfeita em seu objetivo.

Na parte musical, o excelente samba impulsionou o forte canto da galera fortaleceu o desfile da escola. A bateria Qualidade Especial, apesar disso, não esteve na melhor das noites e embolou uma vez após o paradão. Em alguns momentos, destaco que não era possível ouvir com clareza todos os naipes de instrumentos. Mas o que poderia impedir o bicampeonato, eram os quesitos de dança da escola. Apesar da boa comissão de frente, a escola pecou muito em mestre-sala e porta-bandeira e evolução. O casal, apesar da ótima fantasia, não conseguia fazer instrumentos mais ousados e em dois momentos teve problemas durante a apresentação em frente a terceiro cabine. A evolução, não apenas teve problemas, como também foi desesperadora. Do começo ao fim, houve o chamado “efeito-sanfona” de “andar e parar”. Além disso, dois buracos enormes foram abertos entre às cabines, mas no campo de visão do jurado. Por fim, a escola também ficou parada por mais de dois minutos na frente da terceira cabine. Uma completa tragédia no quesito. Por tudo isso, no conjunto, a escola passou com uma apresentação de alto nível, mas que poderia ser alijada da briga pelo título pelos erros em evolução.

Abre-alas do Acadêmicos do Tatuapé; Escola fez um grande desfile. (Foto: Felipe Araújo)

O Tatuapé foi sucedido pelo Rosas de Ouro. Apesar dos problemas plásticos, a escola fez um belíssimo desfile nos quesitos de pista e deu mostras de que seu chão continua fortíssimo. A parte visual realmente deixou a desejar. Carros mal acabados foram a tônica na parte alegórica da apresentação. No carro 4, o principal elemento parecia correr risco de queda a qualquer momento. O conjunto de fantasias era irregular e também passou com problemas de acabamento e de peças caindo. Por outro lado, o enredo foi brilhante. Apesar de uma ala um tanto forçada no quarto setor, a escola contou com perfeição, o tema sobre os caminhoneiros. Na parte musical, a harmonia esteve em ótima noite cantando forte o melhor samba do ano. Mesmo a bateria que nunca teve um desempenho espetacular, passou bem e sustentou com qualidade o canto da escola. A Comissão de Frente abriu com excelência o ótimo enredo da azul e rosa. Além deles, o casal também merece destaque pela fantástica apresentação que teve um entrosamento notável. No entanto, a evolução foi ruim. Por um primeiro setor muito lento, a escola teve problemas de “efeito-sanfona” e precisou apertar o passo no fim. No geral, a parte plástica deveria prejudicar a azul e rosa, mas o desfile foi bastante agradável e poderia, sim, sonhar com o top-5.

O começo do desfile da Roseira empolgou; Mesmo com problemas plásticos, a azul e rosa fez um desfile bastante agradável (Foto: Felipe Araújo)

O último desfile da primeira noite foi um dos mais leves e agradáveis. Com uma evolução perfeita — algo raro em 2018 — e canto satisfatório, a Tom Maior passou fazendo um desfile agradável e deixando boa impressão no público que resistiu até o fim da noite. Na parte plástica, a escola esteve com concepções interessantes, mas pecou em algumas realizações que afetaram o conjunto. Nas alegorias, as ideias foram bem pensadas, como fica evidente no carro 4. Entretanto, em alguns momentos houve um excesso de informações e falta de acabamento, o que prejudicava a escola. Nas fantasias, a Tom teve problema parecido na questão do acabamento. Em alguns momentos, falta de recursos para que houvesse mais luxo ou mais capricho ficava clarividente. No entanto, apesar do visual irregular, o enredo sobre as Imperatrizes (Leopoldina e Leopoldinense) foi bem contado e conseguiu fazer a ligação — que parecia forçada — entre elas com clareza. A parte musical também teve seus bons momentos. Com um canto acima da expectativa e o samba rendendo mais do que o esperado, a escola conseguiu dar seu recado com competência, mesmo sem brilhar. A bateria Tom 30 também esteve no meio do caminho entre o brilhantismo e o desempenho regular. Na parte de dança, a escola esteve com um desempenho satisfatório. Com uma apresentação interessante na comissão de frente e uma evolução sem nenhum percalço, a escola do Sumaré conseguiu ter bom desempenho nesses quesitos. Apesar disso, o casal não conseguiu ir tão bem e decepcionou. Por conta disso, a clara sensação era de que a Tom Maior fez um desfile competente baseado no bom desempenho de sua evolução e por estar acima da expectativa inicial. Apesar disso, a falta de brilhantismo em muitos quesitos e a plástica irregular deveriam colocar a escola apenas no meio da tabela.

