O fim de uma Era: o Man United sem Wayne Rooney


Já nos acostumamos a ver ídolos irem e virem pelos gramados de Old Trafford. Os tempos brilhantes de Alex Ferguson trouxeram consigo lendas inolvidáveis que ficaram marcadas na história do clube que, não só participaram das vitórias dentro de campo, mas fizeram uma ideologia que caracterizou o Manchester United. Ferguson criou jogadores que amaram o escudo que vestiam desde o início, seja na base ou quando ainda em seus primeiros passos na carreira profissional, raramente depois de craques consolidados. O esquadrão do ex treinador não possuía jogadores salariados e sim torcedores que doavam o sangue pela equipe em cada partida no solo de Manchester e parte disso foi justificativa para tamanho sucesso do clube durante as décadas sob o comando do lendário treinador.

O tempo se passou e uma reformulação foi necessária para que a equipe pudesse dar seus primeiros avanços sem o lendário treinador. A antiga ideologia de Alex Ferguson vai se esvaindo junto com os jogadores que já deixam o clube depois dos serviços prestados aos Red Devils durante longas temporadas. Dos 11 que iniciaram em campo no time que ganhou a final da Champions League contra o Chelsea em 2008, por exemplo, apenas Michael Carrick e Rooney permaneceram no elenco atual até o fim da temporada 2016/2017. Os dois que, ao longo dos anos, se tornam pilares da equipe fora de campo para frisar aos novos jogadores a grandeza do clube que defendem, são os dois quem mantém as lembranças dos melhores tempos do Manchester United nos dias atuais.

Ambas as lendas merecem destaques individuais por todos seus feitios em Manchester, mas hoje destacamos Wayne Rooney, o então capitão do Man Utd. O inglês deixa Old Trafford hoje, depois de 13 anos, 557 partidas e incríveis 253 gols que, recentemente, o tornaram o maior artilheiro de toda a história Red Devil ultrapassando o lendário Bobby Charlton. Aos 18 anos, já se tornou o jovem mais caro da história do futebol britânico detendo o valor de £25M, um absurdo para a época por se tratar apenas de uma promessa na Terra da Rainha. O preço, nunca sequer pôde ser questionado e o “Shrek” é uma sensação Red Devil desde seus primeiros trotes em Old Trafford. Wayne Rooney foi um homem que honrou o manto desde a sua prematuridade, quando ainda com cabeça quente e inexperiente onde muitas vezes a emoção lhe falava mais alto em uma partida, o jovem explosivo recebia o apoio necessário no staff do clube para deixar para trás o status de garoto sensação e se consolidar o devido craque que sua curta caminhada lhe prometia.

O sucesso repentino foi tanto que por Manchester, o atacante era chamado de “The White Pelé” quando no início do seu trajeto pelos Red Devils. Iniciando a disputa um passo atrás e terminado dois à frente do zagueiro, o jogador somava velocidade, raça, empenho, qualidade e força física para ser um dos principais nomes de um Manchester United repleto de estrelas. Junto com Cristiano Ronaldo, ambos cresceram no futebol ao mesmo tempo e protagonizaram uma das duplas mais impressionantes que Old Trafford já viu em seu ápice. Ambos se completavam e Rooney crescia, ainda muito novo, mesmo tendo tamanha responsabilidade somada à pouca idade. Junto com SAF e muitas outras lendas que perpassaram gerações no futebol Red Devil, Rooney não só virou funcionário mas se tornou parte da instituição. Após a saída do Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, era esperado que Wayne Rooney finalmente detivesse todo o protagonismo que lhe tinha direito, afinal, desde então o Shrek sempre mereceu ser grande.

Infelizmente, todos sabemos que o jogador nunca conseguiu alcançar o auge pretendido e mesmo sem alcançá-lo, Rooney conseguiu quebrar recordes inquestionáveis tanto nacionais, internacionais ou até pela seleção inglesa. O atacante criou uma dinastia renegada pelo auge escasso e infeliz mas que não pode ser escondia. Feitios incríveis e uma imensa quantidade de títulos ganhos elevam o nome do jogador à uma prateleira em que os maiores ídolos de um clube podem estar. Independente do auge curto, ou falta de rendimento recente, Rooney teve sua história linda apagada por alguns torcedores que infelizmente misturam fatores distintos e que não podem estar ligados. O Rooney “lenda”, é incontestável e sempre deve ser lembrado com carinho e tremendo respeito por todo seu serviço prestado durante décadas. O Rooney “opção do elenco” de José Mourinho, é sim questionável e todos concordamos que, sim, essa Era precisa acabar por aqui antes que toda a história se manchasse ainda mais, uma vez que o inglês mais atrapalha do que ajuda quando em campo temporada após temporada. Seu decaimento físico é cada dia mais acentuado e preocupa qualquer torcedor que um dia viu Wayne Rooney no auge, afinal, o jogador ainda possui 31 anos e poderia contribuir por algumas boas temporadas em alto nível se mantivesse sua forma física.

