O tal Flacaembu…

Fui ao Pacaembu ver o Flamengo jogar esse ano duas vezes. Contra o Fluminense e contra o Figueirense. Não vou entrar no mérito das atuações do Flamengo nos jogos e nem os motivos que me fizeram ir aos dois jogos — quem é meu amigo sabe — quero neste texto contar algumas sensações que tive nestes dois jogos e que me fizeram entender melhor o que é o Flamengo para sua torcida.

Para entender um pouco melhor essa relação, eu acompanhei bastante o Flamengo nos últimos anos. Se desde criança, eu acompanho o Fla, desde 2009, é coisa rara eu não ver um jogo do rubro-negro. Já vi de tudo, da Patrícia Amorim ao Bandeira de Mello. Do Ronaldinho ao Val. Do Joel Santana ao Zé Ricardo. Isso me faz ter uma relação muito próxima ao clube e ao longo do tempo, uma vontade cada vez maior de ver o time jogar ao vivo. Em 2013, assim o fiz. Vi Flamengo x Goiás no Maracanã na semifinal da Copa do Brasil. Foi um dia muito legal e o Maracanã com a torcida rubro-negra é coisa de louco. Só que o que aconteceu em 2016 foi diferente. Não foi só uma ida ao estádio.

No Fla-Flu, embora num dia especial, o clima não foi tão diferente quanto o do jogo do dia 18 de Setembro. Quando sai de casa para pegar o ônibus rumo ao metrô, vi ao menos 15 torcedores do Flamengo com suas camisas rumo ao Pacaembu. Veja: Eu moro numa região “pobre” da cidade e via pessoas comuns saindo de suas casas rumo a um estádio. Mas com um detalhe: Elas estavam indo ver o seu time de coração de outro ESTADO jogar em sua cidade. É algo impressionante. Chegando ao metrô, o trajeto até o estádio engloba 12 estações, em todas as estações pelo menos uma pessoa entrava com a camisa do Flamengo. Era algo realmente impressionante e surpreendente. Eu, um paulistano de lei, via a minha cidade lotada de rubro-negros por todos os cantos.

O “Flacaembu”

Chegando ao Pacaembu, via a rua que dá acesso ao estádio tomada pelos rubro-negros. Dos que exaltavam o “Cheirinho de Hepta” aos que estavam preocupados com o adversário passando pelos que reclamavam da derrota do Corinthians para o Palmeiras do dia anterior. Mas todos com um mesmo objetivo ver seu time do coração jogar em SUA cidade. O jogo aconteceu, o Flamengo venceu com uma excelente atuação — da qual eu não vou falar aqui — e transformou à tarde daquela galera numa tarde feliz. Mesmo com a distância do clube de coração, ninguém que estava ali se importava, todos estavam felizes pela vitória do Flamengo.

A partir daí, tive duas certezas: Para aquele povo todo que deixou suas casas rumo ao Pacaembu, poucas frases como uma escrita no hino do clube fazem tanto sentido. Para aquela multidão, seria mesmo um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo. Além disso, a outra certeza é de quem disse que São Paulo naquele dia virou um pedaço do Rio de Janeiro estava errado. O Flamengo é que se tornou um pouco paulista naquela manhã. Como é uma boa parte de sua gente.

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