Ultimo carro da Tom Maior; Escola conseguiu surpreender com desfile agradável (Foto: Felipe Araújo)

Os desfiles de Sábado

A X-9 Paulistana abriu os desfiles de sábado com muita alegria e um show de sua bateria, mas escorregou nos quesitos e passou a olhar com muita atenção para a parte de baixo da tabela. Na parte plástica, a escola teve percalços. As alegorias tiveram um bom acabamento, mas falharam na proposta da mensagem. Com pouco apuro de clareza, a escola da Parada Inglesa não transmitiu com facilidade o seu enredo sobre os ditados populares, o que prejudicou o entendimento do mesmo. Nas fantasias, a escola também errou por dois motivos: a leitura de seu significado era praticamente impossível e, além disso, houve um claro problema de peças caindo em todos os setores. Eu contei, pelo menos, doze alas cujas peças ou adereços estavam caindo. Na parte musical, a escola conseguiu minimizar o péssimo samba e teve um canto satisfatório. Para isso, contou com o desempenho praticamente irretocável da bateria Pulsação Nota 1000 que conseguiu levantar o público com muitas convenções e paradinhas. Nos quesitos de dança, entretanto, foi que o “caldo” da rubro verde entornou. Com inúmeros problemas (pelo menos dois buracos de 30 metros na minha frente) na evolução e apresentações no máximo regulares de seu casal e sua comissão, a escola saiu da pista cotada ao rebaixamento. No conjunto geral, para o meu gosto, vi a X-9 fazendo o pior desfile do ano, mas acreditava que existia chance de permanência pela maneira de como é realizado o julgamento em São Paulo.

Abre-alas da X-9 Paulistana. Escola fez uma apresentação divertida, mas com muitos problemas técnicos. (Foto: Felipe Araújo)

Segunda escola a desfilar no sábado, a Império de Casa Verde mostrou que não cansa e foi a luta de novo. Com uma apresentação arrebatadora, o Tigre saiu da pista como principal candidato ao campeonato. Na parte plástica, a azul e branco beirou a perfeição. Vi praticamente todos os desfiles do Carnaval de São Paulo desde 2000 e todos os principais desde 1991 e confesso ter certa dificuldade para citar cinco apresentações melhores em termos de visual. Um trabalho irretocável na estética deu o tom do desfile. As alegorias e as fantasias eram luxuosas, de fácil leitura e de muita beleza. Além disso, o enredo sobre a revolução francesa resolveu o calcanhar de aquiles de Jorge Freitas nos últimos anos e acabou sendo praticamente perfeito. Na parte musical, a escola foi muito bem também. Se a bateria Barcelona do Samba vinha decepcionando no pré-carnaval, durante o desfile foi muito bem e sustentou satisfatoriamente o ótimo canto da escola. O samba, embora fosse perfeito, também passou bem e conseguiu colaborar para o desfile. Na parte da dança, a escola, ao menos na minha frente, esteve muito bem em Comissão de Frente e casal. Destaco o casal que conseguiu fazer uma apresentação clássica, mas coreografada. A indumentária do mestre-sala era impressionante! O único senão do magnífico desfile foi a evolução. Além do efeito sanfona após o carro abre-alas, a escola chegou a abrir um buraco de 20m na minha frente e ficou parada após a passagem do carro 3. Mesmo assim e de qualquer forma, a escola da Zona Norte saiu da pista aclamada e era difícil imaginar que alguém seria capaz de supera-lá.

