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Pelo contrário: a linha 4 é algo que as pessoas querem como “padrão a ser seguido” devido ao atendimento, a manutenção e ao serviço oferecido.

Não acha que é um pouco exagerado dizer que “é algo que as pessoas querem”? O artigo foi feito cuidadosamente e inclusive foi elogiado pela Associação de Especialistas em Políticas Públicas do Estado de São Paulo. Explicamos que existe uma narrativa que, a partir de todo um contexto, elenca algumas características da Linha 4 enquanto mascara outras, o que tem um custo a ser pago, sendo que o custo não é pago apenas em dinheiro. Está no artigo.

Sem ofensas (comuns e embutidas infelizmente em muitas das publicações que vejo neste perfil do Medium), o ponto é que os serviços da Linha 4 são ao menos eficientes e bem apresentados, dando a sensação ao usuário de um serviço de qualidade.

Como não foram fornecidas evidências de ofensas e como o “muito” tem um caráter subjetivo — o que é muito pra você, pode não ser muito pra mim ou pra outras pessoas do Coletivo que de alguma forma estiveram envolvidas na confecção do artigo criticado — , seu apontamento só fará sentido se for refeito com dezenas de links e citações das ofensas. Aqui, vale salientar que: a manifestação de opiniões contrárias às suas convicções e pontos de vista não é uma ofensa, mesmo a construção de indivíduos figurativos a partir de características não é uma ofensa. Se você se enquadrou em alguma crítica ou tipo de indivíduo construído pelo Coletivo em algum dos artigos, o primeiro passo é a reflexão e o segundo passo é o diálogo.

Quando você diz que os serviços são ao menos eficientes e bem apresentados, está reproduzindo exatamente a narrativa mencionada no texto publicado pelo Coletivo. Ora, numa linha nova, inaugurada após um longo hiato, inserida em regiões privilegiadas devido ao mau uso e ocupação do solo que historicamente assola a maior parte da população da metrópole, contando com apenas seis estações operacionais, elevada conectividade e, consequentemente, taxa de renovação de passageiros também elevada, como o nível de serviço poderia ser insatisfatório? E daí, emendamos: como comparações se tornam possíveis e razoáveis? E mais: como tais comparações ajudam a construir consciência e pensamento crítico para engendrar esforços na melhoria dos serviços de outras linhas, o que vai exigir o envolvimento com questões para muito além da infraestrutura?

Questionamos no artigo as estações e o material rodante (frota de trens). Sua opinião parece ignorar os argumentos que foram colocados.

É notória sempre uma equipe de apoio que tira dúvidas, movimentação de seguranças e profissionais a serviço da Linha 4, além também da limpeza, do serviços de venda e atualmente das “facilidades tecnológicas”, como o painel de aviso de condição de vagão

Todas as estações das estatais contam com funcionários, geralmente presentes nas linhas de bloqueio (vulgarmente chamadas de “catracas”), sendo que na CPTM, também existem balcões dedicados para atendimento (neste caso, com funcionários de empresas privadas), como podem ser evidenciados em estações como Luz e Barra Funda.

Atributos como limpeza precisam ser pensados dentro das características que destacamos no texto e reiteramos acima: poucas estações, inserção territorial privilegiada. Podemos comparar uma linha como a 4-Amarela, com menos de 20 km, com a 11-Coral, que tem aproximadamente 51 km? Novamente: qual a validade da comparação, até que ponto ela é construtiva e minimamente útil?

Serviços de venda também não são exclusividade da Linha 4-Amarela e, diga-se de passagem, centros comerciais completos estão construídos e consolidados nas estações Tatuapé, Itaquera, Santa Cruz e Tucuruvi, para não falar de centros comerciais localizados muito próximos de estações, caso do Shopping Eldorado, vizinho da Estação Hebraica-Rebouças e que, diferentemente de centros comerciais mais modernos, conta em seu subsolo com um piso dedicado para serviços. Obviamente existem problemas, como já abordamos ao falar, por exemplo, da Estação Luz no passado.

Quanto às facilidades tecnológicas, o painel em questão é uma inovação e claro, deve ser louvado, mas vale lembrar que até hoje a ViaQuatro não está presente nas redes sociais, o único canal é o 0800. Um contraponto poderia ser feito pensando nos aplicativos para plataformas móveis e na presença das estatais nas redes sociais, além das reuniões periódicas que o Metrô realiza com atores como nós, colocando interessados para dialogar com o diretor de operações. É claro que o relacionamento precisa melhorar, mas uma crítica como a que você fez contribui até que ponto?

Os serviços em outras linhas ferroviárias em quaisquer outra linha seja da CPTM ou Metrô infelizmente sofre com falta de profissionais (inclusive de segurança), mal atendimento em alguns lugares (profissionais que não atendem bem, ignoram ou falham no atendimento), tecnologias de orientação (mapas, painel de condição de vagão, etc…).

Novamente a subjetividade impera. Subjetividade por subjetividade, na Linha 4-Amarela também faltam funcionários. Quanto aos mapas e sinalização visual, novamente existe um tom exagerado. Os mapas são padronizados e o esquema de comunicação visual difere muito pouco daquele já empregado no restante da malha. Qual a diferença entre a comunicação visual de Butantã e de Franco da Rocha? Nenhuma.

Os usuários “comuns” não querem saber de “estatísticas para especialistas”, mas sim um bom atendimento e conforto.

Ótimo, o desinteresse tem um preço. Se você está disposto a pagar por ele, nós não estamos. Vamos continuar questionando o senso comum, a acomodação e a ignorância. Não somos um jornaleco que se presta a tratar o transporte coletivo como assunto de quinta categoria, enquanto dedica uma editoria luxuosa para falar das últimas novidades automotivas. A mobilidade urbana é levada a sério por aqui.

Buscando a construção de consciência, buscando a formação de uma massa crítica de usuários, jamais podemos aceitar como normal ignorar estatísticas ou taxá-las como sendo “para especialistas”! A maior arma que temos é a informação.

Algo que a Linha 4 ao menos é boa em oferecer.

Com tantas peculiaridades, seria no mínimo inacreditável se fosse o contrário, não?

Caio César