Escola Turmalina: a agroecologia e o aprendizado na prática

Alunos visitam o CPRA e a Represa do Iraí [Foto: Henrique Kugler]

Na semana passada, o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) foi palco de uma experiência pedagógica bastante enriquecedora. Doze alunos do 9º ano da Escola Turmalina passaram cinco dias e quatro noites vivenciando o dia a dia de nossa Fazenda Agroecológica. Foi uma imersão completa no universo da agroecologia — e, mais do que isso, uma experiência de aprendizado e conexão com os alimentos que consumimos, com a terra na qual plantamos e com os afazeres do campo que muitas vezes são invisíveis aos olhos da cultura urbana.

Os estudantes colocaram a mão na massa para aprender mais sobre hortas orgânicas; conheceram técnicas de uso sustentável do bambu; observaram o cuidadoso manejo das vacas dentro de um sistema conhecido como Pastoreio Racional Voisin; acompanharam o processo de produção do leite agroecológico; e, é claro, aprenderam muito sobre a importância biológica das diferentes espécies de abelhas nativas que habitam nosso território, como por exemplo a jataí (Tetragonisca angustula) e a mandaçaia (Melipona quadrifasciata). Os alunos também tiveram a oportunidade de provar o exótico e saboroso mel produzido por esses insetos. “É muito gostoso, um pouco mais azedinho”, comentou um deles.

“A alimentação, a terra, o rural e o urbano… Em uma vivência como essa, os alunos desenvolvem e consolidam uma outra relação com esses elementos”, comenta o professor Renier Marcos Rotermund, um dos responsáveis pela turma. Ele conta que a vivência agrícola é uma prática comum dentro da Escola Turmalina — que é uma das poucas escolas de Curitiba que baseia sua estrutura curricular nos princípios da pedagogia Waldorf.

A pedagogia Waldorf é uma prática educacional baseada nos ensinamentos do filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861–1925). Enquanto as metodologias tradicionais de ensino focam demasiadamente no desenvolvimento intelectual dos alunos, a pedagogia Waldorf busca desenvolver em igual medida aspectos físicos, artísticos e mesmo espirituais dos estudantes. “Escolas tradicionais avaliam alunos por meio de números e boletins; já as escolas Waldorf os analisam por meio de um longo texto descritivo em que o professor discorre sobre o potencial, as dificuldades e as habilidades específicas de cada um”, explica o professor Daniel Barreto, que também acompanhou a turma durante a vivência na Fazenda Agroecológica. A pedagogia Waldorf entende que cada ser humano é diferente. E, portanto, a trajetória educacional de cada um deve respeitar essas diferenças.

[Fotos: Henrique Kugler]

“Outra diferença é que, na pedagogia Waldorf, nós primeiro mostramos a prática; e somente depois vem a teoria”, diz Barreto.

Por falar em prática, o último dia dessa vivência foi marcado por uma visita à Represa do Iraí, localizada em uma área adjacente à Fazenda Agroecológica do CPRA. É um local de grande beleza onde, ao fundo, os contornos da Serra do Mar desenham uma paisagem digna de cartão postal. O reservatório, administrado pela Sanepar, abastece com água potável vários bairros de Curitiba e região metropolitana. A proximidade entre a Represa do Iraí e a Fazenda Agroecológica confere grande relevância ao acordo de cooperação existente entre o CPRA e a Sanepar. Afinal, a preservação dos recursos hídricos é um dos fundamentos da agroecologia. Enquanto isso, as práticas agroecológicas são de grande importância para que a qualidade da água não seja comprometida — uma vez que esse tipo de agricultura não se baseia no uso de agrotóxicos ou insumos químicos danosos ao ambiente natural.

É a segunda vez que a Escola Turmalina proporciona aos alunos essa vivência no CPRA. “No ano passado, trouxemos para cá uma turma de nove estudantes e os resultados foram muito positivos”, lembra Rotermund. “Mas, na verdade, acredito que o grande valor pedagógico dessa experiência será percebido com ainda mais clareza no futuro, por nós e pelos alunos.”

Henrique Kugler


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