O fantástico terceiro carro da Império; O tigre encantou o Anhembi (Foto: Felipe Araújo)

Terceira escola a desfilar, a Mocidade Alegre provou que jamais poderia ter sido descartada da briga. Com um desfile que foi brilhante nos quesitos de pista, a escola se colocou na disputa pelos primeiros lugares. Na parte plástica, entretanto, a Mocidade não foi bem. Com alegorias simples de concepção e sem grandes exageros de luxo, a escola apostou no acabamento de alto nível que apresentou. Nenhum carro estava exatamente bonito, mas o acabamento era bom e conseguiu dar um visual competitivo. Apesar disso, houve problemas com a iluminação do carro abre-alas, que parecia uma espécie de pisca-pisca de árvore de natal: ora aceso, ora apagado. Nas fantasias, a escola também não brilhou, mas não passou vexame. Algumas concepções eram muito simplórias, mas passavam com facilidade seu recado, o que ajudou no entendimento do enredo sobre a cantora Alcione. A Harmonia da escola esteve em sua melhor noite dede 2012. É certo dizer que a agremiação tem um dos melhores “chãos” da cidade, mas em 2018, a Morada do Samba foi arrebatadora no canto e conseguiu fazer uma apresentação excepcional no quesito. A bateria Ritmo Puro também esteve bem e sustentou muito bem o samba que embora limitado, funcionou muito melhor que o esperado. Mas foi na parte de dança que a escola foi praticamente perfeita. A bela comissão de frente conseguiu transmitir uma abertura interessante ao desfile. Na sequência, o fantástico casal da escola deu mais um show de entrosamento e beleza. Com uma indumentária nas cores da escola, a dupla se reafirmou como um dos principais casais da cidade e como o melhor quesito da agremiação. Por fim, a evolução foi perfeita e sem percalços, o que colaborou para um desfile que foi quente. No conjunto geral, a falta de uma plástica melhor impedia a briga pelo campeonato, mas a rubro-verde saiu da pista certa de que tinha retomado o caminho que levou a ser maior campeã da capital paulista no século.

O lindíssimo casal da Mocidade Alegre; A Morada arrepiou o Anhembi. (Foto: Felipe Araújo)

Na sequência, o Vai-Vai entrou na pista com sua tradicional característica de sacudir a galera. O início do desfile foi um show de simbiose entre público e escola, mas alguns percalços esfriaram o público e impediram um grande sacode. A parte plástica da escola foi surpreendente. Em alegorias, ouso dizer que foi o melhor Vai-Vai desde 2009. Com beleza, fácil leitura e bom acabamento, a escola conseguiu passar seu recado com tranquilidade. Era claro que a alvinegra abusava do luxo como a Império, mas também era nítido que bom gosto não faltou. As fantasias seguiam essa tendência, embora relativamente piores. Todas estavam bem pensadas e com bom gosto, mesmo sem tanto luxo. Apesar disso, por mais de duas vezes, vi peças/adereços caírem pela pista. O enredo sobre Gilberto Gil foi bem contado e de fácil entendimento, embora, na minha visão, a etenha exagerado no espaço dado ao Sítio do Pica-Pau Amarelo. O canto foi constante e sempre forte sustentado pela bateria Pegada de Macaco que mesmo sem ousar, passou com competência e sem errar. O samba foi bem interpretado pela ala musical, mas deu uma caída no meio pro fim, o que não prejudicou a Harmonia, no entanto. E, se o casal Pingo e Paulinha foi brilhante mais uma vez, o mesmo não podemos dizer da Comissão de Frente, que além de confusa e pouco atraente, também teve o problema com o led de seu elemento alegórico. Por fim, a evolução foi um desastre. Eu duas oportunidades, espaçamentos enormes de cerca de meia-hora foram abertos. Além disso, os desfilantes ficaram parados por mais de três minutos após a manobra da entrada da bateria no recuo para que se fechasse um buraco aberto na terceira cabine. Para completar o desastre, várias vezes ocorreram de uma ala andar e alguns integrantes ficarem parados seja por vontade própria ou seja por estarem alheios ao desfile, o que prejudicava a escola no quesito evolução. Sendo assim, o conjunto mostrou um Vai-Vai bem na parte visual, mas bastante decepcionante nos quesitos de dança, o que colocaria a escola mais na briga por uma vaga no G-5 que pelo campeonato.

