O caos faz morada em meu coração
Motivo: Texto de aniversário para minha mãe no ano de 2016
O caos faz morada em meu coração.
O relógio bate às sete e vinte quatro da manhã de uma terça-feira. O dia havia sido iniciado com o amarelíssimo sol brilhando como se estivéssemos em pleno meio-dia na capital Fluminense. Acordei levemente atordoado e enfurecido, pois sempre acreditei que acordar cedo com felicidade é algo indisponível. Pelo menos pra mim.
Eis que você apareceu em minha frente. Minha mente me trouxe ao passado. Recordei quando colocava lanche para não passar fome na escola, e mesmo assim fui comprar fiado na cantina. Ou quando, ainda no meio estudantil, ouvi broncas pelas notas baixas em matemática… Permita-me confessar minha relação extraconjugal com português. Lembro-me de tanta história, tanta coisa que um texto só não faz porcentagem considerável aqui…
É, mãe… Foi uma época boa.
Um dia desses, fui ao dicionário atrás da letra R. Arisco, como sempre, devorei o livreto em busca da palavra referência. As palavras vizinhas sumiram do meu campo de visão num emaranhado de papéis brancos. Em uma folha nova, achei o contexto de toda sua vivência.
Mas as referências, como qualquer matéria que reside no planeta, envelhecem. Mais um dez de maio. Não queria que isso acontecesse tão de pressa, quero congelar seu estado de espírito e trazer comigo toda sua juvenilidade que mantém a priori aos quarenta… Ops! Não vou relevar sua idade (Risos).
Minha personalidade diz que é preciso maturidade para aprender a viver a vida e aceitar este tipo de situação. E é o que tento fazer todos os dias, seguindo os conhecimentos que a senhora, sem jamais me desrespeitar, ensinou. Vê-la sorrir no seu aniversário é o que ganho de presente, mas confesso que te ver envelhecer, dói. Por isso, o caos. Mas não fique triste, aprendi também que quando acuado, o órgão máximo de um corpo humano, reage com vigor. E te prometo meu bem… Cuidar de você da forma mais abrangente que puder.
Pois bem, cheguei a uma reflexão.
É justamente quando um indivíduo começa a amadurecer, que o mesmo se lembra como ama aquela que se doou para ele ver que o amarelíssimo sol se abre às sete e vinte cinco da manhã, com apenas um minuto suspirando o que viveu por vinte anos dentro de si.
