A gente insiste em viver em um mundo que não existe.

Um pouco contraditório eu usar de uma rede social para abordar o tema, mas é algo que constantemente vinha acontecendo na minha vida e eu resolvi expor meu pensamento. Acompanhe.

Pois bem, na era onde tudo é compartilhável, onde tudo é digital, onde cada like importa, ser/estar/parecer faz toda a diferença. Digo isso depois de muito observar o comportamento dos meus amigos ou colegas de rede social.

Começo mesmo pela foto do perfil. O meu mesmo. Cada uma delas em todas as redes foram muito bem ensaiadas, escolhidas a a dedo mediante uma boa luz, um angulo que favorece e não deixa aquela gordurinha tão a mostra.

Adepto do termo “quem limpa a casa, quer visita” sempre garanti uma melhor imagem nas minhas redes buscando parecer o mais receptivo, ou bonito possível, afinal, nunca se sabe o que pode encontrar (hoje em dia até emprego…)

Em meio a filtros, cortes, ângulos e uma serie de coisas, não permitimos transparecer quem realmente somos, porque de alguma forma temos que estar bonito, tipo quando aquela sua tia rica vai em casa levar presentes, sabe? Esconde tudo embaixo do tapete e mostra o melhor pra impressionar.

Nessa onda a gente vai criando uma mascara social muito da aleatória e começa a maquiar não só o eu como o mundo que a gente vive. Atire a primeira pedra quem nunca fez selfie em parede cagada, em quarto desarrumado ou aquela foto linda do perfil usando pijama por baixo.

E qual o problema disso? Na verdade nenhum, tirando o fato de que gera aquele famoso sentimento do “você não é todo mundo”. Pode contar, quantas fotos de pessoas na praia durante o fim de ano você viu e desejou estar?

Quantas ceias lindas de Natal você viu por foto e reclamou daquela macarronese (macarrão com maionese, para os leigos) que sua mãe fez?

Ou até mesmo aquela balada que pareceu maravilhosa, mas que ninguém mostra a amiga dando pala, a outra gorfando ou até aquela outra que liga pro ex pra mostrar que superou.

A questão é, a vida tá longe de ser perfeita e maravilhosa como a gente vê nas redes, já teve até influencer gringa mostrando que nada é tão lindo muito menos glamuroso quanto parece. Aquela foto na piscina foi pensada e talvez a piscina nem seja do dono da foto. Aquela ~brusinha~ pode não ser da pessoa, até mesmo o sorriso presente na foto pode estar ali por uma simples convenção social.

É difícil ter um instagram inoperacional, com momentos lindos e paisagens bonitas… Se parar pra pensar as redes hoje em dia não imprimem o que nenhum de nós é realmente.

Todos somos politizados e cheios de assuntos ou gracinhas no Facebook, geradores de memes e depressivos no twitter e praticamente revelações do funk ostentação no instagram, com pitadas de newface do mundo da moda e… Pra que? Qual é a pira de parecer descolado que a gente tem corrido tanto atrás? Até aonde é legal ou não correr atrás por causa de um like?

Acredito que na carência de viver algo real a gente tenta dar uma melhorada na realidade, tornando aquilo que se visto no macro seria bobo, algo mais legal do mundo. Deixando claro que eu não to falando pra ninguém sair por ai pondo a foto mais feia, ou deixando de curtir quando realmente curtiu algo, muito menos pra esconder sentimentos que as vezes ocupam 140 caracteres ou mais. O que eu me pego pensando é: não seria mais fácil só viver?

E será que fazer bonito nas redes não é mais fácil sendo você mesmo?

Afinal, em meio a tantos filtros, ostentações, tem certas coisas que não se esconde. E gente, vamos lembrar que não tem problema ser boring das redes sociais, não ter o que postar ou não ser sempre relevante, descolado, empoderado.

Redes sociais devem ser o reflexo de como a gente se sente e não uma projeção de como a gente gostaria de se sentir, pode até parecer cagação de regra, mas a transparência, em muitos casos, ajuda a salvar vidas e resolver problemas. Quem deve se importar vai se importar e não vai estar lá só pelo like maneiro naquela foto linda que você demorou umas 15 vezes ( + 15 efeitos) pra deixar ela assim.

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