Alegoria do Vai-Vai; Saracura fez belo desfile plasticamente. (Foto: Felipe Araújo)

Sonhando em retomar os dias de glória, os Gaviões da Fiel entraram pisando firme na pista, mas tropeçaram em várias pequenas falhas. A parte plástica da escola possuía concepções interessantes. O abre-alas todo em vermelho era bonito, bem pensado e impactante. No entanto, em termos de alegorias, foi só. Do carro 2 em diante, a escola apresentou ideias, de certo modo, inteligentes, mas que foram realizadas de maneira muito simplória. O carro 5, todo em prata, é o grande exemplo disso. Apesar de bem concebido, a escola não conseguiu dar o luxo necessário para sua realização, o que prejudicou muito o conjunto. Na parte de fantasias, a escola esteve bem vestida, mas em praticamente todas as alas, houve um incidente de peças ou adereços caindo. Sem nenhum exagero, digo que ao menos 60% das fantasias da escola se desmancharam ou tiveram problemas durante a apresentação. O enredo sobre os índios que deram origem a cidade de Guarulhos era muito bem pensado e foi realizado de maneira praticamente irrepreensível, mas pecou no último setor ser extremamente desconexo ao resto da história. A ala dos mamonas assassinas era inacreditável. Se o samba era lindíssimo e foi muito bem interpretado pelo time de canto, a harmonia foi inconstante e a bateria Ritimão decepcionou. Durante sua passagem no recuo, após a execução da paradinha do falso refrão de meio atravessou claramente, levando cerca de uma passada para retomar o ritmo, o que prejudicou a apresentação. Na parte de dança, a comissão de frente era interessante, mas mostrou desentrosamento por mais de uma vez na minha frente. O ótimo casal de mestre-sala e porta-bandeira foi muito bem mais uma vez e conseguiu se destacar. Já a evolução foi, como de praxe no ano, ruim. Houve espaçamento em três oportunidades, além do “efeito-sanfona” em praticamente todas as alas. Por tudo isso, no conjunto, era difícil ver a escola acima do meio da tabela.

O fantástico abre-alas dos Gaviões da Fiel foi o grande momento de um conjunto visual problemático (Foto: Felipe Araújo)

Penúltima a desfilar, a Dragões da Real fez uma apresentação bastante técnica e se colocou entre as melhores escola do ano. De início, a parte plástica não foi comprometedora, embora estivesse (bem) longe do brilhantismo. As alegorias eram de fácil leitura e tinham acabamento correto, mas a escola falhou nas concepções. Excetuando o carro 3, nenhum elemento alegórico estava exatamente bonito. Nas fantasias, a escola estava mais simples em relação a outros anos, mas também não estava feia. Com leitura fácil e sem percalços, passou razoavelmente bem no quesito. O enredo sobre a música sertaneja, por consequência do visual de fácil leitura, conseguiu ser entendido sem grandes problemas. A Dragões esteve sustentada por uma noite interessante da bateria Ritmo que Incendeia teve um ótimo canto — apesar da inútil tentativa de impedir o grito de “Hey!” durante as passadas do refrão principal. Também destaco positivamente a boa passagem do samba mediano que a escola levou para a pista. Se a Dragões não conseguiu sacudir, ao menos, deu seu recado com competência. Na parte de dança, a Comissão de Frente decepcionou. Se nos outros anos, a escola tinha no quesito um ponto forte, em 2018, isso não aconteceu. Com uma apresentação confusa e simplória, o grupo não conseguiu dar o impacto necessário e apenas passou sem brilho algum pela pista. O casal, por outro lado, foi muito bem — embora o mestre-sala tenha abusado da coreografia na apresentação onde eu estava. Por fim, a evolução foi sem grandes percalços. Destaco negativamente apenas o efeito sanfona apresentado no segundo setor, após uma certa pausa para as apresentações de CF/casal que prejudicou a escola. No conjunto, a agremiação da Vila Anastácio estava no páreo por ter errado pouco na pista, mas ao contrário de 2017, a sensação dessa vez era de que o sonho do título ficaria, mais uma vez, adiado.

