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Sep 8, 2018 · 2 min read

Não sei, na verdade, se essa não é uma discussão meio que elitizada.

De forma alguma, o VLT é super flexível. Exatamente pela sua flexibilidade escrevi uma crítica ao posicionamento recente de João Doria a respeito de como Mogi das Cruzes pode ser atendida (confira aqui).

Monotrilho é uma tecnologia que poderia ser usada à exaustão em São Paulo, dada a quantidade de avenidas nas quais poderia ser inserida. VLT é muito específico, seria ideal para uso, por exemplo, nos calçadões do Centro e numa interligação destes com a Paulista.

Não, não, o VLT pode ser utilizado em grandes avenidas e nos Estados Unidos há até linhas que correm paralelas a rodovias.

Exemplo de trecho completamente segregado e projetado para maior velocidade do sistema MAX da estatal TriMet, na metrópole de Portland, Oregon, Estados Unidos. Original: TriMet MAX Light Rail Along I-84 (Banfield Freeway)

A vantagem do VLT é a facilidade em mesclar diferentes tipos de atendimento, aumentando e diminuindo a segregação conforme o necessário. Há ainda a possibilidade de mitigar interferências com a devida priorização semafórica e outras estratégias de estruturação do urbano. O mesmo MAX da foto também possui trechos em que transita próximo aos pedestres na área central de Portland.

Exemplo de trecho com baixa segregação do MAX no Transit Mall, Portland, Oregon, Estados Unidos. Original: An inbound MAX train being passed by a bus on the Portland Transit Mall of TriMet, in Portland, Oregon, U.S.A.

Uma coisa, contudo, não exclui a outra. O VLT Carioca, por exemplo, é considerado perigoso porque passa perto de uma comunidade — se fosse monotrilho, não teria esse tipo de preocupação (em tese).

Então o problema não é o VLT Carioca, mas problemas do urbano que o tornam tão refém quanto seriam outros modos, inclusive o modo a pé, que é a base. Outrossim, estações como Manguinhos estão em elevado e nem por isso se tornam mais seguras (ver aqui, aqui e aqui).

Estação Manguinhos e trem da série 400: tipologia em elevado e maior peso e segregação nunca tornaram operação uma panaceia. Original: Paisagem dividida: o contraste fica evidente na plataforma, de onde passageiros podem ver as comunidades do Complexo de Manguinhos — Bianca Pimenta / Agência O Globo

Espero ter ajudado a mostrar que o VLT pode ser mais flexível do que parece a uma primeira vista. Reiterando que o trecho atualmente em funcionamento do VLT da Baixada Santista goza de maior segregação em comparação com seu primo carioca. O trecho de menor segregação, na região histórica e portuária, faz parte de uma segunda fase (ver aqui e aqui).

Espero ter contribuído para dirimir suas dúvidas e agradeço pelo interesse!


Caio César

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Objetivo: criar um espaço diferenciado de discussão sobre a mobilidade urbana, feito por quem se desloca pela Grande São Paulo | http://t.co/5oIni5ha3Q

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