Experiência própria de um jovem que queria sua liberdade e se livrar dos pais!

Eu sempre tive tudo o que quis, ou pelo menos a maioria das coisas. Sempre sonhei também em entrar para uma Universidade, preferencialmente pública, como a UFRJ.

No ano de 2013, minha madrasta se ofereceu pagar um cursinho pré-vestibular para ENEM para tentar entrar numa Universidade pública. Meu pai não queria pagar, mas também, pudera, pois eu perdi toda a credibilidade com ele quando ele me colocou num dos melhores Colégios públicos do país, o Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde eu repeti de ano uma vez, e provavelmente iria repetir a série seguinte e acabar sendo “jubilado” da instituição.

Após um ano estudando no cursinho “pré-Vest” pro ENEM, eu tentei o SiSU, para tentar ingressar nos meus objetivos. UFRJ e UFMG. Notas de corte altas somada à meu fraco desempenho no ENEM daquele ano não me permitiram continuar tentando uma vaga nessas duas renomadas instituições.

Me fez ir mais longe… Um longe lugar onde não tinha visitado direito, a não ser passando para ir para a Argentina, por uns dias, no ano de 2011. Era a região Sul do país, mais especificamente, o estado do Paraná, numa Universidade Federal que nem eu, nem ninguém nunca tinha ouvido falar, mas que tinha nota para mim, num curso que eu não queria, que era Letras, onde eu sonhava com Ciências Econômicas.

Ligar pro pai todo animado para ouvir algo similar a que “não poderia” ajudar, por ser no Sul, não saber direito e “fugir” de casa pegando toda a poupança (R$1,500) para rumar para o Sul, para tentar a vida e ser feliz…

Ser feliz?

Afinal porquê seria triste? Tinha saído da casa dos meus pais, tinha minha própria liberdade, ter minha própria vida com meu próprio dinheiro, estudar na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) campus Realeza, no curso Letras: Português e Espanhol — Licenciatura. Eu sempre quis morar noutro estado, na região Sul.

Primeiro mês morando na república com duas gurias veteranas do mesmo curso foi ótimo… Tínhamos amizade. Fui para a casa da minha mãe, em Minas Gerais, pois a Universidade entrou de greve no ano anterior tendo aulas até os dias da matrícula — e enfim “férias” de duas semanas.

“Amizades”

Ninguém vive só, vive? Para mim, é muito melhor. As amizades foram maravilhosas, apenas quando voltei para a cidade para ter aulas, com um novo personagem nessa história, o “piá” de São Paulo que iria fazer Química e ficar na nossa república, onde era um recanto de paz. Durante dois meses após Fevereiro, foram bastante intensos…

Os amigos se voltaram. Eu? Fui embora. — Não para o Rio, afinal, não falo com meu pai desde Janeiro, quando saí de casa. Nem para Minas, porquê não sou louco de perder meus estudos. Não tinha tentações de largar a instituição, até porquê os próximos meses não seriam muito problemáticos.

Só rolou uns probleminhas das duas gurias e o rapaz quererem quebrar o contrato, e como testemunhas, não tínhamos necessidade de pagar pelo pato. Ele foi para a casa dum amigo. Elas? Sei lá! Eu? Uma mão na frente, outra atrás.

Eis que sentia fome. Porquê não comia?

Aaaah… quando precisei duma graninha, liga para a mãe. Tinha? Sim — mesmo não podendo. Deu, não? Ué?!

As garotas manipularam ela e ela pagou sozinha a multa do contrato, por algo que não era para ser pago — por mim, nem pelo meu colega.

Xinguei! Eles? TODOS! Minha mãe, incluindo. Arrependido? Na hora não. Depois? Muito!

O mar era de rosas…

Saí para a cidade ao lado, Ampére. Num hotelzinho humilde. Muita grana? Milionário, com uns R$300,00.

Maio, Abril, Junho… meses se passando, e eu tinha uma vida que sempre quis. Sem perturbação dos pais, sem ninguém encher meu saco para arranjar algo pra fazer (trampos…), tendo minha própria vida… Dando errado? Imagina! Estava só comendo biscoitos de R$1,00 a cada dois, três dias, vivendo com basicamente a uma “dieta” de água — mas só na UFFS. Regime? Queria! Fome? Sim!

Minha vida nunca tinha estado tão boa, com tantos amigos e meus pais ao meu lado… Estava numa situação maravilhosa, conforme havia sonhado!

Mais matava aulas do que nelas comparecia. Porque? Bah, monte de coisas! A começar por não gostar do curso.

Pessoal estranhava… havia perdido entre 20kg e 30kg, estava mais fino, meu sonho de ser mais magro próximo de se tornar real. Minha “dieta” havia dado certo. Minha vida social era ótima, resumindo-se a muita farra: Hotel-UFFS-Hotel. Muitos personagens passaram na minha vida nesse tempo — alguns bem bizarros.

Valeu a pena?

Sim e não. Ambíguo? Talvez! Passei fome? Sim. Passei sede? Sim. 2014 foi um ano resumidamente ruim? Sim!

Hoje? Hoje estou em Ciências Biológicas — sempre gostei da matéria. Quando houve o surto do Ebola, a pedra fundamental para me jogar de vez nas Ciências da vida! Estou na mesma instituição. Continua? Quem sabe UFPel.

Pais? Voltamos às pazes! Estamos de boa. Vive me ajudando. Investe pesado na minha formação, com eu “explorando-o” participando de congressos nacionais de minha própria vontade, e até já publicado um artigo no anal do congresso.

Voltaria ao passado? — Apenas para corrigir os erros feitos. Sofri? Muito. Aprendi? Demais. Amadureci? E como!!!

Biologando na “forma” atual.

Obrigado pai.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.