A Estrada

Eu já andei por essa estrada

E mesmo assim caminho só

Pois cada andarilho que passa,

Não deixa qualquer recado, qualquer notícia.

Eu já andei por essa estrada,

Com nada menos que o céu.

Sobre meus cabelos brancos,

Nuvens carregadas, nuvens chamuscadas.

O sol as deixou assim,

Longe, bem longe de mim,

Pois fica mais fácil assim,

Caminhar sozinho até o fim.

Com os pés descalços, eu me arrasto,

Por dentro do horizonte vasto,

O chão parece não voltar,

Eu nunca vou me lembrar.

Desse caminho que fiz,

Desse caminho que me fez,

De tudo desistir,

De tudo me redimir,

De tudo me distrair.

Eu caminho por essa estrada, há mais anos do que já me lembro,

E nada parece mudar, a não ser a força do vento.

Uma hora vem um tufão me buscar, me levar para onde quero ir,

A morte já calçou as botas,

E a gora vai me perseguir.

Mas eu não tenho qualquer medo,

Pois nessa vida tudo vi,

Ao caminhar por essa estrada,

De tudo já conheci.

E a morte, violenta e veloz,

Correu na terra batida,

Em direção da minha vida,

Que aos poucos iria me deixar.

Diga a todos os outros,

Que caminham por onde caminhei,

Que o sangue que corre em tuas veias,

O mesmo sangue que portei,

Ferve sobre suas mentes, que os faz discordar,

Da vida como um viaduto,

De todos os caminhos feitos,

Da terra batida sobre os pés,

Do homem que um dia foi eleito,

A caminhar pela eternidade,

Pela estrada que já caminhei.

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