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2018 é o ano de ouro para a inteligência artificial no setor financeiro

Kevin/Unsplash

Você já pensou como alguns momentos são decisivos para a construção de novas mentalidades e novos jeitos de lidar com a realidade? De acordo com o site The Financial Brand, estamos neste exato momento agora. A plataforma de notícias elegeu 2018 como “o ano da inteligência artificial e do machine learning para profissionais do setor financeiro”.

Com forte investimento em tecnologia, a indústria financeira é uma das que mais têm trazido a inteligência artificial para o dia a dia das pessoas.

Conheça algumas das tendências.

Ampliação dos canais para operações bancárias

Becca Tapert/Unsplash

A inteligência artificial está ajudando a diversificar a maneira de realizar operações bancárias. Cada vez mais, o jeito de fazer essas operações vai ficando mais natural, incorporando-se à rotina e ao dia a dia das pessoas.

Segundo o The New York Times, na China, quando um garçom traz a conta do restaurante, a primeira pergunta que ele faz é se a pessoa quer pagar com WeChat ou Alipay, duas opcões de pagamento via celular. A consultoria Ipsos aponta que 84% dos chineses se sentem seguros em sair de casa somente com o telefone no bolso, sem nem um centavo na carteira.

Uma outra grande aposta está nos chats para fazer pagamentos online, os chamados “Pagamentos P2P” (“person-to-person”, ou seja, pessoa-para-pessoa). O iMessage, da Apple, por exemplo, já possibilita transferências entre contatos de pessoas que usam carteiras digitais. O WhatsApp e o Facebook Messenger também começam a ser usados para transferências, visualização de saldo e consulta à fatura do cartão de crédito.

Nos Estados Unidos, a evolução também é notável. Segundo um relatório da consultoria Business Insider Intelligence, em 2017, 8% dos americanos usavam a voz para pagar contas, comprar produtos ou fazer transferências. O mesmo relatório prevê que esse percentual saltará para 31% em 2022.

Operações assim devem se tornar cada vez mais comuns em diversos lugares do mundo. No #thenextbigfin, novo banco comercial brasileiro, temos mais de 80 profissionais envolvidos em pesquisas sobre experiência do cliente para definir modelos e avanços nesse tipo de serviço.

Hipercustomização da experiência

Jonas Vincent/Unsplash

Se sua conta corrente está no negativo, não faz sentido receber sugestões de investimentos naquele momento. Nesse caso, dicas de educação financeira e possíveis caminhos para sair do vermelho serão muito mais úteis.

Acostumados a receber sugestões personalizadas de serviços como Netflix, Amazon e Spotify, os consumidores buscam essa customização também em relação a suas finanças. Segundo um estudo da consultoria Accenture com 
33 mil clientes de serviços financeiros em 18 países, 63% dos entrevistados disseram que, ao compartilharem seus dados com um banco, esperam receber de volta produtos e serviços personalizados. Entre os brasileiros, o número é 80%.

Graças à tecnologia baseada em inteligência artificial e análise preditiva, os bancos conseguem, de forma cada vez mais detalhada, conhecer os hábitos do cliente e oferecer produtos personalizados, relevantes e em tempo real.

Isso inclui ajudá-lo a identificar quanto gastou com supermercado ou com Uber no último mês, dar dicas para melhorar a situação financeira no mês seguinte ou sugerir o melhor método de pagamento para determinada compra. Ou até — algo que já está sendo feito por uma empresa de seguros europeia — reembolsar na hora o viajante caso o voo atrase duas horas.

“Recomendações de produtos genéricas não servem para os consumidores de serviços financeiros da atualidade. Eles esperam que seus dados sejam usados para gerar benefícios e aconselhamento personalizado, adaptado à sua fase de vida, objetivos financeiros e necessidades pessoais”, conclui a Accenture.

Para Gustavo Torres, head de inovação de #thenextbigfin, um dos potenciais da inteligência artificial no setor financeiro é justamente promover a volta dos serviços “sob medida”.

“No passado, na época dos nossos avós, o comercio era voltado à comunidade e com muita personalização. Terno era sob medida, o farmacêutico sabia suas alergias e o restaurante preparava o prato ao seu gosto. Com o crescimento populacional, surgiu a oportunidade para o varejo de massa, diminuindo os preços e aumentando a oferta, mas sem foco em personalização. Agora, com a evolução da tecnologia e o aumento do poder computacional, podemos servir produtos e serviços de forma hiperpersonalizada e em massa. Consumir o quê se deseja, com comodidade e ao melhor valor”, diz o especialista.

Gestão de investimentos com a ajuda de robôs

Jack Moreh/Free Range

Algoritmos que identificam o perfil e os objetivos de cada cliente e administram a carteira de investimentos estão entre os campos mais promissores do uso da inteligência artificial no setor financeiro.

Segundo estudo da Deloitte com a consultoria suíça Avaloc, trata-se de um mercado que deve chegar a US$ 7 trilhões em 2025, com os Estados Unidos na vanguarda. Estimativas apontam que entre 10% e 15% dos ativos no país serão gerenciados dessa forma em 2025. O número salta para 40% entre os millenials (indivíduos nascidos entre 1980 e 2000), que se sentem mais confortáveis em dispensar a intervenção humana e menos propensos a pagar taxas altas por esse serviço.

O aumento da assertividade e a redução do risco por erro humano e conflito de interesses estão entre as vantagens da automatização. Também a democratização do serviço, já que ele pode ser oferecido para investidores com menor poder aquisitivo por taxas atrativas.