Boa apresentação da Dragões credenciou a escola aos primeiros lugares (Foto: Felipe Araújo)

Fechando o Carnaval de São Paulo, a Unidos de Vila Maria fez uma apresentação agradável, mas com problemas que podiam prejudicar o conjunto. De cara, a parte plástica não disse a que veio. As alegorias estavam bem pensadas, mas em muitos momentos, a sensação era de que “não tinham acontecido” na pista. Não sei se por falta de capricho final ou por conta da tensão pelos problemas, o conjunto alegórico apenas passou sem brilhar. Nem mesmo o excelente carro 2 apagou essa impressão. Nas fantasias, a escola esteve bem mais simples. Nada estava luxuoso e a escola apostou em concepções simples para não ter problemas. Entretanto, em alguns momentos era difícil saber qual era a mensagem da escola apenas pelas fantasias. Isso, por exemplo, afetou o quesito enredo. A proposta da escola em juntar Roberto Bolaños, criador do Chaves e o México, não ficou clara e teve dificuldade de ser compreendida na parte visual. Nos quesitos musicais, a bateria Cadência da Vila foi o destaque. Muito cadenciada e recheada de bossas, os ritmistas comandados por Mestre Moleza foram destaques. A Harmonia também foi bem, embora abaixo das principais escolas no quesito. Tudo isso acabou sendo fruto do bom samba, que apesar de injustamente questionado, passou muito bem pela pista. Na parte de dança, a escola teve seus maiores problemas. O primeiro casal, Everson e Laís, tiveram o grave problema de ver a fantasia dela se desmanchar afetando sua apresentação. Com o tempo levado para a troca de pavilhões para que o segundo casal (Bruno e Jessica) assumisse o posto de casal principal, a escola se atrapalhou no quesito evolução e teve que correr bastante. Isso ocasionou buracos e, claro, o efeito sanfona. Por fim, a comissão de frente também não brilhou. Apesar da ideia interessante, a apresentação foi simples e não conseguiu deixar exatamente claro o que significava. Por conta disso, a sensação era de que a Vila poderia sofrer na apuração pelos problemas, mas o desfile, especialmente pela parte musical, foi agradável e não merecia disputar o rebaixamento.

Bruno e Jéssica, originalmente, segundo casal da Vila Maria assumiram o pavilhão oficial durante o desfile (Foto: Felipe Araújo)

Repercussão e apuração

Com um dos mais brilhantes conjuntos visuais da história do Anhembi, a Império de Casa Verde terminou o desfile como grande favorita ao campeonato (Foto: Felipe Araújo)

Após os desfiles, a sensação era de que o título da Império de Casa Verde era o mais provável. Apesar disso, Mocidade Alegre, Dragões da Real e Acadêmicos do Tatuapé tinham chances de surpreender o Tigre. O Vai-Vai corria muito por fora nessa briga, mas a princípio estaria garantido no G5. Na parte de baixo da tabela, com a perda de 1,2 pelo uso da empilhadeira, a Independente Tricolor era considerada como uma das duas rebaixadas. X-9 Paulistana e Unidos do Peruche disputariam a segunda vaga décimo a décimo, enquanto a Unidos de Vila Maria corria pequenos riscos pelos problemas de sua apresentação.

A apuração, no entanto, reservou surpresas. A chuva de notas 10 que já é costumeira na cidade foi ampliada em 2018. Se desde 2010 nenhuma escola conseguia passar perfeita nas notas válidas, neste ano, quatro escolas conseguiram o feito. As candidatas Acadêmicos do Tatuapé e Mocidade Alegre junto das surpresas Mancha Verde e a Tom Maior alcançaram os 270 pontos e só foram desempatadas pelos critérios de desempate. Com 35 das 36 nas notas 10, o Tatu da Zona Leste se sagrou bicampeão do Carnaval de São Paulo. Em segundo lugar, também 35 notas 10 em 36, ficou a Mocidade Alegre que perdeu o campeonato no sorteio do critério de desempate. Em terceiro ficou a Mancha Verde e em quarto a Tom Maior. Fechando o grupo das campeãs, a Dragões da Real ficou em quinto lugar. Favorita da crítica especializada, a Império de Casa Verde acabou num modesto sexto lugar com uma pontuação que lhe daria o campeonato em quatro dos cinco anos anteriores. Na sequência, apareceram Gaviões da Fiel, Rosas de Ouro, Unidos de Vila Maria, Vai-Vai e X-9 Paulistana. As rebaixadas acabaram sendo Unidos do Peruche e Independente Tricolor. Em que pese as pontuações ridículas e as absurdas colocações de Mancha e Tom Maior no lado “bom” e Império e Vai-Vai pelo lado “ruim”, acabou sendo um resultado aceitável. A campeã esteve longe de ser injusta e as rebaixadas da mesma forma.