O Shrek fez parte dos melhores e dos piores momentos do Manchester United das últimas 3 décadas. Estar listado como o principal nome do time durante mais de uma década é algo que pouquíssimos jogadores de futebol um dia podem conseguir e Rooney, mesmo que renegado, foi um deles. Sua saída vem na hora certa, após a recente conquista do posto de artilheiro absoluto da história do Man Utd, afinal, podemos considerar que Wazza completou seu ciclo individual e coletivo em Old Trafford. A vida sem Wayne Rooney precisa ser pensada e é acertada uma vez que o inglês, além de ter rendimento abaixo do esperado para alguém de seu porte, possui o maior salário de toda a Premier League que se trata de cerca de £1M por mês aos cofres gordos e fartos do nosso querido camisa 10. Sua saída, por mais que de graça para o Everton, alivia cerca de £12M anuais aos cofres do clube que até então são pagos à um jogador em processo de atrofiamento que, na última temporada, nada mais passou do que um reserva incontestável.

A construção de um novo líder para a equipe do Manchester United é necessário. A identidade de craques dentro de Old Trafford precisam serem restabelecidas com o comando de José Mourinho uma vez que com David Moyes ou Van Gaal, os Red Devils nada mais eram que 11 jogadores apequenando um escudo gigantesco, com exceção de poucos outros profissionais. A opção de um novo camisa 10 na equipe é bem vinda se olharmos o leque de boas opções no elenco e no mercado do técnico português. Além de ter jogadores jovens à sua disposição, o Man United finalmente possui profissionais grandes em campo que conseguem honrar a camisa vermelha que vestem à cada semana. No ausência de Wayne Rooney como líder do plantel, diferentemente de temporadas atrás, o vestiário consegue suprir a perda do seu principal mentor com outros nomes de potencial absurdo à longo prazo na instituição.

Paul Pogba, garoto badalado e marrento que, em 2017, foi provado ser apenas um pequeno garoto de Manchester que um dia sonhou em participar da história do maior clube da cidade e hoje realiza seus desejos mais profundos com mastreia e potencial para muitas outras longas temporadas como um líder autêntico do Man United, Ander Herrera que é o torcedor dentro de campo e tem um elo com a torcida inexplicável que só pode ser entendido dentro de campo com toda sua dedicação pelo clube de Old Trafford, ou ainda jogadores como Martial e Rashford, que despontaram como a nova geração jovem de um dos clubes que mais lapida jogadores jovens na Inglaterra e podem implementar aos Red Devils a gana de uma criança em se tornar um astro com toda a qualidade de nível mundial, que ambos incontestavelmente um dia ainda terão. Opções, diferentemente de poucos anos atrás, não faltam e Rooney já tem sim seu sucessor dentro do Manchester United. Jovens estão prontos para florecer com Mourinho em todo o plantel cheios de gana para recolocar um dos maiores clubes do mundo no posto que ficou ausente por algumas temporadas.

Digamos que o Manchester United foi se preparando para a eventual ausência do seu capitão e hoje, esse processo é concluído. Antes, fundamental dentro e fora de campo, hoje Wayne Rooney nada mais é que uma peça descartável no tabuleiro ambicioso de José Mourinho e Ed Woodward. Wazza já cumpriu seu papel por muitos anos e será lembrado por toda a história do Manchester United por todos seus feitos e, se for da vontade do atleta e da consciência de que a hora chegou para ele, sua família e carreira, apoiaremos sempre o próximo passo para o jogador seguir seu caminho mesmo que distante do clube que o tornou a figura que é. Na verdade, ficamos felizes em ver um profissional empenhando buscando um alívio na sua fase conturbada na carreira gloriosa, afinal, um ídolo não merece (ou pelo menos não mereceria na teoria) passar pela situação que o capitão do Manchester United em 2017 passou na última temporada.

Rooney fez parte de alguns dos melhores capítulos do Manchester United e sempre será uma lenda inesquecível por Old Trafford. Sua importância precisa ser sacramentada na história recente nos Red Devils imediatamente. Wayne Rooney precisa ser devidamente reconhecido, inclusive pela própria torcida do clube, pelo quão longe ele foi pelo escudo que amamos. Recordes, títulos, conquistas e muito respeito pela instituição fazem de um jogador um mito na cidade industrial que respira vermelho na Terra da Rainha e por mais que não seja claro para alguns, o inglês é um titã do futebol britânico. A história foi feita diante dos nossos olhos desde um pequeno garoto de Liverpool que aspirava a grandeza no esporte nacional até um ídolo transformado no ícone nacional do esporte mais famoso do mundo. Fique bem Wazza, nós NUNCA ousaremos te esquecer.

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