amor, ao vivo e a cores.

AMOR

substantivo masculino

  1. 1.
     forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.
  2. 2.
     atração baseada no desejo sexual.
  3. 3.
     afeição baseada em admiração, benevolência ou interesses comuns; forte amizade.

Eu sempre tentei entender o que é o amor, buscando a definição mais perfeita. Como se pudessem extrair algo lógico, direto ou objetivo de um sentimento.

É aquela sensação que mexe com a gente, aquela sensação de borboletas no estômago, é um reflexo do corpo, algo eletrizante que revira tudo por dentro.

É como aquele primeiro dia de escola que você se arruma porque sente que vai ser especial, é aquela ansiedade antes de assistir seu filme preferido, é algo parecido com ouvir sua música preferida ao vivo. É aquele pedaço do seu doce preferido, o primeiro pedaço, bem cortado, aquele que você ainda limpa a faca com o dedo.

É uma sensação equivalente a entrar numa montanha russa, aquele primeiro momento onde você senta e se prepara, observa tudo a sua volta, como se soubesse qual sensação está por vir. Depois daquele cinto apertado, você se prepara pra uma enorme queda, forte, brusca, isso é o que eu acho que o amor pode ser.

O amor é tudo isso, o amor é tudo isso e mais um pouco. O amor é amplo, o amor é denso, o amor é complexo e simples ao mesmo tempo. Ele abrange tantas possibilidades que seria injusto achar que amor é uma coisa só.

Dentre os mais possíveis recortes que o amor possa ter, existe um tipo que é capaz de abalar todas as estruturas, de fazer com que tudo fique diferente.

Um amor que é quase marginal, um amor que existe mas existe com cuidado, requer olhos atentos, requer agilidade, requer medo. Um amor que se não for bem cuidado pode deixar de existir.

Existe um tipo de amor capaz de fazer com que o ódio ganhe vida em outras pessoas e pulse da maneira mais incoerente e triste possível.

Injustamente.

E esse ódio é sentido por qualquer pessoa não hétero em algum momento da sua existência. Um beijo ou afeto que é capaz de fazer algo nascer é o mesmo que pode ser responsável por alguém morrer.

Pode parecer uma abordagem vitimista ou até mesmo extremista, mas gostaria mesmo que isso fosse só uma visão tendenciosa dentro de um texto.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1884666-brasil-patina-no-combate-a-homofobia-e-vira-lider-em-assassinatos-de-lgbts.shtml

E nem me venha com amar diferente, o amor é igual, o sentimento é justo para todos, embora não seja fácil pra todo mundo vivê-lo. O sentimento não se difere, quem difere com base em “certo e errado” é o homem.

Aos olhos de Deus (ou qualquer outra divindade que você acredite, podendo até ser power rangers) bons sentimentos não são condenáveis, mas porque o amor é então?

Por que incomoda tanto o fato de duas pessoas do mesmo sexo se amarem? Porque incomoda tanto a maneira como as pessoas se relacionam? Se estão todos unidos — em qualquer tipo de relação que existe — buscando amor e união, por que isso deve ser condenável? Por que isso “pode merecer” agressão, pode merecer desrespeito?

Por que?

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2017-05/dia-de-combate-homofobia-sera-marcado-por-debates-em-salvador

É por causa de situações como essa, que temos dias como hoje. O Dia Internacional contra a Homofobia veio pra mostrar para os homens os ensinamentos que foram deixados pra trás com base em valores que não são seguidos.

Respeitar os outros como a si mesmo foram “ordens” dadas que deveriam ser seguidas e tratar as pessoas com amor e ternura foi algo dito há tempos que ainda sim não é respeitado.

O amor não deveria ser unilateral, o amor deveria ser plural. O direito de amar, também. Amar sem lutar, apenas.

Só que a real é que essa luta é diária. É uma questão muito mais densa do que só o respeito, é legitimação.

Enquanto direitos forem tratados como regalias, enquanto a existência de qualquer ser humano cair no contexto do exótico ou de algo passível de se sentir ódio, textos precisam ser escritos e movimentos precisam ser feitos.

Enquanto isso for um motivo para condenar, matar ou desrespeitar pessoas, o amor precisa existir e não necessariamente num contexto afetivo e sim, na base da empatia.

Amor sem empatia não existe, a capacidade de se colocar no lugar do outro é uma das coisas que fazem o sentimento existir, faz com que o respeito exista. Afinal, não se faz mal a quem se ama, ou pelo menos não deveria ser assim.

O direito de existir e se expressar é um direito de todos, mas a partir do momento que a minha existência — ou de qualquer outros LGBTTQI — incomoda, um de nós deixa de existir, seja em sua totalidade como as diversas mortes e ataques que vemos por ai, ou seja em sua liberdade de expressão.

Não seria bem mais interessante se estivéssemos celebrando o amor, sem segregação, sem violência, sem repressão?

Já passou da hora do amor vencer.