Grupo de Acesso

No Acesso, o ano não foi dos melhores. Com uma noite pra lá de irregular, que só teve como real destaque o Águia de Ouro, o grupo foi bastante decepcionante.

Desfile do Águia de Ouro foi um oásis de qualidade na noite do Acesso. (Foto: Felipe Araújo)

O Barroca Zona Sul abriu a noite de domingo com um desfile agradável. Sem grandes erros na pista e com quesitos interessantes como Comissão de Frente e Mestre-Sala e Porta-Bandeira, a verde e rosa saiu da pista certa de que não correria riscos de queda.

Na sequência, a Leandro de Itaquera fez um desfile problemático. Com visual bastante aquém do esperado e enredo incompreensível, a escola não foi bem. Nem o bom desempenho da bateria afastava o risco de rebaixamento por parte do Leão Guerreiro da Zona Leste.

Terceira escola a desfilar, a Nenê de Vila Matilde sacudiu o público do Anhembi, mas pecou no visual. Nem o ótimo desempenho do chão da escola no canto do bom samba sobre Iemanjá maquiou os inúmeros problemas plásticos que a escola teve. Ao fim do desfile, a sensação era de que a escola não conseguiria retornar ao Especial.

Na sequência, o Colorado do Brás fez um desfile absolutamente técnico e surgiu como favorita à vaga no Grupo Especial. O enredo afro ajudou a parte plástica da escola que esteve num nível bom. Além disso, o chão da escola e o ótimo casal cumpriram sua parte com competência. No conjunto, a sensação era de que era difícil a escola do Brás não subir.

Uma das agremiações mais tradicionais do grupo, o Camisa Verde e Branco fez um desfile agradável na defesa do enredo sobre Mário de Andrade. A alviverde falhou nos quesitos plásticos, mas esteve bem nos quesitos de chão e teve como destaque o ótimo canto da escola. Apesar disso, a agremiação decepcionou muitos pela falta de cuidado com o visual, em especial com as fantasias. Em minha visão, o Camisa fez um desfile agradável e em meio a um ano tão fraco, poderia ficar na primeira parte da tabela, embora sem chances de Acesso.

Sexta a desfilar, o Águia de Ouro demonstrou claramente que não era uma escola de Acesso. Com um show visual e de chão, a azul e branco da Pompeia fez um desfile absolutamente irreparável – exceto samba – nos quesitos. Sinto dificuldade de citar um destaque maior em meio a tantos, mas acredito que a Harmonia mereça uma menção pelo prazer dos componentes em cantarem. Por tudo isso, o Águia terminou o desfile com a certeza de que a vaga no Especial era certa.

Sétimo pavilhão a passar pela pista, o Pérola Negra fez um desfile bem complicado em quesitos. Se a escola vinha com uma parte plástica interessante, os quesitos Harmonia e Evolução jogaram pra lata do lixo, o sonho de Acesso. O destaque positivo acabou sendo o ótimo casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Para encerrar o grupo, a Imperador do Ipiranga passou na avenida com muitos problemas estéticos e de canto. Mesmo com um ótimo desempenho da bateria e do lindo samba ter passado muito bem, a escola não conseguiu superar os inúmeros problemas plásticos e o canto bastante irregular. Por tudo isso, a agremiação da Vila Carioca terminou o desfile seriamente ameaçada de rebaixamento.

Ao fim dos desfiles, era certo apostar que Águia de Ouro e Colorado do Brás eram muito favoritos a voltar ao Grupo Especial, enquanto a Imperador do Ipiranga era séria candidata ao rebaixamento para o Grupo de Acesso II. Na apuração, as duas impressões foram confirmadas. Com a pontuação máxima, o Águia de Ouro se sagrou campeã do grupo de Acesso. Em segundo lugar e também promovido, ficou o Colorado do Brás. Nas colocações seguintes, ficaram, pela ordem: Barroca Zona Sul, Pérola Negra, Nenê de Vila Matilde, Leandro de Itaquera Camisa Verde e Branco, e em último lugar, a Imperador do Ipiranga. No Grupo de Acesso II, antigo Grupo I da UESP, a disputa pelo título e consequentemente pela vaga no Grupo de Acesso I, foi polarizada entre Mocidade Unida da Moóca e Estrela do Terceiro Milênio. Numa briga décimo a décimo, a escola da Moóca conseguiu o acesso no último quesito e estará no segundo grupo mais importante da folia paulistana em 2019.

Curiosidades

Pelo 19º ano seguido, o Carnaval de São Paulo teve transmissão na íntegra pela TV Globo. A equipe de 2018, que vem sendo mantida desde 2016, foi formada por Chico Pinheiro e Monalisa Perrone na narração e Celso Viáfora, Alemão do Cavaco e Ailton Graça nos comentários.

A temporada 2018 foi marcado pelo fim da passagem do carnavalesco Jorge Freitas na Império de Casa Verde. Foram três grandes desfiles, um título e a ressurgimento do Tigre como força no Carnaval de São Paulo. Jorge, em 2019, vai assinar o desfile da Mancha Verde. Com sua chegada na alviverde, Jorge se torna o primeiro carnavalesco a assinar, como escola de samba um desfile nos Gaviões da Fiel e na Mancha Verde.

O 3º lugar de 2018 é o melhor resultado da história da Mancha Verde.

O 4º lugar de 2018 é o melhor resultado da história da Tom Maior.

O 7º lugar no Grupo de Acesso é o pior resultado da gloriosa história do Camisa Verde e Branco. Em 2019, escola vai para o seu sétimo carnaval seguido fora da elite. Novo recorde negativo em sua trajetória.

Pela primeira vez, tivemos quatro escolas de samba ligadas à torcida organizada no Grupo Especial. Para 2019, o rebaixamento da Independente recolocou o número em três como tinha acontecido em 2012, 2013, 2015 e 2017.

O segundo lugar no Grupo de Acesso e consequentemente, a promoção do Colorado do Brás ao Grupo Especial encerram um jejum de 26 anos da ausência da escola na elite.

Em 2018, repetiu-se o ocorrido de 2010 no que diz respeito ao rebaixamento. Naquele ano, Imperador do Ipiranga e Leandro de Itaquera, primeira e segunda de Sexta, foram rebaixadas. Neste ano, o mesmo aconteceu com Independente Tricolor e Unidos do Peruche.

Pela segunda vez em onze Carnavais, a Mocidade Alegre perdeu o campeonato no sorteio do quesito desempate após empatar com a campeã na pontuação válida e total. Em 2008, a escola perdeu o título para o Vai-Vai no quesito Harmonia. Em 2018, perdeu para o Acadêmicos do Tatuapé no quesito Fantasia.

O acidente com a saia da primeira porta-bandeira da Unidos de Vila Maria proporcionou uma cena pra lá de rara. Numa atitude emergencial, a escola do Jardim Japão teve que “trocar” o seu primeiro casal com o desfile rolando. Bruno e Jéssica, segundo casal da Vila, acabaram assumindo o posto e tiveram desempenho bom perante as notas. A dupla foi julgada em três módulos e conseguiu duas notas 10 e uma nota 9,8.

Pela primeira vez em 31 anos, o trio Mocidade Alegre, Vai-Vai e Rosas de Ouro ficou três anos seguidos sem vencer o carnaval. A primeira e, até então, última vez que isso tinha acontecido foi entre os anos de 1974 e 1977. Na ocasião, o Camisa Verde e Branco foi tetracampeão do carnaval.

Desde que virou escola de samba, o Vai-Vai tinha a tradição de vencer Carnavais em anos terminados em 8. Isso aconteceu em 1978, 1988, 1998 e 2008. Em 2018, a tradição não apenas foi quebrada, como também registrou a pior posição da alvinegra em catorze Carnavais.

Nunca na história do Anhembi foi registrado empate de pontuação máxima entre mais que duas escolas. Nesse ano, quatro escolas conseguiram a pontuação máxima e empataram, sendo separadas nos critérios de desempate.

Em 2019, pela primeira vez desde 1977, a Imperador do Ipiranga vai desfilar fora do Grupo Especial ou do grupo de Acesso. Com isso, a azul e branca interrompe uma trajetória de 41 Carnavais nos dois principais grupos do carnaval Paulistano.

O acesso da Mocidade Unida da Moóca ao segundo grupo é inédito. Pela primeira vez em sua história, a escola de um dos bairros mais tradicionais da cidade estará na divisão de acesso à elite do carnaval.